O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), transformou a convenção do diretório paulista da federação União Progressista em um palanque de exaltação ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O evento, realizado nesta terça-feira (21), foi o primeiro encontro público de Tarcísio com o pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), desde o tarifaço imposto ao Brasil pelo governo de Donald Trump.
Em um discurso de doze minutos, Tarcísio dedicou quase todo o tempo a elogiar o ex-presidente, deixando Flávio em papel secundário.
Chamou Jair Bolsonaro de "cara muito humilde" e creditou a ele feitos como "criar o Pix" e "entregar o Brasil com superávit". Flávio, que estava ao lado do governador, foi tratado apenas como herdeiro do projeto: "Esse projeto hoje está sob sua liderança", disse Tarcísio, acrescentando que o presidenciável contará com o apoio de seu "exército".
No mesmo evento, o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) foi confirmado como candidato ao Senado pela chapa, ao lado de Tarcísio, que busca a reeleição, e do deputado estadual André do Prado (PL). Derrite, ex-secretário da Segurança Pública do estado, ocupa o quinto lugar nas intenções de voto para o Senado, segundo pesquisa Datafolha divulgada há duas semanas.
Flávio Bolsonaro, em sua fala, criticou o governo Lula, prometeu classificar facções criminosas como "narcoterroristas" e anunciou "o maior programa de mobilidade social da história" para favelas. Sua participação, porém, expôs o racha interno da federação: dirigentes nacionais do PP e do União Brasil articulam manter neutralidade na disputa presidencial.
A contradição ficou explícita nas declarações de Derrite antes do evento. "Aqui em São Paulo não tem neutralidade nenhuma. A Federação União Progressista é Flávio Bolsonaro", disse o deputado, conforme registrou a Folha de S.Paulo. A cúpula nacional dos partidos avalia adiar para 5 de agosto a convenção que oficializará as candidaturas, numa tentativa de ganhar tempo para decidir entre a neutralidade e o alinhamento a Flávio.
O recuo ocorre em meio a uma sequência de notícias negativas para o senador: a ligação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, as críticas da madrasta Michelle Bolsonaro e os efeitos do tarifaço americano, que Flávio endossou. O presidente do PP, Ciro Nogueira, e o do União Brasil, Antonio Rueda, são citados em investigações sobre o Banco Master, o que adiciona tensão ao cenário.
O PL oficializará a candidatura de Flávio no próximo sábado (25), em São Paulo. O Republicanos-SP fará sua convenção para a reeleição de Tarcísio em 1º de agosto. A direita paulista segue dependendo do nome de Jair Bolsonaro para tentar manter coesão, enquanto seus aliados nacionais hesitam em embarcar na candidatura do filho.


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