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novembro 2013

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Pizzolato e o mal entendido sobre Dantas e Gushiken

Escrito por , Postado em Conteúdo Livre

Com todo o respeito ao amigo Paulo Henrique Amorim, sempre a meu lado em tantas batalhas, e ao competente Sérgio Lirio, da Carta Capital, mas a matéria sobre Henrique Pizzolato é totalmente sem pé nem cabeça. Além de irresponsável, por lançar uma acusação contra uma pessoa sem base em nenhuma prova ou mesmo indício.

O artigo está neste post do Conversa Afiada, com alguns comentários do Paulo.

O subtítulo é, data venia, uma calúnia digna de Joaquim Barbosa:

O ex-diretor do Banco do Brasil recebeu do valerioduto para incriminar Luiz Gushiken.

É lamentável que toda a luta que estamos fazendo para que acusações sejam baseadas em provas, e não em ilações, seja de repente esquecida.

Segundo Pizzolato, o dinheiro que ele recebeu, exatamente R$ 327 mil reais e alguns centavos, era para a campanha do PT do Rio de Janeiro. Ele sempre sustentou essa versão.

Mais tarde, quando a investigação sobre o Banco Rural e Marcos Valério foi concluída, chegou-se a uma tabela com todos os valores enviados pelo Banco Rural aos diretórios do PT e de outras legendas, conforme o acordo entre Delúbio e Marcos Valério.

O próprio Marcos Valério, já com seus sigilos todos quebrados, apresentou uma tabela com os empréstimos que fez junto aos bancos Rural e BMG, para o PT, e a relação das pessoas que receberam os recursos destinados a pagar dívidas da campanha de 2002 e preparativos para a campanha de 2004. No total, foram R$ 55 milhões.

A DNA estava fazendo a campanha do PT em Petrópolis de 2004, para o grupo de Delúbio, e queria pegar a conta da campanha de Bittar no município do Rio – que acabou ficando com Nizan Guanaes.  Pizzolato alega que era muito comum receber sacolas com fitas de vídeo, amostras de santinhos, para entregar a alguém do partido. Naquele dia, recebeu mensagem para entregar urgente duas sacolas para o PT.

Este é o mensalão real, este é o caixa 2 que aconteceu entre 2002 e 2004, e que foi sempre admitido por Delúbio Soares e mais uma centena de depoentes.

 

Na tabela, consta o valor exato que foi enviado ao Rio de Janeiro.

Pode-se ver que está discriminado o valor exato que foi direcionado ao PT do Rio, via Henrique Pizzolato, o qual afirma que sequer abriu as sacolas.

Não vou afirmar peremptoriamente que Pizzolato está falando a verdade. Apenas estou apresentando o que existe nos autos, e apontando as circunstâncias; todos ajudam a consolidar a versão dele. Será que, neste mundo podre, é tão impossível acreditar no que uma pessoa vem afirmando há oito anos, sem que tenha havido nenhuma contradição, e com apoio de tantos documentos?

*

Confiram a data da entrega das sacolas para Pizzolato: 15 de janeiro de 2004. Pizzolato seria convocado para depor na CPI dos Correios mais de um ano depois, em agosto de 2005. Qual o sentido em dizer que Pizzolato recebeu propina do valerioduto em janeiro de 2004 para incriminar Gushiken em agosto de 2005? O mensalão sequer havia estourado em janeiro de 2004! Não tem sentido.

*

A informação de que Pizzolato “incriminou” Gushiken também é falsa. Na CPI dos Correios, sob o bombardeio torturante de deputados e senadores da oposição, arrancou-se de Pizzolato um comentário óbvio: ele prestava contas a Luiz Gushiken, então presidente da Secom. Era uma verdade. A Secom tinha comando sobre toda e qualquer publicidade dos órgãos federais.  Acontece que assim que Pizzolato afirmou isso, os parlamentares nem o deixaram complementar, passaram a bombardear ilações sobre a participação de Gushiken no suposto desvio dos recursos da Visanet, porque interessava a oposição pegar um peixe mais graúdo do que Pizzolato. Queriam chegar na Secom, e daí em Lula. Pizzolato foi encurralado num interrogatório de inquisição de CPI.

A entrevista de Pizzolato para Istoé não existiu: Pizzolato não a concedeu. A revista usou depoimentos de Pizzolato na CPI, descontextualizados, e jamais apresentou os áudios. Não podemos esquecer que era um momento de total loucura midiática, repleto de entrevistas que não eram dadas, acusações infundadas, traições e suspeitas de traições.

No dia seguinte, jornais e revistas (e o blog de Noblat) vinham com manchetes escandalosas, e mais ilações, sobre Gushiken. Mas Pizzolato não tinha, efetivamente, falado nada de desabonador sobre Gushiken. Gushiken, naquele momento de tensão máxima, em que o PT se fragmentava, perplexo, apavorado e confuso, entrou com um processo contra Pizzolato, para se blindar, e baseado numa entrevista que Pizzolato nunca deu.  Pizzolato consegue provar ao juiz que não deu a entrevista. A íntegra do processo pode ser vista aqui.

Outra frase sem sentido da reportagem de Sérgio Lírio:

“PS: Quando o governo costurou a patranha da BrOi, a fusão da BrT com a OI, operação que rendeu mais de 1 bilhão de reais a Dantas, Pizzolato mudou seu depoimento e retirou as acusações contra Gushiken.”

Relacionar as duas coisas é uma ilação absurda. O processo judicial entre Gushiken e Pizzolato termina com um acordo entre as partes em outubro de 2010. Pizzolato já era então um homem destruído pela mídia. Não havia nenhuma “acusação” ou “acusações” de Pizzolato contra Gushiken a serem “retiradas”, e sim um processo movido por Gushiken contra Pizzolato, que foi vencido por Pizzolato, e terminou em acordo.

*

Pizzolato e Gushiken sempre foram irmãos. Tinham uma relação fraternal, tanto que Gushiken morou dois anos no apartamento de Pizzolato em Brasília. Pizzolato jamais “incriminaria” Gushiken.

*

Sobre a relação entre Daniel Dantas e Pizzolato, a melhor pessoa para contar a história é Alexandre Teixeira, melhor amigo de Pizzolato. Assim que eu conversei com Paulo Henrique Amorim, e ele me falou sobre sua desconfiança de que Pizzolato tinha alguma relação com Dantas, eu decidi tirar isso a limpo com Teixeira. Vamos ouvir a sua versão.

Cafezinho: “Qual a relação entre Pizzolato e Daniel Dantas?”

Teixeira: “Completamente de conflito, total conflito. Nunca estiveram no mesmo campo de interesses. Muito pelo contrário. Pizzolato era diretor da Previ, eleito pelos funcionários, e era normal diretores da Previ assumirem cargos de representação de interesse do fundo, onde a Previ tinha participação… Pizzolato, num determinado momento, foi do Conselho da Brasil Telecom. No Conselho da Brasil Telecom, na primeira ou segunda reunião, ele recebeu previamente o material para analisar sobre o que seria decidido na reunião, e era referente aos fundos de pensão dos funcionários. E ele preparou um voto contrário ao que estava sendo encaminhado na votação, que era de interesse de Daniel Dantas. Portanto Pizzolato votou contra Daniel Dantas.

O pessoal que comandava o conselho eram todos ligados ao Daniel Dantas, e protestaram: ‘Não pode! A Previ não pode votar contra!’. E ele [Pizzolato] disse, ‘vou votar contra’. A reunião foi suspensa. No dia seguinte, Pizzolato foi destituído como representante da Previ na Brasil Telecom. E ele foi procurar saber porque e descobriu que havia um contrato de gaveta, sigiloso, da diretoria da Previ de então, que era toda do Fernando Henrique [isso aconteceu ainda no governo FHC], pelo qual Daniel Dantas, mesmo minoritário, tinha controle. Os fundos de pensão se submetiam a isso.

Não contente em destituir Pizzolato da Brasil Telecom, o Daniel Dantas processou Pizzolato. Abriu um processo judicial contra Pizzolato, processo este que durou por um bom tempo e que Pizzolato venceu há coisa de um ano.”

*

Por fim, respondo também a esta afirmação, meio bizarra, do meu amigo Paulo Henrique Amorim:

Sergio Lírio não se amedronta diante deles: Daniel, Dantas e os jornalistas do Pizzolato.

Acho louvável que Lírio seja tão corajoso a ponto de não se amedrontar por Daniel, Dantas, embora eu não saiba quem seja o Daniel antes da vírgula. Quanto aos “jornalistas do Pizzolato”, bem, acho que este epíteto poderia ser referir a mim, já que sou eu quem mais escrevo sobre o ex-diretor de marketing do BB. Pode-se dizer que eu sou também o “jornalista do Genoíno”, o “jornalista do Dirceu”. Pode-se até dizer que sou também o “jornalista de Merval Pereira”, já que o colunista da Globo tem sido um dos meus temas preferidos ao longo dos últimos anos.

Mas a verdade é que eu não sou jornalista, porque não trabalho em jornal. Sou blogueiro e responsável pelo blog O Cafezinho. Defendo ou combato quem me der na telha, segundo a minha consciência. Hoje defendo o governo do PT porque entendo que é o melhor que poderíamos ter. Se eu entender que o governo do PT é nocivo ao país, passarei a combatê-lo, democraticamente. Tenho orgulho da minha independência, que me deixa livre para bater no papa, no bispo, no governo e na globo.

Conheço Pizzolato há menos de um ano e, francamente, passei a escrever sobre ele por compaixão. Nunca havia conhecido um cara tão ferrado na vida. Linchado pela mídia, rechaçado pelo próprio partido, inclusive por causa de uma série de intrigas, dentro do sindicato, dentro do partido, algumas das quais eu prefiro nem falar, e por fofocas nonsense como essas propagadas pelo Sérgio Lírio. Pizzolato vendeu tudo que tinha para pagar os advogados nos primeiros anos do processo. Quando eu o conheci, não tinha mais dinheiro, mais carreira, mais esperança, mais nada. A única coisa que ele tinha era a sua esposa e os documentos que provam a sua inocência.

Não posso afirmar que Pizzolato é inocente, por exemplo, na questão do dinheiro que recebeu do Banco Rural. Ele afirma que o dinheiro era para o PT do Rio. E os documentos de Marcos Valério comprovam o fato. Eu conversei com ele várias vezes, e acredito em sua versão. Se não acreditasse, não o defenderia. Mas posso estar errado. Entretanto, para condená-lo, era preciso que houvesse um motivo para justificar o pagamento da suposta propina. Um ato de ofício. O caso Visanet é furada. Os recursos do Visanet foram devidamente usados em campanhas de publicidade. Todo mundo já sabe disso, há documentos. Só mesmo o STF não sabe, porque se curvou à mídia linchatória. E o caso aventado por Sérgio Lírio não tem pé nem cabeça, porque implicaria em pagar uma propina a Pizzolato por uma coisa que ele faria quase dois anos depois. E uma coisa que não se sabia que iria acontecer. A Receita Federal pesquisou 20 anos da vida fiscal e bancária de Pizzolato. Nunca achou nada. Então, os fatos todos convergem para a versão do próprio: que os recursos que recebeu do Banco Rural eram mesmo para o PT, e que ele é totalmente inocente das acusações de desvio dos recursos do Visanet, até porque os recursos não foram desviados.

Espero que os malentendidos tenham sido esclarecidos. Sérgio Lírio não tinha obrigação de conhecer as datas, mas acho que ele tem o dever de, ciente dos fatos, corrigi-los e dar-lhes a mesma publicidade que deu às falsas ilações, sob o risco de apresentar não um texto do competente Sérgio Lírio, mas apenas um lamentável de-Lírio.

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