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O ataque banguela do Globo à Abreu Lima

Por Miguel do Rosário

25 de junho de 2014 : 15h03

Agora a Globo cometeu um erro grosseiro. Insinuar que houve superfaturamento na construção da refinaria, tudo bem. É muito difícil, infelizmente, um projeto tão grande como o da Abreu Lima, não tem algum problema, embora o TCU até agora não tenha encontrado nada.

A Globo apenas repete que “há suspeitas” de superfaturamento.

Entretanto, a linha adotada pelo jornal em matéria publicada na segunda-feira passou a ser que a Petrobrás “sabia que o projeto era inviável”. E apresenta um documento de algum burocrata de contabilidade como prova.

Ora,  num país que vem fazendo as maiores descobertas de petróleo dos últimos tempos, que tem uma população de 201 milhões de pessoas, e importa dezenas de bilhões de dólares em produtos refinados de petróleo, dizer que a Abreu Lima é “projeto econômico inviável” é fazer pouco da inteligência alheia.

Desde os primórdios da estatal, a Globo age com a Petrobrás como Lacerda agia em relação à posse de Jango:  não podia ser fundada porque o Brasil não tinha petróleo; se descobrisse petróleo não havia razão de fundá-la porque era melhor entregar a exploração para estrangeiros; depois que foi fundada e passou a explorar, não pode ter monopólio; com a lei do monopólio, não podia crescer; o pré-sal era mentira, não existia; se existisse não poderia ser explorado; agora que está provado que existe e que pode ser explorado, a nova campanha é que não pode ser refinado no Brasil, porque é “inviável economicamente”.

É ao contrário.

Abreu Lima será um dos motores principais do processo da reindustrialização brasileira, juntamente com a entrada em operação das novas hidrelétricas, das outras refinarias, e da transposição do São Francisco.

Agora só espero que Graça Foster não esqueça a importância de construir uma comunicação da Petrobrás que faça jus à sua grandeza e à sua importância para o povo brasileiro, e que não concentre toda a sua verba nas empresas de mídia que sempre quiseram lhe destruir e que fazem campanha sistemática contra a estatal.

*

Abaixo, a resposta da Petrobrás à matéria do Globo.

Viabilidade econômica de Abreu e Lima: carta ao Globo
25.Jun.2014

Com relação à matéria “Estatal já sabia que projeto era inviável” (23/6) a Petrobras reafirma que a refinaria Abreu e Lima é um importante empreendimento para a empresa, não apenas viável economicamente, mas fundamental para atender à crescente demanda nacional de derivados. A Abreu e Lima (Rnest) deve ser avaliada em uma perspectiva mais ampla, que considere sua posição no parque de refino nacional. Importante ressaltar que o retorno financeiro é gerado pelo conjunto de refinarias em operação, e não por unidade, isoladamente. Sua incorporação ao parque de refino trará vantagens operacionais e logísticas, incremento do resultado operacional, além de contribuir para a garantia de suprimento de derivados, viabilizando o atendimento da demanda das regiões Norte e Nordeste com significativa redução de importações. A Rnest processará 230 mil barris diários e será a unidade de refino com maior taxa de conversão de petróleo em diesel (70%), produto essencial para a circulação de produtos e riquezas.

Desde 2006, com a descoberta do pré-sal, o crescimento econômico do país e o consequente aumento da demanda por derivados, a estratégia de refino da Petrobras passou a indicar a construção de novas refinarias no Brasil, bem como a modernização das refinarias existentes e a ampliação da capacidade de refino. Além da Rnest, estão em andamento as obras do Comperj, no Rio de Janeiro, e das Premium I e II, no Maranhão e Ceará. A estratégia permitirá à Petrobras atender a forte demanda do mercado interno com derivados refinados no Brasil, reduzindo custos com importações e mitigando exposição a riscos de variação cambial e volatilidade dos preços internacionais de derivados.

Por fim, a Petrobras informa que auditoria da Pricewaterhouse realizada em 2013, avaliou o parque de refino da companhia e demonstrou que não houve qualquer baixa contábil na Abreu e Lima.

banguela

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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Diogo V

27 de junho de 2014 às 14h41

É bom dar uma gratificação a Petrobras, que neste caso de Abreu e Lima já vem rebatendo as acusações da mídia.

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Teo Ponciano

25 de junho de 2014 às 21h05

O que incomoda bastante a globo é o fato da refinaria se localizar em Pernambuco e não no sudeste. Isto incomoda muita gente hoje, imagina quando começar a produzir.
(Nota: sou paulistano).

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Rene Lopes

25 de junho de 2014 às 21h42

Enquanto jornalismo de quinta não gerar prisões ou processos milionários como nos EUA ou Inglaterra nada muda.

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Rubem Gonzalez

25 de junho de 2014 às 20h03

TODAS AS OBRAS NA PETROBRAS NA ÉPOCA DO FHC SOFRIAM ADITIVOS ACIMA DO PERMITIDO PELA 8666/93 INCLUSIVE A HISTORIA DO AVAL FRAUDULENTO E ILEGAL DA PETROBRAS A MARITIMA NA ADAPTAÇÃO DA PETROBRAS-36 , CADÊ O PT QUE NÃO ESCANCARA ISSO? EU ERA GERENTE, FISCAL E SUPERVISOR NESSA ÉPOCA NA EMPRESA.

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Vitor

25 de junho de 2014 às 16h20

Abreu a Lima parece ser ótima!
Os problemas, como normalmente ocorre em empresas públicas, foram as obscuridades desde sua concepção.
Desde a parceria fracassada com a Venezuela, passando pelo estouro de umas 8 vezes do orçamento inicial, o envolvimento do pra lá de enrolado Roberto Costa, os atrasos na obra e as diferenças em relação ao preço médio de uma refinaria…

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    Miguel do Rosário

    26 de junho de 2014 às 01h37

    não houve esse “estouro” de 8 vezes.

    o preço inicial era 13 bilhões. ficou em 18 bilhões.

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