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Zelotes vai analisar 230 mil emails!

Por Miguel do Rosário

21 de abril de 2015 : 13h20

operação-zelotes (1)


 

A mídia vai ter trabalho para esconder a Zelotes e mostrar somente o espetáculo da Lava Jato.

A “República do Paraná”, ou seja, o grupo de procuradores e policiais com base no Paraná responsáveis pelas investigações da operação Lava Jato, vem usando toda a semiótica que aprenderam no julgamento do mensalão para se manterem sob os holofotes da grande mídia.

A divisão em etapas foi a principal jogada. Com isso, a Lava Jato pode continuar infinitamente. Ao invés de focarem numa coisa, vão pulando de um tema para outro, com vistas a prorrogarem indefinidamente a operação e produzirem condenações antes políticas e midiáticas do que propriamente jurídicas.

Por exemplo, as imagens do tesoureiro do PT, um senhorzinho inofensivo, algemado, ladeado por brutamontes segurando armas pesadas, entrou para a história mundial do ridículo.

Obviamente, aquilo visava a condenação midiática, que é a pior de todas, porque para ela não existe recurso ou defesa, sobretudo no Brasil, onde a mídia é controlada pela família Marinho, a família mais rica do país, cuja fortuna nasceu do suporte que deu à ditadura militar.

Mas vamos à Zelotes, uma operação que investiga desvios muito superiores à Lava Jato, e que não está sendo conduzida com vazamentos seletivos e truculência judicial.

Aliás, nosso Judiciário é bipolar: oito ou oitenta.  Numa operação, extrapola todos os limites. Em outra, impõe limites excessivos.

Repare-se a diferença entre Lava Jato e Zelotes.

Segundo o próprio MPF, dos 205 pedidos de habeas corpus pedidos por réus da Lava Jato, apenas 2 foram concedidos (um deles posteriormente cassado, se não me engano).

O STJ está sendo cúmplice de Sergio Moro, em função desta aliança entre grande mídia e judiciário que foi construída ao longo dos anos, com a criação do Instituto Innovare, da Globo.

É uma aliança espúria entre empresas sonegadoras e golpistas e um Judiciário patrimonalista, corporativista, reacionário.

Já na Zelotes, que não é midiática, apesar de envolver valores imensamente maiores, o Judiciário não acatou, até o momento, nenhum pedido de prisão preventiva do Ministério Público.

Nem por uma mísera prisãozinha por 24 horas, apenas para os policiais terem tempo de revistar a casa do sujeito. Nada!

Na Lava Jato: prisões que de provisórias não tem nada, visto que já duram quase um ano; e sem habeas corpus para ninguém.

Na Zelotes, zero!

E a mídia, caladinha!

Até o momento, ainda não vi a mídia dar nenhum destaque à sonegação de R$ 502 bilhões ocorrida em 2014, segundo estimativa do Sinprofaz. Cabe umas 200 Lava Jato nessa sonegação.

*

Saiu no Brasil Post.

Com rombo três vezes maior que o da Lava Jato, Operação Zelotes vai analisar 230 mil e-mails

Estadão Conteúdo
Publicado: 21/04/2015 12:28

A força-tarefa que atua na Operação Zelotes deverá analisar 230 mil e-mails e 2.300 horas de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. O trabalho visa desvendar o suposto esquema de corrupção no Conselho de Recursos Administrativos Fiscais (Carf), órgão que funciona como uma espécie de “Tribunal da Receita”.

Os números foram mencionados pelo procurador da República que coordena as investigações, Frederico Paiva, ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF). Ao apresentar os dados, Paiva submeteu ao conselho um pedido de afastamento por 60 dias de um cargo que ocupa no 6.º Ofício de Combate à Corrupção, sob a justificativa do volume de trabalho acumulado com a operação.

A solicitação do procurador foi aprovada pelos membros do Conselho, presidido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na manhã de segunda-feira (20). De acordo com Paiva, a análise do material é referente a 43 investigados.

No início do mês, o Conselho Superior do Ministério Público aprovou a criação de uma força-tarefa para cuidar exclusivamente da Operação Zelotes. Paiva é o coordenador do grupo, que conta com mais três procuradores da República. Além do coordenador, compõem a força-tarefa os procuradores José Alfredo de Paula Silva e Raquel Branquinho, os dois da Procuradoria Regional da República da 1.ª Região, e Rodrigo Leite Prado, da Procuradoria da República em Minas Gerais.

Investigações

A Operação Zelotes, deflagrada em 26 de março, investiga 74 processos que somariam R$ 19 bilhões em fraudes contra o fisco. Segundo a PF, foram constatados prejuízos de, pelo menos, R$ 6 bilhões aos cofres públicos – valor três vezes maior do que o desviado da Petrobras por meio do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato (R$ 2,1 bilhões). O Carf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda, é responsável por julgar processos relacionados a autuações fiscais da Receita Federal.

As ações do Carf foram suspensas logo após a operação ter sido deflagrada pela PF e a previsão é de que atividades do Conselho sejam retomadas em breve. Para isso, o governo vai abrir consulta pública com propostas de mudanças na estrutura e no funcionamento do órgão, o que deve ter início na próxima quinta-feira (23), de acordo com o Ministério da Fazenda.

Figuram entre os investigados na Operação bancos, grandes empresas e montadoras. A suspeita é de que essas companhias se livraram do pagamento de dívidas com o Fisco mediante repasse de suborno a integrantes do Conselho.

Entre os investigados estão os bancos Bradesco, Santander, Safra, Pactual e Bank Boston, as montadoras Ford e Mitsubishi, além da gigante da alimentação BR Foods. Na relação das empresas listadas na Operação Zelotes também constam Petrobras, Camargo Corrêa, RBS (afiliada da Rede Globo) e a Light, distribuidora de energia do Rio.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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13 comentários

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italo

27 de abril de 2015 às 13h54

Se envolve a globo, não vai ter muita informação. Analisar 230 mil e-mails e 2300 horas de grampo deve levar uns 15 anos para o assunto chegar no STF, dá tempo do Aécio indicar uns 10 Ministros.

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Nilda

22 de abril de 2015 às 20h22

A Cia e o Mossad estão utilizando a imprensa para destruir reputações de Brasileiros honestos que têm amor à Nação. Edinho, capriche! Ajude a Presidenta Dilma na comunicação com o eleitor.

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Edmilson Blohem

22 de abril de 2015 às 19h59

Todos os crimes e todas as condutas contrárias a ordem jurídica devem ser investigados, julgados e sancionados, exemplarmente. A sonegação é irmã siamesa da corrupção. Ao sonegar tributos o infrator sabe que lá na frente haverá de aparecer uma oportunidade de saída fácil da situação que está se metendo. SEMPRE foi assim. A IMPUNIDADE CERTA, sempre contou com a corrupção de políticos, dispostos a exercer sua influência. Sempre contou com a lentidão e ineficiência de um judiciário que fechos seus olhos às suas próprias mazelas – “onde sempre se pode comprar as facilidades”. E é claro, sempre se espera que um servidor público corrupto, em troca de alguns milhões, possa dar um jeitinho que venha a favorecer o infrator, que pode “pagar bem”. Este é o quadro natural das coisas no Brasil. Até aqui nenhuma novidade, certo? É apenas mais um escândalo que ofuscará o anterior: o LavaJato… Certo? ERRADO !!! E porque não ofuscará o LavaJato, apesar de envolver um volume 20 (VINTE) vezes maior de recursos públicos desviados/Sonegados?
Porque até agora não se conseguiu ligá-lo ao “PT” . Só isso!

Caso existisse a menor possibilidade de se achar um fio de cabelo do faxineiro que trabalhou na sede do PT Há 10 anos, já estaria em todas as manchetes da “Grande Imprensa”… como não foi possível… não se dará a devida publicidade.

Afinal, só estarão sendo investigados poderosos bancos nacionais e estrangeiros, montadoras, construtoras, rede retransmissora de TV – afiliada da mais poderosa rede de comunicação do país… pessoas sem importância nenhuma na LUTA e no combate à CORRUPÇÃO no país…

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Pedro Luiz

22 de abril de 2015 às 14h22

Não adianta a globo muda tudo, até regra de futebol ela muda no paiz do futebol. Único campeonato por eliminação no mundo que não tem prorrogação é o nosso por imposição dela. Imaginem se não vai mudar o destino da zelotes.

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Josue Castilho

22 de abril de 2015 às 12h13

Temos que manter foco e cobrar da grande mídia. Swissleaks e Zelotes.
Se é pra pegar corrupto, que sejam de todas as cores.

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Carmem Witt

22 de abril de 2015 às 02h09

..só acredito vendo….

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Clabel Martins

21 de abril de 2015 às 20h06

Será que tem PT ? Senão não terá MÍDIA…..

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Eduardo Albuquerque

21 de abril de 2015 às 20h01

A divulgação deve ser nossa e não da mídia falida

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Luzeneide Fernandes

21 de abril de 2015 às 19h29

E a Midia sempre escondendo o Zelotes….

Responder

    Messias Franca de Macedo

    21 de abril de 2015 às 22h06

    Prezada e consciente Luzeneide Fernandes,

    “o problema todo foi a escolha do nome da Operação da Polícia Federal!”

    Explico:

    “a palavra ‘Zelotes’ é composta pelo prefixo ‘Zé’!
    E pelo sufixo ‘lotes’!
    Portanto, a CORRUPÇÃO no Coaf da Receita Federal envolve um [suposto] ‘Zé’ [(S)erra?!] e ‘lotes’ [de dinheiro?! Sujo e, depois, lavado?! No HSBC do SUIÇALÃO [do tesoreiro Marcio Fortes do PSDB do tempo da ‘Privataria Tucana’], preferencialmente?!…

    Pano rápido!
    Limpa as sujeiras, “MAS, ‘cheirosas'”, diria a ‘Calunista’ do PIGolpista Eliane TACANHÊde! Eliane TUCANêde, para os íntimos de carteirinha – e de MENSALÃO do BLOGUEIRÃO ‘Téo Implicante Pereira’ “dos governadores Alckmin, (S)erra, Beto ‘Rincha’, não necessariamente nessa ordem”!

    Ufa!

    Pausa para rir!

    Responder

Orlando Fogaça Filho

21 de abril de 2015 às 18h05

De todos os citados só vão investigar a Petrobrás. Quem quer apostar?

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Messias Franca de Macedo

21 de abril de 2015 às 14h58

IMPEACHMENT… Para o [*senador] ‘Aécio Furnas Forever’!

*senador?!

ENTENDA ‘um dos fatos determinantes’!

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Marco Aurélio Carone: Dilma, solicite ao Itamaraty informações sobre a Carta de Intenções que Aécio assinou em Londres em 2004

Em 2004, durante encontro com a elite financeira internacional em Londres, o ex-presidente dos EUA, George Bush, afirmou: “Este será o próximo presidente do Brasil”, referindo-se a Aécio

por Marco Aurélio Carone, especial para o Viomundo

publicado em 21 de abril de 2015 às 14:01

(…)
Aproveitando-se do receio de seus colegas congressistas, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) busca a repetição do golpe de 1930. Ele tenta se colocar como principal ator, representando o empoeirado roteiro.
Só que existe um detalhe. Aécio não tem liderança nem o necessário conhecimento e vivência politica para exercer tal posição por ser fruto de milionárias campanhas publicitárias.
Sua liderança existe apenas nos noticiários de jornais, rádios e TV, pois não tem sequer território político. Ele só nasceu em Minas. Foi criado no Rio de Janeiro. E mesmo como governador, ele morou na cidade do Rio de Janeiro.
Aécio conhece o Estado de Minas Gerais apenas por cima, quando de avião dirige-se a Brasília. Procedimento idêntico tomou toda sua equipe de governo e família, após as eleições de 2014.
Aécio tornou-se um bufão, adotando técnicas semelhantes às do excelente apresentador Sílvio Santos no quadro: “Quem quer dinheiro”. Evidente que seu auditório composto pela grande imprensa o aplaude na espera dos “aviõezinhos”.
A sua atitude pode parecer inocente, mas infelizmente não é. O bufão não sabe o que está fazendo, mas seus patrocinadores sabem. Eles querem conseguir audiência e apoio popular para atingir seus interesses nas águas turvas.
O senador precisa saber que perdeu a última eleição para ele mesmo, foi derrotado no Estado que ditatorialmente governou.
Quem conhece a política mineira sabe que a origem de Aécio está intimamente ligada à defesa e à representação do capital financeiro internacional.
Isso desde os anos 30, quando seu avô Tancredo Neves era extremamente próximo ao americano Percival Farquhar, que ocupou a presidência da Itabira Iron Ore Company. Na época, era dono do que hoje é conhecido como Cia Vale do Rio Doce.
Com a saída de cena de Farquhar — devido à nacionalização do setor de mineração para cumprir um acordo de fornecimento de minério aos EUA durante a Segunda Guerra e à fundação em junho de 1942 da Vale do Rio Doce — os interesses multinacionais até então representados no País por Percival foram transferidos para Moreira Salles, banqueiro igualmente próximo de Tancredo.
Posteriormente, no Governo de Juscelino Kubitschek, de 1956 a 1958, Tancredo ocupou a Carteira de Redescontos do Banco do Brasil, implantando os alicerces do Banco Central. Uma antiga exigência do capital internacional, que lhe foi demandada quando era ministro da Justiça no governo de Getúlio Vargas (de 26 de junho de 1953 a 24 de agosto de 1954, quando o presidente se suicidou).
A presidenta Dilma ocupa legitimamente a Presidência da República, pois foi eleita pelo voto popular para o mais alto cargo político do País.
Só que, no meu entender, ela necessita identificar com quem e a serviço de quais interesses a classe política nacional articula.
A presidenta precisa entender — e só ela, pois grande parte dos integrantes do seu governo oriundos de outras siglas partidárias já entende — que lidar com o mundo político é o mesmo que participar de um baile de máscaras, onde a fisionomia não identifica quem a usa. Muito menos sua “alma”.
Infelizmente, para a esquerda e felizmente para a direita, os primeiros sempre imaginam ser capazes de cooptar os segundos, enquanto os segundos só lidam com os primeiros já cooptados.
Nesse contexto, gostaria de dar uma sugestão: Presidenta Dilma, solicite ao Itamaraty informações sobre a existência de uma autorização legislativa ou dispositivo constitucional para que o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, celebrasse uma “Carta de Intenções”, durante encontro com a elite financeira internacional na Spencer House, em Londres. A carta foi assinada em 16 de maio de 2004.
Na ocasião, portanto dez anos atrás, George Bush, ex-presidente do EUA, afirmou: “Este será o próximo presidente do Brasil”, referindo-se a Aécio.
Seria igualmente importante que o Senado solicitasse cópia dessa mesma carta, pois um de seus membros, na condição de Governador do Estado, talvez tenha cometido um crime de lesa-pátria.
Crime de lesa-pátria é qualquer aliança política, traiçoeira, que cause prejuízos ao País, acabando com a Democracia, Soberania e Liberdade de seu povo. Assim como, desviando fraudulentamente recursos dos cofres públicos, impondo regime autoritário fundamentado na esquerda ou direita, radical ou não, aparelhando o Estado e subjugando e enganando o povo em busca de poder.
Nos anos 30, o ocorrido foi uma tragédia. Sua repetição agora será uma farsa.

Marco Aurélio Carone é ex-presidente do Jornal de Minas e do Diário de Minas. É o responsável pelo site mineiro Novojornal, retirado duas vezes do ar por decisão judicial. Preso sem qualquer condenação por 10 meses em penitenciária de segurança máxima sob a alegação de garantia da ordem pública. Só que, verdade, a prisão foi para evitar que suas matérias interferissem nas eleições presidenciais de 2014.

FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.viomundo.com.br/denuncias/marco-aurelio-carone-presidenta-dilma-solicite-ao-itamaraty-informacoes-sobre-a-carta-de-intencoes-que-aecio-assinou-em-londres-em-2004.html

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JoZé Moraes

21 de abril de 2015 às 17h38

É… “Preteou os zóio da gateada!!!’

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