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Senadores dos EUA apresentam projeto para punir compradores de petróleo russo

Texto bipartidário reunido por Blumenthal e Darline Graham prevê tarifas de até 100% sobre os cinco maiores importadores de óleo e gás da Rússia e sanções secundárias contra quem sustenta a guerra na Ucrânia

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Os senadores Richard Blumenthal, democrata de Connecticut, e Darline Graham, republicana da Carolina do Sul, apresentaram um projeto de lei com mais de 60 copatrocinadores para responsabilizar os grandes compradores de petróleo e gás russos pelo apoio à guerra da Rússia na Ucrânia. A iniciativa, batizada de Lindsey O. Graham Sanctioning Russia Act of 2026, prevê sanções primárias e secundárias contra a Rússia e contra atores que sustentam a agressão de Moscou. O anúncio foi feito em 16 de julho de 2026.

O texto homenageia o senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul, que morreu antes da apresentação do projeto. Segundo o comunicado divulgado pelos senadores, Graham se reuniu com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na semana anterior e fechou um acordo com a Casa Branca na sexta-feira que antecedeu sua morte. Blumenthal e Lindsey Graham haviam apresentado pela primeira vez, em abril de 2025, uma proposta para impor sanções primárias e secundárias à Rússia e a quem apoia sua ofensiva. O grupo passou o último ano construindo apoio no Congresso e na administração.

O que o projeto prevê

Segundo o comunicado, a legislação impõe sanções primárias e secundárias contra a Rússia e contra atores que sustentam a guerra na Ucrânia. As medidas miram autoridades russas, oligarcas e seus familiares, pessoas estrangeiras, bancos e instituições financeiras da Rússia, além da chamada frota-sombra russa, a rede de embarcações usada para transportar petróleo do país.

O ponto central do texto é tarifário. O projeto determina que o presidente imponha tarifas de até 100% sobre bens importados de países que compram a maior parte do petróleo e do gás russos e que ajudam Moscou a driblar sanções. A versão apresentada limita essas tarifas aos cinco maiores importadores de petróleo bruto e gás da Rússia.

Essa formulação é a que define o alcance concreto da medida. As tarifas não recaem sobre todos os compradores, mas sobre os cinco maiores. China e Índia estão entre os principais destinos do óleo russo, e o próprio texto atinge quem lidera essa lista, o que coloca os dois países na faixa exposta às tarifas de até 100%.

Uma escolha entre dois mercados

A lógica do projeto foi resumida pelo senador Jerry Moran, republicano do Kansas. Segundo ele, a mensagem para os parceiros comerciais de Moscou é direta.

Moran afirmou que é possível fazer negócios com a Rússia ou com os Estados Unidos, mas não com os dois ao mesmo tempo. A frase sintetiza o desenho da legislação. Ao ameaçar com tarifas os grandes compradores de energia russa, o Congresso americano tenta forçar governos a decidir entre manter o acesso ao mercado dos Estados Unidos e continuar financiando, ainda que de forma indireta, a economia de guerra russa.

Os senadores que assinam o projeto sustentam que essa pressão econômica atinge a principal fonte de receita da Rússia. Vários deles alegam que Moscou depende das exportações de petróleo e gás para sustentar suas operações militares e que cortar esse fluxo é o caminho mais rápido para forçar uma negociação. O comunicado oficial do Senado reúne essas declarações e o desenho da proposta.

A frota-sombra e o cerco financeiro

Além das tarifas, o projeto ataca a estrutura que permite à Rússia continuar vendendo energia apesar das sanções ocidentais já em vigor. A frota-sombra citada no texto é um alvo específico. A senadora Joni Ernst, republicana de Iowa, afirmou que a legislação fortalece o combate à rede de navios-tanque e seguradoras de fachada que mantêm o dinheiro do petróleo russo em circulação.

O componente financeiro também aparece na mira. As sanções previstas alcançam bancos e instituições financeiras russas, oligarcas e autoridades ligadas ao Kremlin. Vários copatrocinadores sustentam que a combinação de tarifas, sanções financeiras e ataque à frota-sombra fecha diferentes brechas que hoje permitem à Rússia manter suas receitas de energia.

Uma coalizão bipartidária ampla

O número de apoios chama atenção pelo perfil. Segundo o comunicado, mais de 60 senadores assinam o projeto, número expressivo numa casa de 100 membros. A lista reúne o líder da maioria, John Thune, republicano da Dakota do Sul, a democrata Jeanne Shaheen, de New Hampshire, e nomes de peso das duas bancadas, dos comitês de Relações Exteriores, Forças Armadas e do Judiciário.

Blumenthal declarou que a Ucrânia vive um momento decisivo e que o projeto seria historicamente relevante para deter a ofensiva russa. Ele afirmou que, na última conversa com Lindsey Graham, o colega ligou de Kiev com a notícia de que o presidente Donald Trump apoiaria a proposta para impor tarifas e sanções aos compradores de petróleo russo.

Darline Graham, que assume a bandeira do irmão no Senado, afirmou que aprovar a lei honraria o compromisso dele com a segurança nacional e daria a Trump mais uma alavanca para encerrar a guerra. Britt, republicana do Alabama, alegou que as sanções entregariam ao presidente uma ferramenta para pressionar Moscou rumo a uma paz duradoura.

O que ainda separa o projeto da lei

O texto apresentado por Blumenthal e Darline Graham é um projeto de lei. Para virar norma, precisa ser aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Representantes e depois sancionado pelo presidente. O comunicado não informa prazo de votação nem detalha o cronograma legislativo.

O que o documento estabelece é o desenho da pressão. Se aprovada, a lei obrigaria o presidente a impor tarifas de até 100% aos cinco maiores importadores de petróleo e gás russos, além de aplicar sanções financeiras contra bancos, autoridades e a frota-sombra do país. Para os governos que hoje absorvem a maior parte do óleo russo, a proposta desenha uma escolha entre reduzir essas compras ou enfrentar barreiras no acesso ao mercado dos Estados Unidos.

A amplitude do apoio no Senado indica que o tema atravessa a divisão partidária interna dos Estados Unidos num momento em que quase tudo o mais é disputado por linha de partido. O caminho até a sanção presidencial, porém, permanece em aberto.

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