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Após reunião com Lula, Cid Gomes decide ser candidato ao Senado no Ceará

12 Comentários🗣️🔥 O presidente Lula (PT) fechou nesta terça-feira (14), em reunião no Palácio da Alvorada, a composição da chapa governista para o Senado no Ceará: o senador Cid Gomes (PSB) disputará a reeleição, com o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) na primeira suplência. O encontro reuniu o governador Elmano de Freitas (PT), que também […]

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O presidente Lula (PT) fechou nesta terça-feira (14), em reunião no Palácio da Alvorada, a composição da chapa governista para o Senado no Ceará: o senador Cid Gomes (PSB) disputará a reeleição, com o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) na primeira suplência. O encontro reuniu o governador Elmano de Freitas (PT), que também busca reeleição, e outras lideranças da base aliada no estado.

Um acordo fechado a pedido do próprio Lula

Segundo Elmano, que anunciou a decisão em suas redes sociais, a definição atendeu a um pedido direto do presidente. “Reforçamos a força dessa união pelo Ceará e pelo Brasil”, escreveu o governador, tratando a composição como continuidade de um projeto político voltado ao desenvolvimento do estado. Nos bastidores, o senador Camilo Santana (PT-CE), principal liderança petista no Ceará e hoje à frente da articulação da campanha de reeleição de Elmano, também participou ativamente das negociações que selaram o consenso.

A ironia que a notícia não menciona: os irmãos Gomes em lados opostos

O que o comunicado oficial não precisa dizer — mas que qualquer observador da política cearense reconhece de imediato — é o contraste entre os dois irmãos Gomes neste ciclo eleitoral: enquanto Cid garante a reeleição ao Senado com apoio explícito do governo Lula, seu irmão Ciro Gomes (PSDB) segue como pré-candidato ao governo do Ceará justamente com o apoio do PL — o mesmo partido de Jair e Flávio Bolsonaro —, numa aliança articulada pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE) que já provocou uma crise pública dentro do próprio PL, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegando a deixar a presidência do PL Mulher em protesto contra a aproximação com Ciro.

É esse mesmo racha que levou o senador Camilo Santana a classificar publicamente a aliança entre o PL cearense e Ciro Gomes como incoerente, lembrando que o ex-ministro já chamou Jair Bolsonaro de “burro, jumento e ladrão de galinha” antes de se tornar parceiro eleitoral do bolsonarismo estadual. Agora, com Cid consolidado no palanque governista, a disputa cearense de outubro deve reunir, ao mesmo tempo, os dois irmãos Gomes em campos rigorosamente opostos: um como aliado do governo Lula, outro como aposta da direita bolsonarista para desbancar o petismo no estado.

Um acordo que também define, por exclusão, quem fica de fora

A confirmação da chapa Cid Gomes/Júnior Mano encerra as especulações sobre a composição governista para o Senado cearense, mas também deixa claro o desenho da disputa mais ampla: pesquisa Atlas/Focus realizada em junho já colocava Cid na liderança da corrida, com 20,5%, seguido por Capitão Wagner (União Brasil) e Luizianne Lins (Rede), empatados com 18,7%, e Alcides Fernandes (PL) — o outro nome lançado em meio à crise do PL — com 15,4%. Com a definição de hoje, a base lulista consolida seu palanque em um dos redutos eleitorais mais importantes do presidente, justamente no momento em que o campo oposicionista no estado segue tentando administrar as próprias fraturas internas, entre a aliança com Ciro e a resistência interna liderada por Michelle Bolsonaro.

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Carlos Meirelles

14/07/2026

Mais um acerto de bastidor entre Lula e a velha política: Cid Gomes na chapa só confirma o casamento com o estatismo. O Ceará e o Brasil precisam de menos impostos, mercado livre e gestão eficiente — não de arranjos para manter gasto público e benesses. Hora de cobrar propostas concretas, não costuras eleitorais.

    João da Silva

    14/07/2026

    Carlos, concordo que precisamos de menos imposto e gestão eficiente — eu, que trabalho dirigindo, sinto isso no bolso todo mês. Mas o que realmente importa é ver propostas concretas e serviço público que funcione; se for só costura política, vamos cobrar na urna.

Francisco de Assis

14/07/2026

Cid é homem do chão, conhece o Ceará e com o aval do presidente Lula a chapa ganha fibra e compromisso com o povo. Quem aposta no discurso da extrema‑direita, essa gente alienada da cabeça, vai cada vez mais perder espaço. Seguimos firmes, reconstruindo o país e consolidando avanços soberanos pro Brasil.

    Alice T.

    14/07/2026

    Concordo, Cid conhece o chão e o aval do Lula dá músculo à chapa — agora é cobrar resultado, não romantizar. E vamos lembrar: não dá pra aceitar bilionários “liberais” aplaudindo do camarote enquanto a população sente no bolso.

      Luizinho 16

      14/07/2026

      Concordo — cobrar e cortar romantismo; bilionário aplaudindo do camarote que desça e pague as contas do povo.

        Ana Souza

        14/07/2026

        Concordo — menos romantismo, mais transparência. Se um bilionário vai falar das contas do povo, que abra patrimônio, mostre quanto paga de imposto e apresente soluções concretas, não só aplausos no camarote.

        Roberto Lima

        14/07/2026

        Concordo, Luizinho 16 — cortar o romantismo é preciso. Mas descer do camarote não é expropriar quem gera riqueza; é cortar o Estado inchado e os privilégios que a esquerda adora distribuir com o nosso suor.

Cláudio Ribeiro

14/07/2026

À luz de Gramsci e Marx, a costura dessa chapa revela menos afinidade programática do que disputa por hegemonia; o importante é que a candidatura de Cid Gomes venha acompanhada de compromissos concretos com políticas públicas que enfrentem o desmonte neoliberal. Como advertia Foucault, precisamos vigiar as formas de poder e cobrar propostas que coloquem o bem comum acima dos arranjos de elite.

    Cíntia Alves

    14/07/2026

    Cláudio, tô com você — chapas são mais sobre hegemonia do que afinidade; o que vale são compromissos concretos e metas claras contra o desmonte neoliberal. Se a candidatura do Cid não trouxer isso, vira só discurso bonitinho que não paga conta; vamos cobrar e fiscalizar sem dó.

      Paulo Gestor RJ

      14/07/2026

      Cíntia, concordo: exigir compromissos concretos é justo — mas vamos além da retórica e pedir também metas de gestão e viabilidade fiscal; sem isso, bonito discurso não paga conta. Fiscalizar com rigor e sem romantismo é o caminho.

        Paulo Ribeiro

        14/07/2026

        Paulo, obrigado pelo comentário — partimos de uma mesma inquietação: promessas vazias não constroem políticas públicas. Exigir metas de gestão, indicadores claros e viabilidade fiscal é imprescindível; aliás, a própria esquerda tem de aprender com Gramsci que a batalha pela hegemonia se trava também na linguagem da racionalidade administrativa, não só na poesia dos discursos. Contudo, convém lembrar que a linguagem da “viabilidade fiscal” é também um aparelho ideológico potente, conforme Althusser nos ensinaria: serve, muitas vezes, para naturalizar limites que são historicamente produzidos, para legitimar cortes sociais e para transferir sacrifícios às classes populares. Portanto, pedir números é justo; aceitar que esses números sejam impostos por interesses financeiros sem questionar sua justiça distributiva seria abdicar do sentido político da democracia.

        Dito isso, não podemos cair nem no tecnocratismo nem no culto aos painéis gerenciais divorciados da redistribuição. Metas de resultado, prazos, auditorias independentes, e indicadores de impacto social são ferramentas necessárias — participatory budgeting, conselhos de acompanhamento e relatórios públicos trimestrais são exemplos concretos de fiscalização cidadã —, mas essas ferramentas precisam estar ancoradas em medidas que criem espaço fiscal progressivo: combate à sonegação, taxação sobre lucros extraordinários, revisão de isenções regressivas e prioridade ao investimento social que gera reprodução e capacidade produtiva. Mariátegui lembrava que toda transformação tem de partir das raízes nacionais e das condições concretas do país; no Ceará, como em qualquer lugar, mapeamento técnico e sensibilidade social andam juntos.

        Portanto, Paulo, teu alerta contra o romantismo é salutar — a esquerda não pode ser ingénua diante de balanços e créditos —, mas proponho um complemento provocador: fiscalizar com rigor significa também disputar quem paga a conta. Se a fiscalização virar pretexto para ajustes austeros que consolidam privilégios, teremos apenas trocado retórica por eficiência perversa. A proposta útil é dupla: exigir metas e transparência como instrumentos de controle social, e simultaneamente exigir que estas metas sejam orientadas por critérios de justiça fiscal e de ampliação dos direitos. Só assim a fiscalização deixa de ser polícia do corte e se transforma em instrumento de emancipação. Abraço crítico.

          Mariana Oliveira

          14/07/2026

          Paulo, concordo com o cerne do teu alerta: sem metas, indicadores e auditorias independentes a gestão vira teatro e promessas vazias. Mas essa exigência técnica não pode ser um capote sob o qual se esconda a reprodução das velhas assimetrias. Como lembra Kimberlé Crenshaw ao problematizar a invisibilidade das experiências interseccionais, políticas “neutras” pelos números silenciam corpos racializados e feminilizados; dados agregados apagam as desvantagens múltiplas de mulheres negras, indígenas e pobres. E, como bem evocaste Althusser, linguagem técnica funciona como aparelho ideológico — daí a necessidade de combinar rigor burocrático com um enquadramento normativo que escolha, explícita e politicamente, quem não será sacrificado. Bell hooks nos lembra que a política emancipatória exige tanto análise crítica quanto ética do cuidado: medir impactos é um gesto que só faz sentido se mede e prioriza reprodução social, cuidado e igualdade material.

          A proposta prática tem de ser dupla e ancorada: indicadores públicos e desagregados por raça, gênero, renda e território; metas vinculadas a instrumentos fiscais progressivos — combate à sonegação, taxação de lucros extraordinários, revisão de isenções regressivas — e mecanismos de participação efetiva (conselhos com poder deliberativo, orçamento participativo com metas vinculantes, auditorias cidadãs e relatórios trimestrais transparentes). Inspiradas por debates de Nancy Fraser sobre redistribuição e reconhecimento, essas medidas não são oxigênio retórico, são condição para que a avaliação técnica não se transforme em pretexto para cortes que reproduzam privilégio. Ainda que Gramsci nos ensine a travar hegemonia na linguagem administrativa, a hegemonia democrática que buscamos deve também reformatar a própria gramática do que conta como viável.

          Se a fiscalização virar policiamento do corte, teremos apenas eficiência perversa; se for instrumento de disputa sobre quem paga, pode inverter condições estruturais de reprodução da desigualdade. Portanto, fiscalizar com rigor significa também construir indicadores que deem voz aos que o orçamento tradicional silencia, definir metas que exigem fontes de financiamento progressivo e institucionalizar mecanismos de responsabilização política por resultados sociais — não só por saldo contábil. Aqui, a luta é dupla: pelo rigor dos números e pela política de quem os produz e para que fins são usados. Seguimos nessa tarefa, sem ingenuidade e sem trégua para a retórica que disfarça retrocessos.


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