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A mansão de R$ 12 milhões que ‘sumiu’ da declaração do prefeito de Fortaleza — e agora vira caso na PF

0 Comentários🗣️🔥 O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), passou a ser formalmente investigado pela Polícia Federal por suposta omissão patrimonial em suas declarações de bens à Justiça Eleitoral, tanto no registro de candidatura a deputado estadual em 2022 quanto no de prefeito em 2024. O inquérito, aberto em junho, foi requisitado pela 3ª Promotoria […]

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O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), passou a ser formalmente investigado pela Polícia Federal por suposta omissão patrimonial em suas declarações de bens à Justiça Eleitoral, tanto no registro de candidatura a deputado estadual em 2022 quanto no de prefeito em 2024. O inquérito, aberto em junho, foi requisitado pela 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza depois que reportagens do site O Otimista revelaram a existência de imóveis de alto valor não declarados.

O imóvel que vale oito vezes o patrimônio declarado

No centro da investigação está uma mansão de alto padrão no condomínio Alphaville Fortaleza, no município de Eusébio, erguida sobre dois lotes unificados adquiridos em 2021 por R$ 1,2 milhão e hoje avaliada por corretores em cerca de R$ 12 milhões — valor aproximadamente oito vezes superior ao patrimônio total de R$ 1,6 milhão que Leitão declarou à Justiça Eleitoral na eleição de 2024, quando venceu a disputa pela Prefeitura. Nem o terreno, nem a construção posterior aparecem em nenhuma das declarações de bens apresentadas pelo petista nos dois pleitos mais recentes.

A investigação também mira um apartamento de 212 m², adquirido em nome do filho do prefeito, Kaio, por meio de uma empresa ligada à família — imóvel que, somado à mansão de Eusébio, eleva o valor total dos bens sob suspeita a R$ 14,5 milhões, segundo o relatório da Promotoria Eleitoral. Uma reportagem investigativa do site Otimista e repercutida por toda a imprensa local já havia apontado que a mansão é hoje ocupada pelo cantor Wesley Safadão, próximo ao grupo político do prefeito e presença recorrente em eventos promovidos pela própria gestão municipal, incluindo o Réveillon 2026 da cidade.

Um detalhe temporal que chama atenção

O período em que o terreno foi adquirido e a construção da mansão começou coincide com a passagem de Leitão pela presidência da Assembleia Legislativa do Ceará, cargo que ocupou entre 2021 e 2024. Considerando o salário de deputado estadual à época, o valor do terreno sozinho equivaleria a mais de quatro anos inteiros de remuneração do cargo — sem contar o custo da construção da própria mansão, que segundo corretores consultados soma um valor dez vezes maior que o do terreno original.

A defesa: bens de parentes, “devidamente declarados”

Procurado, o prefeito enviou nota afirmando que suas declarações de bens foram acatadas pela Justiça Eleitoral nos dois pleitos e que não possui pendências com a Receita Federal. Segundo o texto, os imóveis citados no inquérito da PF não constariam em seu nome, e sim no de familiares, devidamente declarados perante a Receita — argumento que, se confirmado, poderia afastar a acusação de omissão patrimonial pessoal, mas que ainda assim não explica por que bens ligados diretamente à sua residência e à de seu filho não apareceram em nenhum momento nas prestações de contas eleitorais. Quando questionado presencialmente por um repórter sobre o caso, Leitão preferiu não se aprofundar: “não tenho nada a comentar, não”.

Reações: de “estranheza” a farpa direta do antecessor

O caso já rendeu reações de diferentes campos políticos cearenses. O vereador PP Cell (PL) classificou a ausência do bem na declaração como algo que causa “estranheza”, ainda que tenha feito a ressalva de não ser especialista para avaliar se há irregularidade. Mais contundente foi o ex-prefeito José Sarto (PSDB), antecessor de Leitão no cargo, que usou as redes sociais para alfinetar o sucessor: “Eu tive quatro anos como prefeito e nenhuma denúncia de corrupção. Olha o Leitão agora”.

O que a PF vai apurar

A delegada responsável pelo caso, Doralúcia Oliveira de Souza, determinou uma bateria de diligências: levantamento completo do patrimônio de Leitão e de seus parentes diretos — esposa e filhos —, requisição de documentos a cartórios de registro de imóveis e de notas, e verificação do recolhimento de IPTU e ITBI junto à Prefeitura de Eusébio. A PF também solicitou ao TRE-CE as declarações de bens completas e o material de propaganda eleitoral de Leitão em 2022 e 2024 — numa tentativa de checar se o prefeito usou publicamente a imagem de “gestor de poucos bens” como símbolo de honestidade em sua trajetória política, ao mesmo tempo em que possuía um patrimônio muito mais expressivo do que o declarado.

A investigação apura o crime de falsidade ideológica eleitoral — omitir ou inserir informação falsa em documento com finalidade eleitoral —, já que a declaração de bens é etapa obrigatória para o registro de qualquer candidatura, com relevância direta, segundo a própria Promotoria, para a transparência do processo eleitoral e o controle público da evolução patrimonial de quem ocupa cargos públicos.

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