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Marina Silva será a principal adversária de Dilma em 2014?

Por Miguel do Rosário

29 de janeiro de 2013 : 14h53

Marina com 35%, contra 39% de Dilma, segundo pesquisa

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Bem, tragédias não são para serem esquecidas, jamais. Mas a melhor maneira de ajudar o país a superar o trauma é virando a página e seguindo em frente. Além disso, a quem não pode ajudar, pede-se não atrapalhar. Ao trabalho, pois.

No domingo, a coluna do Ilimar Franco publicou uma pesquisa eleitoral encomendada pelo PV para 2014. Num dos cenários, há praticamente empate técnico entre Dilma e Marina Silva.

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Hoje vamos discutir a pesquisa já mencionada; comentar as eleições para o senado e a arriscada aposta do PMDB num nome como o de Renan Calheiros, tão queimado na opinião pública; outros assuntos.

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Na hipótese de que os números sejam minimamente confiáveis, analisemos o impacto que teriam sobre a disputa política. Gostaria de ouvir a opinião de vocês.

A pesquisa foi feita sob encomenda do PV, e beneficia Marina Silva, então a primeira suspeita, que é beneficiar o cliente, poderia ser descartada. O PV, em tese, não gostou dos números, embora também não se possa descartar uma tese meio conspiratória, de uma aliança oculta entre tucanos e verdes, aliados antigos em São Paulo e Minas.

Os números, contudo, também não são muito positivos para Aécio, visto que o mineiro fica bem atrás de Marina. Mas não tão ruins assim; o tucano não tem o recall de Marina, que participou da última eleição e obteve mais de 20 milhões de votos. Talvez os 10% de Gabeira sejam exagerados. Enfim, vamos fingir que acreditamos nela. Observações:

  1. Dilma só ganharia no primeiro turno se seu único rival forte for Aécio Neves.
  2. Marina Silva ficaria quase empatada com Dilma (39% a 35%) num cenário com Aécio e Eduardo Campos. Neste caso, a oposição poderia ganhar num segundo turno com uma aliança entre Marina e Aécio Neves.

Na pesquisa sobre confiabilidade, é interessante notar que o PSDB é o último colocado, atrás até do PMDB, embora isso seja explicável pela polaridade. Os petistas tendem, naturalmente, a marcar o PSDB como menos confiável. E vice-versa.

*

Os reservatórios encheram mais um pouco nos últimos dias. Os reservatórios do Sudeste estavam com 35.93% de volume útil, no último dia 28, contra 34,28% no dia 24.

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Um grupo de engenheiros elétricos, ligados a USP, à Eletrobrás, a ONG Ilumina, continua extremamente crítico à política energética do governo federal. Tenho acompanhado atentamente a manifestação dessas pessoas, respeitáveis, e justamente por causa delas tenho evitado, há tempos, qualquer oba oba em relação ao desconto na conta de luz. Por causa disso, também, tenho sido até meio paranóico no acompanhamento do nível dos reservatórios.

Algumas críticas me parecem pertinentes, como esta, que denuncia um certo lobby “fóssil” por trás da prioridade a termoelétricas ao invés de mais eólicas.

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Chamo a atenção para essa entrevista do Gilberto Carvalho à Carta Capital, onde aborda o problema da comunicação do governo. É interessante notar que, de maneira geral, um processo de tomada de consciência sobre o problema da concentração de mídia vem ganhando força nos últimos anos, amadurecendo.

A grande mídia, por sua vez, não apenas bloqueia qualquer debate – ela só abre espaço às opiniões que chancelam as suas, como foi o caso do artigo de Roberto Romano, publicado ontem no Estadão, atacando as iniciativas populares em prol de um novo marco regulatório para a mídia nacional. Romano compara essas iniciativas, que visam ampliar a liberdade, e dar mais pluralidade à opinião pública, às políticas tomadas pelo temível cardeal Richelieu, na França do século XVII.

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No front parlamentar, o assunto mais importante do momento é a discussão em torno do timing do procurador geral da república, Roberto Gurgel, de veicular, às vésperas da eleição para presidência do Senado, uma denúncia antiga contra Renan Calheiros. Há suspeita, em vista da atuação extremamente partidarizada e passional de Gurgel durante o processo do mensalão, de um movimento similar. Novamente, mídia e PGR se aliam, com Gurgel alimentando o noticiário com frases bombásticas, cada uma das quais, independente do resultado do processo em curso, já representam um golpe no adversário. É curioso, de fato, que Gurgel tenha sentado, durante dois anos, sobre as investigações da Polícia Federal sobre Demóstenes Torres e Cachoeira, dando tempo para que a quadrilha elegesse dezenas de parlamentares e prefeitos; que se mantenha inerte sobre as acusações contidas no livro Privataria Tucana; e que de repente se erga, tão altivo, para atacar Renan Calheiros por causa de notas fiscais supostamente frias referente à venda de gado.

Por outro lado, o lançamento do nome de Renan Calheiro foi, de fato, um lance de intrepidez de eficácia duvidosa. A mídia derrubou Renan após um longo processo de fritura, e, independente de sua culpabilidade ou não, ele ainda tem sua imagem bastante chamuscada; e não, como Lula, apenas entre setores restritos da elite. A mídia, por sua vez, considera a candidatura de Renan, uma afronta pessoal a seu poder.  Antes mesmo de assumir, a própria candidatura já está provocando uma crise. O senador e presidenciável Aécio Neves (PSDB) parece ter despertado para a oportunidade de capitalizar politicamente em cima da polêmica, e já começou a se movimentar. Ao lançar Renan, o PMDB, e também o governo, por ter cedido, deram um tiro no pé. O PSDB disse estudar o apoio a Pedro Tacques, do PDT, o qual analisa uma fusão com a candidatura de Randolfo Rodrigues. Lembrem-se que uma pessoa errada na presidência do Senado poderia desestabilizar a república, e até mesmo comprometer a reeleição de Dilma Rousseff.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Filipe

30 de janeiro de 2013 às 20h54

Não acredito nessa pesquisa, o desempenho dos candidatos apoiados pela Marina em 2012 foi fraco.

Marina não tem estrutura partidária e não conseguirá muitos apoios

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Jueli Cardoso

30 de janeiro de 2013 às 12h10

Miguel, infelizmente acho que vc derrapou nesta análise. Mesmo porque devemos desconfiar sempre de pesquisas no Brasil e ainda mais de pesquisas nacionais feitas por telefone. Assim, esse tipo de pesquisa não mereceria nem mesmo uma análise pois não tem fundamento.

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Jeiza Magalhaes

29 de janeiro de 2013 às 15h38

Não duvido. Marina terá apoio da grande mídia e da oposição. Ela mesmo vai fechar com a oposição, talvez ainda no primeiro turno. Só que ela tem pontos fracos, reacionários, como não aprovar célular tronco. Isso deveria ser mais explorado.

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Andre M.

29 de janeiro de 2013 às 15h37

É ruim! Marina não tem estrutura partidária, nem apoios, nem nada!

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