Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Investors react as they check stock prices in a brokerage house in Fuyang in central China's Anhui province Friday, June 26, 2015. Chinese stocks plunged on Friday as panicked investors rushed to sell over fears that an extended bull market was coming to an end. (Chinatopix Via AP) CHINA OUT ORG XMIT: XMAS801

Novidade no Cafezinho: Análise Diária de Conjuntura

Por Miguel do Rosário

25 de agosto de 2015 : 10h00

“All things must change to something new, to something strange”, dizia Longfellow. Creio que é hora do Cafezinho inovar um pouco também.

A partir de hoje, diariamente, de segunda a sexta, o Cafezinho publica uma Análise de Conjuntura. O formato será enxuto, objetivo, de apenas uma lauda, em torno três a quatro mil caracteres.

Dou por encerrado meu período sabático, longe da imprensa corporativa (que aliás nunca segui totalmente), porque a Análise deve incluir, naturalmente, um monitoramento básico da grande mídia.

A Análise deve ser publicada no blog às 10:00 da manhã. Tenho ainda outras novidades e esclarecimentos a fazer, mas deixo isso para depois. Agora vamos ao trabalho.

***

Cafezinho: Análise de Conjuntura, Terça-Feira 25/08/2015.

A entrevista de Dilma e o jihadismo de Gilmar Mendes

A terça vem farta de notícias, para todos os gostos. Para o gosto do governo, temos mais um editorial anti-impeachment na grande mídia, na Folha: sob sugestivo título, Sem bananas, o texto afirma que uma “deposição assentada em razões banais traria instabilidade interna e mancharia a imagem do país aos olhos da comunidade internacional –o Brasil em tese superou sua fase de república das bananas.”

Ainda pelo lado do governo, temos uma entrevista da presidenta aos três principais jornais do país: Globo, Folha e Estadão, em que Dilma aprofunda a estratégia do governo desde que ganhou as eleições: fazer o jogo do adversário.

O corte de até 10 ministérios, porém, é uma jogada inteligente do governo, não tanto pela redução de custos, que talvez não seja significativa, e sim pelo símbolo e pela racionalização política.

A presidente também chancelou as investigações da Lava Jato, na linha do “não vai restar pedra sobre pedra”. Após “lamentar profundamente” o envolvimento de membros de seu partido no esquema, Dilma observou que “ninguém pode interromper o processo em curso no Judiciário e nos órgãos de investigação (Polícia Federal e Ministério Público)”, mesmo que “as investigações afetem a cadeia da indústria de óleo e gás e da construção civil.”

A postura republicana da presidenta neste sentido tem lhe assegurado respeito da comunidade internacional, como atestou o recente editorial do New York Times, cujos elogios à Dilma se deram justamente pela constatação de que Dilma não interferiu jamais nas investigações.

Do lado da oposição, temos uma decisão ultra-radical do ministro Gilmar Mendes, de mandar quebrar o sigilo bancário do Partido dos Trabalhadores. A reportagem da Conjur dá como quase certa a sua aprovação pelo corregedor-geral do TSE, João Otávio de Noronha, considerado “antipetista”; em seguida, o texto diz que a medida poderia provocar a impugnação (!) de todos os petistas no país, presidente, prefeitos, governadores e parlamentares.

Evidentemente, tal medida corresponderia a um golpe contra a democracia muito pior inclusive do que o impeachment de Dilma, provocando terrível instabilidade institucional, pois não haveria sentido em quebrar o sigilo de apenas um só partido. A mesma jurisprudência serviria para quebrar o sigilo de todos os partidos. Se o PMDB e PP, por exemplo, tem bem mais envolvidos na Lava Jato do que o PT, qual o sentido em também não lhes quebrar o sigilo? E o sigilo do PSDB, que recebeu tantos recursos quanto o PT das mesmas empresas?

O impeachment de Dilma, apesar da contrariedade  crescente de setores chave da economia, temerosos de suas consequências, ainda fermenta na cabeça de algumas lideranças da oposição. O noticiário de hoje fala que a nova estratégia para o impeachment não mais passaria por Eduardo Cunha, mas a iniciativa não parece muito convincente.

A capa do portal Estadão durante a primeira parte da manhã desta terça-feira é um caso emblemático de manipulação da notícia.

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Quando se entra na matéria, vê-se logo que não é bem assim. Em primeiro lugar, coisa que o título não deixa claro, trata-se de apenas um item.

A BR tinha uma estimativa inicial de R$ 100 mil para “ampliação do terminal de Duque de Caixas”. Pelo valor, extremamente baixo para obra de tal porte, é bastante provável que, neste caso, houve antes um erro para baixo por parte dos avalistas da Petrobrás – ou alguma outra confusão similar. A UTC cobrou R$ 895 mil pelo item. Esse tipo de texto deixa transparecer ao leitor que a empreiteira embolsou a totalidade do valor, quando é óbvio que a maior parte dos gastos se dá com material, mão-de-obra, tecnologia. Há desvios em toda parte, ninguém é bobo de dizer que não, mas é preciso ver os fatos com mais racionalidade, coisa que esse tipo de narrativa não oferece.

A matéria em seguida informa que o valor total das obras na refinaria foi apenas 12,6% superior ao estimado inicialmente pela BR, uma variação perfeitamente dentro da média normal para esse tipo de empreendimento.

No cenário econômico, as nuvens se dissiparam um pouco nesta terça. As bolsas asiáticas apresentaram nova queda acentuada, mas a decisão do governo chinês de intervir no mercado, baixando juros e injetando algumas dezenas de bilhões de dólares em sua economia, trouxe alívio aos operadores. As bolsas europeias abriram em alta, o que deve contaminar positivamente Nova Iorque e São Paulo.

A Reuters estampa na capa do site uma análise com um título otimista: A calma após a tempestade.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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22 comentários

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ricardo

29 de agosto de 2015 às 17h37

Nã podemos deixar de perder.

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Sergio Notari

27 de agosto de 2015 às 17h14

#ComPovoNaRuaGolpistaRecua

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Marcio Pessoa

25 de agosto de 2015 às 20h39

Muita boa Análise, Miguel. Estarei todo os dias saboreando “O Cafezinho”. Parabéns!!

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Joao Carlos Palhuzi Palhuzi

25 de agosto de 2015 às 22h28

Ótima idéia pra que estejamos sintonizado na conjuntura!

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zé eduardo

25 de agosto de 2015 às 18h27

Parabéns, Miguel, ‘O Cafezinho’ inova e faz o que o governo deveria estar fazendo há muito tempo. Precisamos deste tipo de análise para ampliar nossas perspectivas de entendimento das condições políticas do momento. É uma iniciativa que é um alento, tanto por favorecer a reflexão de quem visita esta página quanto por trazer o contraditório e quem sabe a superação das análises da mídia hegemônica. O sinal de que a iniciativa acertou ‘na mosca’ se mede pelo desespero dos comentários de trolls e coxinhas. No entanto, ainda sinto falta de espaços permanentes na blogosfera de ‘não esquecimento’ ou de ‘memória’ dos temas ‘esquecidos’ pela grande mídia corporativa, tais como o ‘aécioporto’, o ‘helipóptero’, o mensalão tucano, a ‘privataria’ e a compra de votos de reeleição de FgHC (éfe-gagá-cê), etc., o histórico e o andamento das eventuais investigações, ou mesmo das decisões judiciais, etc. Acho que poderia ser ‘educativo’. E, além disso, também acho que está na hora de se começar a pensar, consistentemente, o debate de uma ‘reforma do judiciário’ que contemple o controle social, diante da covardia dos membros do STF, da CNJ, do próprio Ministro da Justiça em questionar os ‘malfeitos’ de alguns togados (e até como um ‘antídoto’ ao ‘republicanismo’ míope governista).

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Pedro Miguel

25 de agosto de 2015 às 21h20

Legal

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Valkiria Helena Haeser Schulte

25 de agosto de 2015 às 20h44

Muito bom!

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Ana Oliveira

25 de agosto de 2015 às 20h24

Gostei da ideia!

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Meire Souza

25 de agosto de 2015 às 18h02

O Cafezinho fazendo História no jornalismo on line: o futuro é aqui!

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Hell Back

25 de agosto de 2015 às 15h02

Depois dessa “ducha de água fria” abstenho-me de fazer qualquer crítica relacionado ao citado excelentíssimo juiz.

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Diogo

25 de agosto de 2015 às 13h29

Sugestao: possibilidade de assinar a análise de conjuntura e receber por e-mail.

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Messias Franca de Macedo

25 de agosto de 2015 às 13h12

Ação de Gilmar é resposta possível dos tucanos ao fim da “esperança Cunha”

Por conspícuo e impávido jornalista Fernando Brito

22/08/2015

(…)

FONTE [LÍMPIDA!]: http://tijolaco.com.br/blog/?p=29148

Responder

Messias Franca de Macedo

25 de agosto de 2015 às 13h08

(…)
Seu ajudante de ordens [de Aécio Neves], ou vice-versa, é o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Sintoma da fragilidade do equilíbrio de poderes vigente no Brasil, Mendes emite toda sorte de opiniões fora de autos. Muda de ideia conforme as conveniências. De tão tendencioso e parcial, seu comportamento público seria suficiente para impugná-lo como síndico de prédio. Na democracia à brasileira, pontifica como jurista na mais alta corte do país. Quem quiser que leve a sério.
(…)

Por jornalista Ricardo Mello

em
‘Os três patéticos’

24/08/2015 02h00

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardomelo/2015/08/1672633-os-tres-pateticos.shtml

Responder

    Messias Franca de Macedo

    25 de agosto de 2015 às 13h10

    Aécio Neves, Gilmar Mendes e Eduardo Cunha atuam como protagonistas de uma causa falida. Mesmo assim, não perdem uma oportunidade de expor em público sua estreiteza de horizontes. São golpistas declarados. Não importa a lógica, a política, a dialética ou mesmo o senso comum. Suas biografias, já não propriamente admiráveis, dissolvem-se a jato a cada movimento realizado para derrubar um governo eleito.
    Presidente do PSDB, o senador mineiro-carioca pouco se incomoda com o ridículo de suas atitudes. Aécio sempre defendeu um programa de arrocho contra os pobres. Gabou-se da coragem de adotar medidas impopulares para “consertar o Brasil”.
    Agora sobe em trios elétricos como porta-voz do povo.
    (…)

    Por jornalista Ricardo Mello

    em
    ‘Os três patéticos’

    24/08/2015 02h00

    FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardomelo/2015/08/1672633-os-tres-pateticos.shtml

    Responder

      Hell Back

      25 de agosto de 2015 às 14h28

      (…) “consertar o Brasil”.
      Não sabia que ele faz (ou fez) parte do governo federal.
      Acredito que o “senadócio” Neves deve estar usando droga estragada.

      Responder

Joao Carlos Palhuzi Palhuzi

25 de agosto de 2015 às 16h07

Fico super contente em ter esta análise diária da conjuntura pelo momento difícil que passa nosso país! Acredito muito no Brasil apesar de toda esta conjuntura adversa!

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Messias Franca de Macedo

25 de agosto de 2015 às 13h03

DALLARI: ‘POSTURA DE GILMAR É FALSAMENTE MORALISTA

Jurista Dalmo Dallari considera “puramente política” a determinação do ministro do TSE Gilmar Mendes para que se apure as contas da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff; para ele, o objetivo de Gilmar é pressionar para a retomada do julgamento de uma ação movida pelo PSDB que pede a cassação da chapa de Dilma e do vice, Michel Temer, suspenso por um pedido de vista do ministro Luiz Fux; Dallari afirma que “não é legítimo” voltar a analisar contas que já foram aprovadas pelo tribunal e lembra que “o ministro, quando foi procurador-geral, fez coisas muito piores do que isso”; “É lamentável que agora tome essa postura falsamente moralista e nula juridicamente. Ele realmente não tem base jurídica para fazer o que fez, então fica evidente o seu envolvimento político”, ressalta

23 DE AGOSTO DE 2015 ÀS 13:37

Por jornalista Ana Siqueira
Jornal do Brasil

(…)

FONTE [LÍMPIDA!!]: http://www.jb.com.br/pais/noticias/2015/08/22/dalmo-dallari-postura-de-gilmar-mendes-e-falsamente-moralista-e-nula-juridicamente/

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Messias Franca de Macedo

25 de agosto de 2015 às 12h56

Parabéns pela iniciativa!

E sugiro ao ‘Cafezinho’ divulgar a programação da TVT!

Jornalismo de vanguarda!

O horizonte da utopia!

Boa sorte!

Messias Macedo

Responder

Luís CPPrudente

25 de agosto de 2015 às 12h32

Gilmar Dantas é o mesmo Gilmar Dantas que escondeu sob o seu traseiro imundo, pois o mesmo sentou em cima de muitas investigações que poderiam gerar problemas para o corrupto governo do finado FHC, as falcatruas do PSDB, das privatarias tucanas. Esse é o Gilmar Dantas, ele é que pede a quebra do sigilo bancário do PT, mas não requer a quebra dos sigilos do partido que ele apoia e que tem muitos indícios de pilantragens.

Infelizmente o STF é covarde, pois se fosse defensor da Constituição, o Gilmar Dantas não seria ministro do STF há muito tempo.

Responder

Luciano Machado

25 de agosto de 2015 às 12h24

JUIZ SERGIO MORO ATACA BLOGUEIROS NA INTERNET ! TEMOS QUE NOS DEFENDER EM BLOCO CONTRA ESSE HIPÓCRITA!

http://www.brasil247.com/pt/247/parana247/194202/Moro-aciona-blogueiros-por-not%C3%ADcias-'falsas-e-caluniosas‘.htm

Responder

    Hell Back

    25 de agosto de 2015 às 15h05

    Depois dessa “ducha de água fria” abstenho-me de fazer qualquer crítica relacionado ao citado excelentíssimo juiz.

    Responder

Eliana - Juiz de Fora

25 de agosto de 2015 às 11h27

Amei a ideia da Análise de Conjuntura diária.
Estarei aqui diariamente para ler e manter-me informada
de forma clara e inteligente.

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