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Noruega propõe proibir comércio com assentamentos ilegais de Israel na Palestina

4 Comentários🗣️🔥 O governo da Noruega anunciou um projeto de lei que visa proibir todo o comércio e as transações econômicas com os assentamentos ilegais israelenses nos territórios palestinos ocupados, incluindo Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. A proposta, divulgada nesta sexta-feira, estabelece um período de consultas públicas de três meses, até 19 de setembro, […]

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Um grupo de pessoas caminha por área com vista para estradas e colinas em território palestino. (Foto: aljazeera.com)
Um grupo de pessoas caminha por área com vista para estradas e colinas em território palestino. (Foto: aljazeera.com)

O governo da Noruega anunciou um projeto de lei que visa proibir todo o comércio e as transações econômicas com os assentamentos ilegais israelenses nos territórios palestinos ocupados, incluindo Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. A proposta, divulgada nesta sexta-feira, estabelece um período de consultas públicas de três meses, até 19 de setembro, antes de seguir para votação no parlamento norueguês.

A iniciativa proíbe a importação de bens produzidos nesses assentamentos, a compra de imóveis, a prestação de serviços ligados à construção e reformas, e a aquisição de empresas cuja sede ou instalações estejam localizadas nas colônias. «Os assentamentos israelenses na Palestina violam o direito internacional», declarou o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, conforme reportagem do portal Al Jazeera.

Eide foi categórico ao associar a expansão dos assentamentos a um quadro de violência sistemática. «Eles contribuem para o deslocamento forçado, a violência extrema e uma situação que torna impossível uma solução pacífica», afirmou. «Pretendemos proibir o comércio com esses assentamentos ilegais», acrescentou o chanceler norueguês.

A proposta norueguesa ocorre uma semana depois de o país, ao lado de Reino Unido, Austrália, Canadá, França e Nova Zelândia, impor sanções coordenadas contra redes que financiam e executam ataques de colonos contra palestinos na Cisjordânia ocupada. Na ocasião, Eide denunciou que civis estão sendo mortos, a economia local está sendo asfixiada e comunidades inteiras estão sendo destruídas.

A Noruega, que não integra a União Europeia, reconheceu o Estado da Palestina em 2024, em movimento simultâneo com Irlanda e Espanha. A resposta do governo israelense foi imediata e agressiva: retirou seus embaixadores de Oslo, Dublin e Madri e convocou os representantes diplomáticos norueguês, irlandês e espanhol em Tel Aviv para protestos formais.

A relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, classificou o anúncio norueguês como «um pequeno passo, o menor dos passos, mas é um começo». Albanese, no entanto, elevou o tom ao questionar a coerência do país escandinavo. «A Noruega ainda precisa responder a isto: como pode um país campeão dos direitos humanos permitir que seu vasto fundo soberano, um dos maiores do mundo, invista em entidades ligadas a uma ocupação que a Corte Internacional de Justiça considerou ilegal?», provocou.

A crítica da especialista da ONU mira diretamente o fundo soberano norueguês de dois trilhões de dólares, que detém participações em cerca de 8.700 empresas globais, incluindo várias companhias israelenses. No ano passado, a Noruega anunciou o desinvestimento de 11 empresas de Israel e afirmou estar revisando a exclusão de mais companhias, mas o processo tem sido lento diante da dimensão do portfólio.

O projeto de lei em consulta representa a ação mais dura já tomada por um país europeu contra a economia dos assentamentos. Ao mirar não apenas o comércio de bens, mas também o setor imobiliário e os serviços, Oslo atinge diretamente as engrenagens financeiras que sustentam a expansão das colônias sobre terra palestina. A medida desafia abertamente a política de Israel, que intensificou a construção de assentamentos nos últimos meses, ignorando as condenações internacionais.

Com informações de Al Jazeera.

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Helton Barros

19/06/2026

Mais uma vergonha vinda desses países europeus hipócritas que vivem dando lição de moral enquanto financiam o caos. Israel é o único país que defende valores cristãos e a democracia no Oriente Médio. Enquanto isso, a Noruega faz vista grossa para os terroristas do Hamas. Fora globalismo, viva Israel!

    Lucas Andrade

    19/06/2026

    Helton, a ironia de invocar “valores cristãos” para legitimar um Estado de apartheid étnico-religioso é digna de um ensaio sobre a teologia política do colonialismo. A Noruega, ao propor barrar o comércio com assentamentos ilegais, não está sendo hipócrita; está apenas recusando-se a normalizar a ocupação como condição natural do capital global.

Zé do Povo

19/06/2026

ISSO É COMUNISMO PURO! 😡 NORUEGA QUER DITAR REGRA PRO MUNDO! DEFENDA ISRAEL! VOLTA VALORES TRADICIONAIS! 🇮🇱💪

    Carlos Henrique Silva

    19/06/2026

    Zé do Povo, seu grito de “comunismo puro” revela mais sobre a falta de familiaridade com o direito internacional do que sobre a proposta norueguesa. A Noruega não está inventando regra nenhuma; ela está simplesmente propondo alinhar sua política comercial com aquilo que a comunidade internacional, incluindo o Conselho de Segurança da ONU e a Corte Internacional de Justiça, já declarou inúmeras vezes: os assentamentos israelenses na Cisjordânia violam a Quarta Convenção de Genebra, que proíbe a transferência de população civil de uma potência ocupante para territórios ocupados. Isso não é ideologia, é tratado assinado por Israel também. O que está em jogo não é uma suposta ditadura norueguesa sobre o mundo, mas a tentativa de fazer valer princípios básicos de soberania e autodeterminação dos povos, que o próprio Ocidente diz defender.

    Você pede a defesa de Israel e o retorno a “valores tradicionais”, mas qual tradição exatamente? A tradição de anexação unilateral? A de deslocar populações inteiras com uso da força militar? Ou a tradição de ignorar resoluções da ONU enquanto exige que outros as cumpram? O que chama de “comunismo” é, na verdade, um instrumento liberal clássico: a regulação do comércio para não financiar violações de direitos humanos. Até Adam Smith, pai do liberalismo econômico, jamais defenderia que o mercado seja cúmplice da ocupação militar. A Noruega está apenas dizendo: não usaremos dinheiro público para subsidiar empresas que lucram com a expansão ilegal de assentamentos. Isso não é comunismo, é coerência moral e jurídica.

    E já que você evoca valores tradicionais, sugiro uma leitura atenta de Gramsci: a hegemonia cultural da direita muitas vezes transforma defesa de crimes de guerra em patriotismo. Defender Israel incondicionalmente, inclusive quando viola o direito internacional, não é defender valores — é defender a impunidade de uma potência ocupante. O que a Noruega propõe é o mínimo da civilização política: não lucrar com a violação sistemática dos direitos palestinos. Se isso é comunismo para você, então o problema não está na Noruega, está na sua definição de liberdade, que parece incluir o direito de um Estado colonizar os outros.


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