Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

Esclarecendo o problema da Voz do Brasil

Por Miguel do Rosário

24 de abril de 2013 : 22h29

No post anterior, mencionei rapidamente o risco de esvaziamento da Voz do Brasil. Acabo de ler o artigo de Chico Sant’Anna e Beto Almeida, publicado hoje no Observatório da Imprensa e cumpre fazer alguns esclarecimentos e se aprofundar no debate. Eles – e não a equipe do Requião – são os idealizadores do projeto de lei que “tomba” o programa audiofônico. Eles e uma dúzia de importantes movimentos sociais e sindicais, regionais e nacionais. Segundo os dois idealizadores, em artigo recente para o Observatório da Imprensa, “a proposta foi abraçada pela senadora Marinor Brito (PSOL-PA), que já a apresentou na forma de projeto de lei. Este conta com apoio pluripartidário, dentre outros, do senador Roberto Requião (PMDB-PR) e da senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM)”.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) continua sendo um personagem fundamental, porque é dele a iniciativa de pedir vistas e barrar o processo que jogaria o projeto de “tombamento” no lixo do Senado.

O projeto originário não “acaba” com a Voz do Brasil. Ele flexibiliza seu horário para até 22 horas. Aí que está o problema. Os principais ouvintes da Voz do Brasil estão no interior do país, onde a escassez de jornalismo é um profundo vácuo. Tanto que um dos movimentos mais importantes que apóiam o projeto de “tombar” a Voz do Brasil e mantê-la no horário atual é a Contag, a Confederação de Trabalhadores na Agricultura, uma instituição extremamente capilarizada no interior através dos sindicatos rurais.

O brasileiro do interior, sobretudo nas áreas de agricultura – única atividade econômica em vastas extensões de nosso país – dorme cedo. Estender o horário da Voz do Brasil para depois das 20 horas eliminará o ouvinte que mais precisa dela.

Não sou sectário quanto ao horário da Voz do Brasil. A lei poderia flexibilizar o horário para algumas rádios em centros urbanos e manter o horário original nas regiões agrícolas. Entretanto, a questão é outra. O movimento “Em Brasília 19 Horas” detectou, nas rádios brasileiras, uma quantidade ridícula de profissionais de imprensa contratados. Ou seja, há quantidade insuficiente – e declinante – de jornalismo no rádio em todo Brasil, não apenas no campo. Por isso, a Voz do Brasil cumpre uma função pública importante também nas periferias urbanas, onde a maioria também dorme cedo. Nesse contexto, é interesse estratégico, pelo bem da informação, manter a Voz do Brasil em horário nobre no campo E na cidade.

O que poderia haver é, sim, uma lei para aprimorar e melhorar a Voz do Brasil, torná-la mais dinâmica, mais atraente, sem vulgarizá-la. Na minha humilde opinião blogueira, deveria haver aumento de recursos para a Voz do Brasil e redução para as rádios privadas, sobretudo as grandes. O Brasil precisa privatizar a mídia privada para sobrar recursos para investir na mídia pública. As milhares de pequenas rádios que distribuem a Voz do Brasil, no campo e nas periferias, serão beneficiadas.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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3 comentários

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Messias Franca de Macedo

27 de abril de 2013 às 21h27

… AINDA SOBRE ‘AS VOZES DO BRASIL’!…

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JORNALISTAS ESPECIALISTAS EM PROFECIAS & OUTRAS SANDICES!

A âncora do programa *‘Fatos & Distorções’, a Cristiana Lôbo [de Raiva!] profetizou, a quase dois anos do pleito eleitoral: “Haverá segundo turno na eleição presidencial de 2014! Falta, apenas, a definição do nome do adversário da atual presidente!” A quantidade colossal de [supostos!] candidatos faria, segundo a jornalista amiga dos patrões Marinho, “embaralhar o jogo, tornando imperiosa a disputa eleitoral em dois turnos!” Como se vê – mais uma vez – ” as(os) cheirosas(os)” ‘esquecem de combinar com o povo!’…
*originalmente, ‘Fatos e Versões’, ‘grobonews’!

… Não bastasse, ‘um dos convidados a dedo’, o jornalista **Valdo Cruz professorou: “na próxima reunião do COPOM, a taxa básica de juros Selic poderá ter um incremento da ordem de 0,5% [ou mais!]!…”
De novo, a âncora; “É verdade, Valdo, a última elevação da taxa Selic foi um ‘remédio muito fraquinho’!”
**jornalista Valdo Cruz “da Folha da ‘ditabranda dos Frias’!” (sic)

O MOMENTO MENOS RUIM do convescote de Higienópolis do FHC! (idem sic): a jornalista Roseann Kennedy “não se deu conta, e tascou ‘um cafezinho [quente! Risos] na cabeleira da Cristiana’: “[Sobre a discussão da PEC que restringiria a criação de novos partidos políticos] Após muito se acusar o PT pelo casuísmo do encaminhamento, ficou-se sabendo que o responsável pela relatoria do referido projeto de lei é um deputado tucano. E, aí, a cúpula do PSDB ‘chamou o parlamentar do próprio partido às falas’, recomendando que projetos de tal magnitude devem ser apreciados inicialmente pelo partido, para somente em seguida ser colocado em discussão no Congresso Nacional.”

… “SEU MENINO, SUA MENINA”, ‘o close’ da câmera registrou uma âncora prostrada numa face esverdeada reveladora do, digamos, ‘tucanismo militante’, lembrando o Odorico Paraguaçu, ‘bom político aquele’!…

RESCALDO: lá isso é oposição, sô?!…

CÂMBIO: de alguma Central Telefônica de algum manicômio/hospício/sanatório qualquer!…

… E, depois, ‘nois’ somos os loucos!…

República de ‘Nois’ Tomates – perdão, ato falho -, de ‘Nois’ Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Fernando Simas

25 de abril de 2013 às 12h24

Miguel,
Somente agora descobri seu blog. Antes lia seus artigos via Luis Nassif ou no Azenha e no
Rodrigo Vianna.
Concordo que a VOZ do BRASIL e extremamente importante para a população desse imenso universo que é o interior do Brasil.
Acredito tambem que as pequenas rádios que transmitem notícias de sua respectivas micro-regiões deveriam ser melhor qualificadas e prestigiadas pelas verbas de comunicação governamental. Dessa forma conseguiríamos, ao fortalece-las, democratizar e distribuir melhor essas verbas, bem como contribuir, informando melhor, para uma evolução de
consciência da população brasileira.
Abraços

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Adir Tavares

25 de abril de 2013 às 10h15

Eu ouço a Voz do Brasil.

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