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Economia, o maior perigo

Por Miguel do Rosário

06 de novembro de 2015 : 16h02

[s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]Análise Diária de Conjuntura – 06/11/2015

Os números de inflação, divulgados hoje pelo IBGE, correspondem a um balde de água fria numa semana que vinha sendo, até o momento, relativamente boa em matéria de notícias econômicas.

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O ajuste fiscal do governo não está dando certo, pelas razões denunciadas por 10 entre 10 economistas minimamente progressistas.

Vencido o impeachment, a economia é o principal perigo para a estabilidade política no Brasil.

Nesta quinta-feira, estive num debate na Fiocruz, organizado pelo Centro de Estudos Estratégicos (CEE), um departamento ligado diretamente à presidência da instituição. É a segunda edição de uma série de debates sobre a conjuntura política no país.

O primeiro debate, realizado em outubro, teve participação de Fabiano Santos e José Maurício Domingues, cientistas políticos do IESP, está disponível no youtube. Vale muito a pena assistir à análise de Santos e Domingues, sobre os erros políticos do governo (por Fabiano Santos) e do PT (por Domingues).

Como ia dizendo, participei de um debate nesta quinta-feira, com a presença dos economistas Eduardo Fagnani, Ligia Bahia, com mediação do cientista político José Maurício Domingues.

Fagnani denunciou a imposição de uma série de mistificações sobre a economia brasileira que tem sido assimiladas pelo governo Dilma.

A imposição de medidas drásticas de austeridade fiscal tem causado perplexidade aos economistas, porque, segundo Fagani, hoje até o FMI tem criticado esse tipo de resposta às crises.

Até mesmo economistas liberais têm insistido que as metas de ajuste fiscal não precisam ser tão rígidas e delimitadas num espaço exíguo de tempo: metas de inflação não precisam ser para 1 ano, mas para 2 ou 3 anos. A redução dos déficits fiscais deveria ser uma meta voltada para o médio e longo prazo, jamais para o curto prazo. A economia é um ser vivo, mexe com a vida e a morte de milhões de seres humanos, e a sua gestão política não pode ficar a cargo de burocratas desprovidos de sensibilidade política.

Fagnani denunciou a política de uma nota só do Banco Central, aplicando juros para combater uma inflação que, muitas vezes, não é causada pela demanda.

O ajuste fiscal tem sido visto como uma grande farsa pelos economistas mais progressistas, porque ele não cumpre o que promete e promete o que não cumpre. O ajuste como está sendo feito pelo governo Dilma é para reduzir o déficit fiscal, mas o aumenta. É para cortar gastos, mas o aumento dramático dos juros eleva os gastos.

Fagnani observou que o pensamento neoliberal fez uma nova grande investida no cenário político brasileiro. São ideias e iniciativas que não deram certo no primeiro mundo, inclusive porque sequer jamais foram aplicadas com a mesma radicalidade com que se tenta fazer aqui.

Os países centrais carregam déficits nominais e dívidas públicas muito mais altas do que o Brasil, e ninguém os força a seguirem programas de austeridade.

Fagnani faz parte de um grupo de economistas brasileiros que tem organizado reuniões, debates, estudos e publicações sobre a conjuntura nacional, sempre oferecendo críticas e propostas para uma virada progressista da política econômica. O grupo, chamado Plataforma de Polícia Social, tem um portal e uma página no Facebook.

Abaixo, alguns gráficos da inflação, que mostram o agravamento nos últimos dois meses, após um período de declínio dos preços de março até agosto.

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Fagnani ressalta a decisão do governo de não fazer a disputa política, deixando que os grandes meios de comunicação pautem sozinhos todas as agendas nacionais. A ausência do governo no debate persiste até hoje, e o mais dramático é que, mesmo sob a experiência de sucessivas derrotas políticas, o governo mesmo assim não ofereça à sociedade sequer uma perspectiva de mudar esse quadro.

Nas universidades federais, cresce a perplexidade contra o governo, que cortou verbas e igualmente não ofereceu uma proposta de médio e longo prazo, que permita ao menos um planejamento e um debate político mais racional.

O que me choca, como analista, é ver o disperdício de inteligência por parte do governo.

A nata da inteligensia nacional quer ajudar, quer oferecer as análises de conjuntura necessárias para enfrentar o lobby do pensamento neoliberal e conservador, os quais impõem uma série de falsas certezas e teorias capciosas que dominam a praxis da política econômica do governo. E o governo não usa essas inteligências, não absorve essas energias no momento em que ele mais precisa delas, até para não parecer  – como às vezes parece – que está abandonado pela sociedade civil.
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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Selcone

08 de novembro de 2015 às 20h50

A oposição é igual a time ruim. É chicote no lombo o tempo todo, ou melhor, desde 2002. Num ganha uma! E a Dilma, vez por outra perde uma batalha mas, na final só dá ela e, assim vai comendo pelas beiradas.

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Diego

07 de novembro de 2015 às 09h08

Todo o povo está vendo, essa oposição fajuta não quer que o Brasil acerte seu caminho, que volte aos trilhos do crescimento. Essa oposição está fazendo oposição ao país, ao Brasil, a quase um ano que não aprovam nada que seja significante para o Brasil, só pensam em aumentar despesas para o governo em todas as áreas que possam atingir, é pura agressão ao Brasil e ao povo brasileiro, estamos assistindo e ainda não fazemos nada, algo precisa ser feito, no mínimo o processo em cima desses lesas pátria da oposição que almejam tomar o poder no tapetão, no golpe. Todo povo está vendo, estão traindo a nação brasileira e a mídia tem grande participação. “Mais fortes são os poderes do povo”.

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