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Controle de exportação dos EUA sobre IA enfrenta desafios históricos

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Ilustração editorial sobre Controle de exportação dos EUA sobre IA enfrenta desafios históricos. (Ilustração: Cafezinho / Wan
Ilustração editorial sobre Controle de exportação dos EUA sobre IA enfrenta desafios históricos. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O governo dos EUA emitiu uma diretiva de controle de exportação obrigando a Anthropic a suspender o acesso aos seus modelos de inteligência artificial Fable 5 e Mythos 5 por qualquer estrangeiro, seja dentro ou fora do país, incluindo funcionários não cidadãos da própria empresa. Diante do escopo da ordem, a Anthropic não teve alternativa senão desativar os modelos para todos os usuários.

O episódio representa o primeiro teste real de se o governo dos EUA consegue usar controles de exportação para conter modelos de IA de fronteira — da mesma forma que tentou, com resultados muito desiguais, conter a criptografia e o spyware no passado. A resolução desse impasse pode moldar não apenas o acesso da Anthropic a mercados internacionais, mas também o conjunto de regras que outros laboratórios de IA terão de seguir.

Desde que a Anthropic lançou o Mythos em abril, a empresa o comercializou como uma ferramenta de cibersegurança de capacidade excepcional — poderosa o suficiente para causar estragos na internet se amplamente distribuída. Por isso, antes da proibição, apenas cerca de 150 empresas e organizações governamentais tinham acesso a ele, por meio de um programa restrito chamado Project Glasswing.

Dois eventos desencadearam a proibição. O primeiro: a Anthropic concedeu acesso ao Mythos à SK Telecom, a maior operadora de telecomunicações da Coreia do Sul, que integrava o Project Glasswing. O governo dos EUA ordenou a revogação desse acesso após identificar a empresa como potencialmente ligada à China — suspeita que a SK Telecom nega.

O segundo evento foi o alerta do CEO da Amazon, Andy Jassy, que comunicou à administração Trump, em uma ligação pré-agendada com autoridades da Casa Branca, que pesquisadores da Amazon haviam encontrado uma forma de contornar as salvaguardas do Fable 5. A Anthropic contesta a caracterização de “jailbreak”, argumentando que se trata de uma vulnerabilidade estreita e já corrigida, presente também em outros modelos publicamente disponíveis, como o GPT-5.5 da OpenAI.

O Departamento de Comércio, sob o secretário Howard Lutnick, emitiu a diretiva de controle de exportação, e a Anthropic teve cerca de 90 minutos para restringir o acesso aos seus produtos após a notificação. A empresa afirma que a carta não detalhou a preocupação específica de segurança nacional.

O episódio ecoa tentativas históricas de governos de limitar tecnologias cibernéticas consideradas perigosas. Nos anos 1990, o governo dos EUA tentou controlar a disseminação de tecnologias de criptografia, como o Pretty Good Privacy (PGP). O criador do PGP, Phil Zimmermann, enfrentou uma investigação criminal, mas acabou vencendo uma batalha crucial — permitindo o avanço de algoritmos de criptografia usados por bilhões de pessoas hoje.

Na década de 2010, a descoberta de spyware ocidental usado contra dissidentes no Oriente Médio levou à expansão do Acordo de Wassenaar, que limita a exportação de software de vigilância. O acordo, porém, possui falhas significativas: alguns países, como Israel, não aderem a ele, e a aplicação das regras varia entre as nações signatárias.

O impasse atual entre a Anthropic e a administração Trump pode levar a uma flexibilização das restrições para preservar a competitividade das empresas americanas de IA. Alternativamente, as companhias dos EUA podem passar a precisar de aprovação governamental antes de atender clientes estrangeiros — o que pesaria sobre suas finanças. A história mostra que controles de exportação raramente são eficazes em impedir o uso indevido de tecnologias cibernéticas poderosas.

Para mais informações, acesse o portal TechCrunch.

Com informações de TECHCRUNCH.

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