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O agro que Flávio prometia defender em Washington agora o acusa de ter atrapalhado a própria missão

0 Comentários🗣️🔥 Setores do agronegócio brasileiro criticaram a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a recente comitiva aos Estados Unidos, avaliando que a ênfase em embates ideológicos e pautas de costumes prejudicou a defesa dos interesses comerciais do país no mercado americano. A informação foi publicada pelo jornal O Globo. Um recado direto: o […]

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Setores do agronegócio brasileiro criticaram a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a recente comitiva aos Estados Unidos, avaliando que a ênfase em embates ideológicos e pautas de costumes prejudicou a defesa dos interesses comerciais do país no mercado americano. A informação foi publicada pelo jornal O Globo.

Um recado direto: o agro queria pragmatismo, não militância

Segundo representantes do setor, o agronegócio historicamente busca manter pontes pragmáticas com grandes players globais, independentemente de alinhamentos partidários — e reagiu com ceticismo à agenda da comitiva liderada por Flávio. Para essas lideranças, o momento exigia foco objetivo em negociações tarifárias, abertura de novos mercados e consolidação de parcerias bilaterais de exportação. Em vez disso, a narrativa de confronto político adotada pelo grupo é vista como fator que reduziu a capacidade de Flávio de atuar como interlocutor viável junto a setores mais moderados e a democratas americanos — public que, em qualquer negociação comercial de longo prazo, também precisa ser cultivado, não apenas a ala mais alinhada ideologicamente à Casa Branca.

A ironia: Flávio havia prometido ao próprio agro que agiria contra as tarifas

O episódio ganha um contorno particularmente incômodo quando confrontado com o que o próprio senador vinha dizendo ao setor antes da viagem. Semanas antes, em evento na Feicorte, feira do agronegócio em Presidente Prudente (SP), ao lado do governador Tarcísio de Freitas, Flávio havia se comprometido publicamente a agir nos Estados Unidos contra a imposição de novas tarifas, chegando a criticar o governo Lula por, segundo ele, faltar “respeito” e “responsabilidade” com os produtores rurais. A viagem que se seguiu a essa promessa, porém, é justamente a que o próprio setor agora aponta como equivocada em sua execução — muito mais focada em disputa política doméstica do que na defesa técnica dos interesses comerciais que Flávio prometera representar.

Um padrão que já vinha se repetindo

Essa não é a primeira vez que a estratégia internacional do senador gera esse tipo de desconforto. Em CPAC realizado nos Estados Unidos em março, Flávio já havia feito um pedido controverso a uma das plateias mais influentes da direita americana: que Washington pressionasse instituições brasileiras às vésperas da eleição presidencial de outubro — episódio que analistas políticos já classificaram como convite explícito à interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. É essa mesma lógica de buscar apoio político externo, mais do que capital comercial, que volta a aparecer nas críticas do agro à comitiva mais recente.

O que está em jogo para o setor

A crítica do agronegócio importa porque esse é, tradicionalmente, um dos setores mais organizados e influentes da política brasileira — e um dos que mais sofre diretamente o impacto de qualquer barreira tarifária americana. Ver esse mesmo setor questionar publicamente, através da imprensa, a condução de uma missão que deveria representá-lo é um sinal de desgaste que vai além da disputa eleitoral: sugere que a aposta de Flávio em usar o discurso ideológico como principal moeda de negociação internacional pode estar custando justamente o apoio pragmático de setores que, historicamente, priorizam resultado econômico acima de alinhamento político — e que, cada vez mais, parecem avaliar que o senador entrega menos do segundo tipo de resultado do que o prometido.

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