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A reforma ministerial e a venda (sem garantia) da governabilidade

Por Redação

30 de setembro de 2015 : 20h00

Por Carlos Eduardo, editor assistente do Cafezinho

A reforma ministerial da presidenta Dilma Rousseff avançou nesta quarta-feira (30), com a confirmação de que Aloizio Mercadante será substituído por Jacques Wagner na Casa Civil.

Entre os apoiadores do governo Dilma a notícia foi bem aceita. Mercadante tem fama de desagregador e dizem que muitos dos conflitos entre o Planalto e a Câmara eram causados por sua falta de tato na articulação política. 

O que segue em aberto são os ministérios destinados ao PMDB, que sairá da reforma mais fortalecido do que nunca. O anúncio oficial será divulgado nesta quinta-feira (1) e com isso Dilma espera conquistar definitivamente a maioria no Congresso, garantir a governabilidade e espantar de vez o fantasma do impeachment.

O problema é que Eduardo Cunha e oposição não dão sinais de que irão sossegar enquanto não destruírem por completo o governo, mesmo que para isso seja necessário jogar o país em uma crise profunda.

Como alerta o jornalista e cientista político Matheus Pichonelli, em sua coluna no portal Yahoo!, “o rearranjo ministerial é a compra, sem qualquer garantia, da governabilidade a um mandato que não começou”.

***

A reforma ministerial e a venda (sem garantia) da governabilidade

Por Matheus Pichonelli, no Yahoo! Notícias

Em oito anos de governo Lula, Aloizio Mercadante, um dos principais quadros do PT no período, jamais foi nomeado ministro. O agora ex-braço-direito de Dilma Rousseff tinha uma explicação para o desencontro: entre 2003 e 2010, a incumbência dada a ele pelo ex-presidente era trabalhar, estrategicamente, na liderança do governo no Senado.

Na versão acredita quem quiser, mas a ascensão controversa de Mercadante no governo Dilma dá a noção das diferenças de propostas da presidenta e de seu antecessor. Duas vezes derrotado na disputa pelo governo paulista, o ex-senador chegou à Esplanada como ministro da Ciência e Tecnologia e, pouco depois, da Educação.

Professor licenciado de Economia da PUC-SP e da Unicamp, Mercadante foi alçado a gerente do governo em janeiro de 2014, quando Gleisi Hoffman, então titular da Casa Civil, foi cuidar da campanha (fracassada) ao governo do Paraná.

A dobradinha Dilma-Mercadante alimentou, a partir de então, relatos diários sobre conflitos entre aliados dentro do governo e fora dele. A imagem da suposta (e noticiada) má vontade da dupla em relação ao PMDB, que se articulava para tomar o controle do Congresso antes de avançar sobre o governo, foi flagrada em fevereiro deste ano pelo fotógrafo Sergio Lima, da Folhapress, quando Mercadante estendeu, em aparente contragosto, a mão em cumprimento a Eduardo Cunha, que acabava de se eleger presidente da Câmara.

Cunha jamais engoliu o esforço do governo em barrar a sua ascensão, que se solidificava à revelia das suspeitas de seu envolvimento na Lava Jato (até agora, nada menos do que cinco investigados citaram as suas digitais nos crimes apurados).

Quando a relação azedou de vez, o vice Michel Temer tentou atuar como bombeiro ao assumir para si a articulação política, mas Mercadante seguiu, sempre segundo o noticiário, como o contraponto da distensão. Em quase dois anos, o ex-senador já não tinha apoio de qualquer ala peemedebista, e passou a ser fritado por colegas do próprio PT. Agora entende-se por que Lula, aparentemente pouco simpático ao ex-senador, jamais o nomeou ministro.

Em pouco tempo, a antipatia da base aliada com a dupla Dilma-Mercadante virou aversão e a aversão, um gatilho para introjetar, entre as fileiras de deputados inimigos e apoiadores pero no mucho, a tese de impeachment. Dissolvida, a base parlamentar deixava de servir como barreira de segurança da presidenta à medida que a crise econômica avançava, Dilma se contrariava, sua popularidade definhava e os grupos oposicionistas se organizavam e tomavam as ruas.

O enfraquecimento de Dilma era a hora certa para o PMDB aumentar o pedido de resgate e remover do caminho um dos últimos obstáculos de suas pretensões. A aposta do Planalto agora é que Jaques Wagner, substituto de Mercadante na Casa Civil, sirva como aparador dos pontos de tensão. Um deles começa a ser desmontado: em troca do cessar-fogo, a ala peemedebista da Câmara está prestes a levar o Ministério da Saúde, cujo antigo titular, Arthur Chioro, acaba de ser demitido por telefone. Em seu lugar deve assumir um novato cuja principal credencial é ser amigo de Eduardo Cunha, a quem Mercadante (que deve voltar para a Educação) dera as mãos a contragosto. (leia mais aqui)

O rearranjo ministerial, agora costurado por Lula, é a compra, sem qualquer garantia, da governabilidade a um mandato que não começou.

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44 comentários

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Geraldo Antônio

02 de outubro de 2015 às 03h42

Vocês publicaram à pouco um texto tratando como açodados e voláteis aqueles que ontem criticaram a reforma e agora fazem o mesmo?

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Edir Vidal

01 de outubro de 2015 às 19h05

Não acredito nisso!

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Diego

01 de outubro de 2015 às 09h50

SÓ PRA RELEMBRAR: Com quem vários corruptos da Câmara estão se associando.

https://pbs.twimg.com/media/ByjU66OIEAAxgfh.jpg:large

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Wendell Ferreira

01 de outubro de 2015 às 11h57

Toda essa palhaçada vai custar caro, pra todos!

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Alecsander C. Bastos

01 de outubro de 2015 às 08h37

Hoje podemos encontrar informações sobre política, sobre qualquer político, antes não tínhamos nada, só o PIG alienante.
Políticos corruptos olhem para o Brasil, olhem para o povo brasileiro, pois os dias de corrupções de vocês vão acabar, serão esquecidos, não serão mais eleitos.

http://blogdobranquinho.blogspot.com.br/2015/04/pl-4330-da-terceirizacao-total-tiro-no.html

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jose carlos lima

01 de outubro de 2015 às 06h12

Num regime praticamente parlamentarista como o nosso, o povão descarrega voto no baixo clero e não quer que Dilma negocie. Como assim…

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    Vitor

    01 de outubro de 2015 às 07h15

    Negociar é uma coisa, entregar o governo é outra.

    Responder

      Luiz

      01 de outubro de 2015 às 11h16

      A presidente negocia ministérios e o regime é parlamentarista? Lamento discordar, negociação de cargos entre o executivo e o legislativo demonstra que a divisão de poderes está mais acirrada e não menos. Bata ver os vetos presidenciais para concluir que estamos longe do parlamentarismo

      Responder

        jose carlos lima

        01 de outubro de 2015 às 12h21

        presidencialismo
        substantivo masculino
        regime político em que a chefia do governo é prerrogativa do presidente da República, que escolhe seus ministros, e com a independência dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário); sistema presidencial; regime presidencialista.

        Responder

Simone Dos Santos

01 de outubro de 2015 às 04h12

Sem apoio do congresso como ela iria governar???

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Lulu Pereira

01 de outubro de 2015 às 03h53

Vixe

Responder

Vitor

30 de setembro de 2015 às 22h43

Um governo que se diz de esquerda não pode negociar a Saúde! Simplesmente não dá! Dilma tá completamente perdida…

Responder

    Sergio

    01 de outubro de 2015 às 10h51

    Esse governo já capitulou a muito tempo…

    Responder

    Luiz

    01 de outubro de 2015 às 11h18

    Boa parte do antigo Movimento Sanitarista está no PMDB, um Ministro da Saude do PMDB não é novidade, nem é de todo ruim se for um sanitarista

    Responder

Tatiana Penna

01 de outubro de 2015 às 01h31

Fim da picada!

Responder

Rodrigo Do Nascimento Pinto

01 de outubro de 2015 às 01h09

Finalmente algo sensato..

Responder

Francisco Sousa

01 de outubro de 2015 às 01h07

Se não der certo, vamos ver a Dilma colocando cada um no seu lugar. O Bicho vai pegar.

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Messias Franca de Macedo

30 de setembro de 2015 às 21h45

JANOT CONFIRMA: CUNHA TEM CONTAS SECRETAS NA SUÍÇA

Agora é oficial: por meio de nota divulgada nesta noite, a Procuradoria-Geral da República, comandada por Rodrigo Janot, confirmou que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e seus familiares possuem contas secretas na Suiça, cujos valores foram bloqueados pelas autoridades helvéticas; “As informações do MP da Suíça relatam contas bancárias em nome de Cunha e familiares. As investigações lá iniciaram em abril deste ano e houve bloqueio de valores”, diz a nota do MP; com a denúncia, Cunha, que já foi citado por cinco delatores da Operação Lava Jato, perde as condições de se manter à frente da Câmara, onde seus aliados tramam um golpe

30 DE SETEMBRO DE 2015 ÀS 20:55

(…)

FONTE: http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/199079/Janot-confirma-Cunha-tem-contas-secretas-na-Su%C3%AD%C3%A7a.htm

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    Asdrubal Caldas

    01 de outubro de 2015 às 02h02

    Agora é que o prestígio dele vai subir no PT. Lembra-se que o Maluf também tinha, e virou fiel escudeiro do Lula. Se não tiver Pedigree, não vira amigo do Rei. Dá-lhe Cunha.

    Responder

Frederico Freder

01 de outubro de 2015 às 00h42

É uma situação muito mais complicada do que muitas pessoas estão pintando. O presidente da Câmara é o Cunha (que está com os pedidos de impeachment), o do Senado é o Renan (que está segurando o projeto da terceirização em massa) e ainda tem o projeto de entrega do pré-sal. Se a Dilma Rousseff não fizer algumas concessões especiais ao PMDB eles colocam tudo de ruim pra ser votado e aprovado. No final ela acaba levando toda a culpa, mas quem deu esse congresso a ela foi o povo.

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Diego Flavio Magalhães Amorim

01 de outubro de 2015 às 00h34

Jaques de Toledo

Responder

Néya Pedroso

01 de outubro de 2015 às 00h34

essa aliança perpetuada com o PMDB é de lascar. Por enquanto são só os aliados políticos que estão em debandada….quando o eleitor cansado resolver debandar também, aí sim será o fim.

Responder

Lucas Albuquerque

01 de outubro de 2015 às 00h25

Calma, ainda está se desenrolando outro capítulo, que adianto, será vencido pela oposição do psdb. O desmanche da cgu. Pode ser o último tiro no pé do governo

Responder

Drumstick Marcelo

01 de outubro de 2015 às 00h22

Essa estabilidade comprada por Dilma durará até o relatório do TCU, então o PMDB vai querer mais uma fatia pra que Dilma vá se arrastando até 2018… Assim será, aos pouquinhos, não é preciso que haja um impeachment pra que o PMDB governe.

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Antenor Nicolau

01 de outubro de 2015 às 00h12

Toda essa reforma é para afastar merdadante do poder, o sujeito além de inútil é a arrogância em pessoa, com ele fora vai melhorar, agora educação sifu.

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Irion

30 de setembro de 2015 às 21h09

O Cunha ainda está solto??

Responder

    Rodrigo

    30 de setembro de 2015 às 21h23

    Lula, Gleisi Roffman, Aloísio Mercadante, Edinho Silva, Antônio Palocci, Lindberg Farias também estão !

    Responder

      Jorge Moraes

      01 de outubro de 2015 às 00h36

      E todos os tucanos, você esqueceu de incluir. Livres, leves e soltos. Tem tucano preso?

      Responder

        Rodrigo

        01 de outubro de 2015 às 01h40

        Deve ser por que os tucanos roubam bem menos que os petistas, né !

        Responder

          José filho

          01 de outubro de 2015 às 10h51

          Conta a do portugues agora…

          Carlos Eduardo

          01 de outubro de 2015 às 13h10

          Daí se mede o grau de sua ignorância; ‘roubar mais e roubar menos.

    Asdrubal Caldas

    01 de outubro de 2015 às 02h04

    Ele terá que esperar a vez dele pô!!! Ainda tem muita gente para ser preso primeiro do que ele. Ele tem que respeitar a fila. Afinal nós somos ou não somos um país civilizado?

    Responder

Farias Furtado

01 de outubro de 2015 às 00h06

O pior erro está acontecendo que é ela continuar no governo !

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Ricardo Edmundo Cecconello

30 de setembro de 2015 às 23h58

POR QUE O MORO, E A QUADRILHA DO PSDB, NÃO QUER RESSUSCITAR A OPERAÇÃO “BANESTADO”???

Você sabe o que foi a operação BANESTADO? Quanto foi desviado? Quanto foi apurado? E QUEM FOI PRESO?

http://www.robertorequiao.com.br/requiao-cobra-retomada-do-caso-banestado-escandalo-mae-da-corrupcao-no-brasil/

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    Alberto Gomes

    01 de outubro de 2015 às 00h00

    São 500 anos de fanfarronice. Uma hora tem que olhar pra frente, sem desprezar o passado; claro.

    Responder

Edilson José Stocco

30 de setembro de 2015 às 23h58

Fizeram toda a cachorrada pra ganhar a eleição e continuam fazendo todo o tipo de maracutaia pra se manter no poder.

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Zé Fonseca

30 de setembro de 2015 às 23h53

É o fim do último capítulo do governo que capitulou diante dos corruptos.

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Andre Espínola

30 de setembro de 2015 às 23h40

Dilma cometeu hoje o maior erro do seu mandato.
http://antenando-se.blogspot.com.br/2015/09/dilma-cometeu-hoje-o-maior-erro-do-seu.html

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Fagundes Fagundes

30 de setembro de 2015 às 23h39

Sem comentarios a esse verme inutil

Responder

Alecsander C. Bastos

30 de setembro de 2015 às 20h18

Nosso povo não se interessava muito por política porque só tinha o PIG como informante (ou alienante). Enfim as coisas mudaram, hoje somos mais politizados, temos várias fontes de informações e nada mais escapa de nosso conhecimento, políticos sem pátria, oposição com interesse próprio, com interesse de propinas, vocês estão aí no congresso batalhando contra o Brasil, contra o povo brasileiro. O tempo de vocês no congresso vai acabar, serão esquecidos e não serão mais eleitos.

Responder

    Rodrigo

    30 de setembro de 2015 às 21h28

    Somos mais politizados? Deixe de ser idiota; se fôssemos mais politizados não haveria no Congresso Renan Calheiros, Paulo Maluf, Romero Jucá, Fernando Collor, Jader Barbalho, etc, etc. Somente da mente “estrúmica” de um petista poderia sair uma idiotice dessas !

    Responder

      Carlos Eduardo

      30 de setembro de 2015 às 23h49

      O Alecsander disse: “HOJE”, percebe-se que seu nível escolar, educação e respeito é pífio, mas não me assusta é um fascista gaiato ainda por cima.

      Responder

        Rodrigo

        01 de outubro de 2015 às 01h46

        Caro boqueteiro petista Carlos Eduardo, percebe-se que seu nível escolar, educação e respeito são tão pífios que nem uma mísera concordância você consegue fazer. É , pelo jeito a tal pátria educadora não passou pela sua casa !

        Responder

      Jorge Moraes

      01 de outubro de 2015 às 00h45

      O simples fato de o Dr. considerar alguém com mente “estrúmica” (é isso mesmo?) somente por ser simpatizante de um partido – qualquer que seja ele – não invalida o pensamento alheio.

      Xingamentos tolos seguirão sendo xingamentos tolos.

      Responder

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