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A dura resposta de Lula ao tarifaço de Trump

Em nota oficial, o governo chama o 15 de julho de marco lastimável, anuncia a Lei de Reciprocidade e a OMC, e acusa a família Bolsonaro: falsos patriotas movidos por objetivos eleitoreiros.

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Presidente Lula discursa em púlpito com gesto enfático
O presidente Lula em discurso em São Caetano do Sul, em 13 de julho de 2026. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo brasileiro divulgou na madrugada desta quinta-feira a sua resposta oficial ao tarifaço anunciado por Donald Trump, que impõe uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A nota, publicada também nas redes sociais do presidente Lula, é dura e direta: o dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável.

A resposta veio horas depois de o secretário de Estado americano, Marco Rubio, publicar uma mensagem agressiva contra o presidente Lula, culpando o Brasil pelo fracasso das negociações, uma postagem insultuosa que parecia redigida pelo próprio Flávio Bolsonaro. A nota brasileira desmonta, ponto por ponto, a narrativa de Washington.

O governo lembra que, segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos um superávit de 424,5 bilhões de dólares em bens e serviços com o Brasil. Em 2025, 76% das importações americanas entraram no país sem pagar imposto, com alíquota média efetiva de apenas 3,1%.

A nota rebate uma a uma as acusações da investigação americana. Chama de descabidas as alegações contra o Pix, que define como patrimônio do nosso povo, e de absurdas as acusações sobre desmatamento, lembrando que a partir de 2023 o Brasil reduziu drasticamente o desmatamento em todos os biomas.

Sobre a regulação das plataformas digitais, o texto não poupa os aliados de Trump no Vale do Silício. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas, diz a nota, acrescentando que a liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade.

O governo anuncia as respostas concretas: acionamento imediato da Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso, retomada do tema no mecanismo de solução de controvérsias da OMC e manutenção do Plano Brasil Soberano para proteger os setores afetados. A diversificação de mercados continuará, com os acordos do Mercosul com a União Europeia, a EFTA e Singapura.

Mas o trecho mais contundente é político. A nota afirma que o lamentável desfecho da investigação faz parte de um enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro, a quem chama de falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros.

E encerra com uma frase que resume o espírito da resposta: não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Leia a íntegra da nota, divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República:

“Nota à imprensa sobre a imposição de tarifas unilaterais contra o Brasil pelos Estados Unidos

O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável.

O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil.

Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.

O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais.

Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil.

Demonstramos que são descabidas as alegações contra o PIX e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento. O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros.

Nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço.

O governo do Brasil seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros. Continuaremos a diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados para nossos produtos, como fizemos ao firmar acordos do MERCOSUL com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura.

Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional.

O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros.

Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República”

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Comentários

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Kleiton

16/07/2026

Todos os paises normais foram aos EUA, negociaram , voltaram com um acordo e o assunto acabou…jà o ASNO da Republica além de nao fazer nada andou cutucando a onça nao com vara curta mas sem vara e o resultado està ai.

O Brasil é uma naçào de completos idiotas, de subdesenvolvidos e ignorantes cronicos.


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