Live com Miguel do Rosário (convidado especial: Luiz Moreira)

Uma análise do Datafolha

Por Miguel do Rosário

18 de julho de 2014 : 17h55

Aproveitando que o Datafolha publicou a íntegra do relatório de sua pesquisa para presidente da república, arrisco uma análise de alguns gráficos.

Comecemos pela espontânea. Para quem não se lembra, pesquisa espontânea é aquela em que o entrevistador pede ao eleitor para falar quem é seu candidato, sem lhe apontar nenhum nome.

Neste quesito, Dilma ganharia, de longe, no primeiro turno, porque os seus 22% são bem maiores que os 11% de Aécio e Campos. Os nanicos desaparecem na espontânea.

Até Lula aparece apenas com 1%, e não o incluí, por razões óbvias, no somatório da oposição.

O 1% de Lula mostra que o eleitor está bem informado quanto ao fato do ex-presidente não ser  candidato este ano.

Continuo depois do gráfico.

dilma_datafolha


 

Há uma diferença grande de gênero, tanto para Dilma quanto para Aécio. Ambos são mais fortes entre os homens. Pelo que apurei, e confirmei, em pesquisas e eleições anteriores, a tendência é de um voto equilibrado entre homens e mulheres. E a tendência é apontada pelos homens, não porque as mulheres sejam influenciadas (até são, mas não é disso que estou falando) pelo voto masculino, mas porque a tendência é o voto se organizar, mais ou menos, pela classe social, pelo padrão de vida e pela região onde vive o eleitor. E, nesse quesito, a quantidade de homens e mulheres é a mesma.

Esse cálculo beneficia Dilma, porque ela tem 27% dos votos espontâneos masculinos. Aécio tem 12%, Campos, 3%.

Marina nem sequer pontua na pesquisa espontânea, o que põe em questão se a sua figura é eleitoralmente tão importante quanto se dizia há algum tempo.

Dilma tem bastante força num eleitorado tradicionalmente conservador e de ideias firmes: os cidadãos com mais de 60 anos. É um eleitorado difícil de conquistar, mas depois que se conquista, ele apresenta bastante fidelidade. Neste segmento, Dilma faz sua melhor pontuação espontânea: 26%.

Interessante notar ainda que o problema principal de Dilma está localizado nas famílias com renda mensal entre 5 e 10 salários; neste segmento, ela marcou apenas 16 pontos, contra 18 de Aécio Neves. Quando se sobe a faixa de renda, contudo, para famílias com renda superior a 10 salários, a petista registra 25 pontos, sua melhor marca espontânea, contra 26 de Aécio.

ScreenHunter_4251 Jul. 18 16.31


Agora, vamos analisar as respostas estimuladas, quando o pesquisador apresenta os nomes dos candidatos.

Primeiramente, vejamos por região. Eu simplifiquei as tabelas  do Datafolha.

Confira essa, abaixo, do voto em Dilma por região. Observe que Dilma se manteve estável no Sudeste (28%), cresceu 3 pontos no Sul, cresceu 2 pontos no Norte, mas perdeu 6 pontos (!) no Nordeste, e mais 3 pontos no Centro-Oeste.

data


Agora vejamos a tabela por gênero. Observe que Dilma tem se mantido estável junto ao eleitorado masculino. Até ganhou um pontinho na última pesquisa. Isso é positivo, porque, conforme disse acima, aponta uma tendência geral.

Aécio, por sua vez, perdeu 1 ponto junto ao eleitorado masculino, caindo de 24 para 23 pontos, e se manteve estagnado em 17 pontos junto às mulheres.

Campos tem perdido terreno. Tinha 11 pontos entre os homens, no início de julho, e agora tem 9. Entre as mulheres, o declínio do pernambucano tem sido ainda maior: saiu de 10 pontos em maio, caiu para 6 pontos em junho, ganhou dois pontinhos no início de julho, e agora tem apenas 7 pontos.

Todos os dados sinalizam para uma eleição polarizada. Campos dançou.

generos


Outra tabela interessante é a que segmenta os votos por escolaridade. Dilma conseguiu interromper a clivagem classista crescente e voltou a subir entre os mais escolarizados.

Em abril, ela tinha apenas 22 pontos entre os eleitores com ensino superior; agora tem 27, e ganhou 2 pontos nas duas últimas semanas. Aécio e Campos perderam pontos do início de julho para hoje: o tucano perdeu 4 pontos, o socialista, 2 pontos.

escolaridade


Aécio Neves conseguiu a proeza de perder 4 pontos junto a seu eleitorado mais forte: as famílias com renda superior a 10 salários. No início de julho, ele tinha 39%, agora tem 35%. Campos também perdeu nesse segmento: saiu de 13 para 10 pontos. Com isso, os votos somados de Aécio e Campos, junto aos mais ricos, somam 45 pontos, contra 28% de Dilma. Uma diferença de 17 pontos. Há duas semanas, os dois tinham 52 pontos, contra 30 de Dilma. Diferença de 22 pontos.

renda


Pra finalizar, um gráfico curioso.

O marketing de Eduardo Campos, pelo jeito, fracassou miseravelmente numa coisa básica: torná-lo mais conhecido. Ao privilegiar apenas os ambientes “vip”, ele ficou ainda mais desconhecido do que era anteriormente.

ScreenHunter_4262 Jul. 18 17.41


Abaixo, a íntegra do relatório.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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14 comentários

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Ibfae

21 de julho de 2014 às 15h51

Dilma não fez campanha? Em que país vc vive? Ela faz camapanha a quase 1 ano! Os opositores é que começaram a 1 mês. Essa eleição tá muito fácil p o PT! Basta:
1. Parar de defender publicamente os mensaleiros. Não dá para defender o indefensável!;
2. Parar com essa mania de controlar preços. Não se meche com o mercado impunemente;
3. Se afastar da escória mundial e fazer negócios com quem é mais rico do que a gente.
E tenho dito!

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    Miguel do Rosário

    21 de julho de 2014 às 16h02

    Claro não que se “meche” com o mercado. Mexer é com x.

    E se faz negócio com qualquer um, que bobagem é essa. Os ricos só compra produtos básicos. Os pobres compram nossas máquinas.

    Responder

      Ibfae

      21 de julho de 2014 às 21h21

      Ok! Mexer é com x, mas é “compram” e não compra! Eu não me expressei corretamente. Devemos fazer negócios com qualquer um mas preferenciar os países ricos que compram mais e tem risco de calote menor (a ver nosso vizinho).

      Responder

Luiz Pino Orozimbo Gomes

19 de julho de 2014 às 15h03

Essa declaração de bens é de doer. Acho que o TSE acredita em coelhinho da páscoa. kkkkkkkkkkk

Responder

Luiz Pino Orozimbo Gomes

19 de julho de 2014 às 15h03

Essa declaração de bens é de doer. Acho que o TSE acredita em coelhinho da páscoa. kkkkkkkkkkk

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JNeto

19 de julho de 2014 às 07h40

Há uma ilusão tão grande(ou fingem) que ainda podem ganhar da Dilma com esta falta de proposta que dá vontade de rir demais dessa “oposição”.

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aelio dos santos filho

19 de julho de 2014 às 07h33

Na eleição de primeiro turno de 2010 (TSE), os 7 partidos nanicos somados, incluindo o PSOL, obtiveram 1.170.077 votos, ou seja, 1,15%. Como é que agora em 2014, cinco desses candidatos têm 1% cada um? Estranho, não é?

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Thião Cabeleireiros

18 de julho de 2014 às 23h01

Estou com Dilma Aecio tem os viaduto cuindo em BH as Raduos da da irma pra desviar verbas publicas

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Jorge Couto E Silva

18 de julho de 2014 às 23h01

Acho que a tendência é Dilma cair e muito no sul, sudeste e centro oeste.

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Geuesle Gomes da Mata

18 de julho de 2014 às 22h44

Apoio a Dilma, senão Eduardo, olha só a “gatimunha” q o Aécio ta fazendo, isso ñ é postura q de quem quer ser presidente, só acho

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Luciano Klinski

18 de julho de 2014 às 22h35

Esta pesquisa está totalmente furada, eles apontam que no 2 turno , todos os eleitores do Eduardo, do Pastor , vão ser transferidos para o áecio , isso é logico que é impossível.

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Marcelo Peralta

18 de julho de 2014 às 21h27

Pelo que noto, o eleitor que ganha entre 5 e 10 salários é, sem dúvida, o mais influenciável por propagandas.

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