A pusilanimidade da mídia no caso Eduardo Guimarães - O Cafezinho

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março 2017

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A pusilanimidade da mídia no caso Eduardo Guimarães

Escrito por , Postado em Fascismo, Lava-Jato, Mídia, Pedro Breier

(Ficou difícil aplaudir o autoritarismo dessa vez. Charge: Latuff)

Por Pedro Breier, colunista do Cafezinho

O sequestro, ordenado por Sérgio Moro, do blogueiro de esquerda Eduardo Guimarães, para prestar depoimento forçado, hoje pela manhã, seria a oportunidade perfeita para mais uma leva de manchetes garrafais na imprensa corporativa detonando a blogosfera progressista. Algo como “Blogueiro ligado ao PT é conduzido coercitivamente pela PF” já completaria a cota diária de sangue exigida pelos sedentos zumbis midiáticos.

Pois monitorei os sites do Globo, da Folha e do Estadão durante o dia e, até agora, nada de manchetes. Os blogs progressistas e as redes sociais ferviam desde cedo, e nada aparecia nos sites da velha mídia. Muitas horas depois do fato, a Folha foi a primeira a dar a notícia, com uma manchete pequena na parte de baixo do site. Agora o Estadão também apresenta uma matéria sobre o assunto. O Globo continua fingindo que nada aconteceu.

Por que esta postura? A resposta é simples: pusilanimidade.

Eduardo está sendo investigado porque divulgou um vazamento sobre a condução coercitiva de Lula, em março do ano passado. Como a mídia vai tripudiar em cima do blogueiro, se seu noticiário é quase totalmente pautado por vazamentos oriundos da PF e do MP? Ficaria escancarado demais o partidarismo explícito e absurdo de Moro e seus comparsas.

Vazamentos seletivos para a grande mídia ocorrem desde 2014, pautando a política nacional, e quando um modesto blogueiro de esquerda vaza alguma coisa a máquina judicial volta todo o seu autoritarismo fora da lei contra ele. Não há o mínimo pudor em disfarçar a perseguição ideológica, típica de ditaduras.

A postura de veículos de imprensa verdadeiramente democráticos seria, obviamente, condenar veementemente o desrespeito à Constituição, que protege o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional, não só o da profissão de jornalista (Moro alegou que Eduardo não é jornalista, mas o STF decidiu há anos que não é necessário diploma para exercer a profissão).

Claro que o monopólio midiático também não pode fazer isso. Alimentou o ego de um juiz que usa o autoritarismo como método, além de uma horda de zumbis que aplaudem qualquer porcaria vinda de Curitiba. Criticar a condução coercitiva de um blogueiro de esquerda certamente irritaria profundamente o público fascistoide cultivado pelos aprendizes de feiticeiro.

Ficamos assim, portanto.

A grande mídia não pode usar o sequestro de Eduardo Guimarães para detonar a esquerda porque ele é investigado por algo que a própria grande mídia pratica diuturnamente desde 2014 sem provocar rigorosamente nenhuma reação dos paladinos da moral da Lava Jato.

Também não pode defender a liberdade de imprensa porque será impiedosamente atacada pela horda de adoradores de Sérgio Moro que ela mesma criou.

Resta dar a notícia (ou nem dar) sem aprofundar muito, de forma envergonhada. Não sabem como lidar com o monstro que criaram.

A velha imprensa é pusilânime.

Pedro Breier

Pedro Breier é formado em direito e colunista do blog O Cafezinho. Nasceu no Rio Grande do Sul e mora em São Paulo.

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