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Golpismo se refugia na Lava Jato

Por Miguel do Rosário

13 de novembro de 2015 : 18h15

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Análise Diária de Conjuntura – 13/11/2015

Que tempos vivemos!

O autoritarismo se instalou de vez no judiciário. E não é de hoje. Desde o fim da ditadura, o autoritarismo latente na sociedade brasileira, quando se viu órfão dos militares, se transladou para o mundinho encantado dos magistrados midiáticos.[/s2If]

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A esquerda assistiu a tudo inerte. Quase metade da população carcerária no país não tem sentença, nem condenação. A Globo fazia programas sensacionalistas com alguma periodicidade, mas jamais investigou a origem do problema: um judiciário pesado, lento, ineficiente, e polícias incompetentes, mal remuneradas, mal vigiadas, violentas e corruptas.

O Ministério Público brasileiro tornou-se um monstro, conforme previu um de seus criadores, Sepúlveda Pertence. É o MP mais poderoso do mundo, com procuradores gozando de absoluta imunidade. Nos primeiros anos de república nova, quando a direita ocupava todos os postos de poder, a esquerda não via problema. Mas agora ela vê o problema: é a direita que empurra, com todas as suas armas, os estamentos autoritários contra a esquerda.

As últimas medidas de Sergio Moro, pedindo quebra do sigilo telefônico do PT, correspondem a uma agressão gravíssima à democracia. O documento recente do PT que critica a Lava Jato machucou os conspiradores baratos, porque mostra que a maioria absoluta das empresas e políticos envolvidos na Lava Jato não pertence ao partido dos trabalhadores.

Mesmo assim, quem tem o sigilo quebrado é o PT? Loucura total.

A Lava Jato age como ditadura. Moro e os procuradores, como sempre, procuram provas depois de condenar e depois de prender a pessoa. Outra loucura. Inverte-se totalmente os procedimentos penais. O indivíduo é culpado até prova em contrário.

Os partidos, todos eles, deveriam ficar muito atentos a estes arbítrios de Sergio Moro, porque eles podem se voltar contra qualquer um.

A publicidade opressiva tem sido absoluta. Impõe-se no Brasil o que na França já foi detectado como o “poder judiciário das mídias“. Elas tem o poder de criar inimigos públicos com incrível facilidade, convertendo seus próprios adversários políticos em monstros. A desumanização de réus como José Dirceu, por exemplo, é algo inacreditável. Cerca-se a pessoa de um ódio sem limites, até o ponto que as pessoas passam a odiar a figura sem ao menos entender porque.

A democracia, felizmente, tem remédios para tudo isto, e todos os arbítrios serão pagos, com multa. Na Itália, os abusos da operação Mãos Limpas resultaram na aprovação da Lei de Responsabilidade Civil de Juízes e Procuradores, a Legge Vassalli.

A lei foi aprovada em 1988, por conta de um caso escandaloso de erro judicial da década de 80, o caso Enzo Tortora, mas o seu encaminhamento e sua legitimação social apenas se deu após a Operação Mãos Limpas, que provocou extinção de importantes partidos italianos, a ascensão do fascismo, da extrema-direita e mais de uma década de Silvio Berlusconi.

A lei Vassalli entrou em vigor em março deste ano, 27 anos depois de aprovada.

Será que teremos de esperar quase 30 anos para aprovar alguma lei que nos proteja dos arbítrios de juízes justiceiros e procuradores irresponsáveis, agindo em conluio com a mídia e sabe-se lá com que mais grupos de inteligência internacionais?

É incrível como a mídia faz campanha em favor da Lava Jato. Sempre que as denúncias de abusos contra a Lava Jato crescem na internet, o Globo e a Globo vem com manchetes e chamadas sobre alguns bilhões de reais que a Lava Jato recuperou. Ora, balela! A Lava Jato causou prejuízo de centenas de bilhões de reais. Prejuízos incalculáveis! Setores inteiros da indústria do petróleo foram desmantelados.

Para piorar, a Lava Jato se conjugou com a estratégia geopolítica de EUA e Arábia Saudita para deprimir os preços do petróleo e enfraquecer países como Irã, Rússia, Venezuela, e com isso ampliar o seu poder político mundial e sobre a indústria do petróleo.

Os procuradores da Lava Jato, Sergio Moro e a mídia não quiseram nem saber. Surfando numa demagogia penal de ordem fascista, saíram prendendo e fechando grandes empresas de engenharia, paralisando obras estratégicas.

O PIB brasileiro não sofreria queda tão acentuada não fosse esse golpismo sujo e fascista que emergiu com a Lava Jato.

Em seguida, a Lava Jato, investigação proto-fascista, começou a vazar informações estratégicas da Odebrecht, fragilizando a nossa maior empresa de engenharia no exterior, prejudicando seus negócios no exterior, com reflexo em empregos de centenas, ou mesmo milhões de famílias de brasileiros.

E agora  a Lava Jato quebra o sigilo de um telefone do PT nacional e promove perseguição de Paulo Salvador, jornalista responsável por uma comunicação alternativa, ligada aos movimentos sociais e ao mundo sindical? Que coisa ridícula!

Aliás, eu conversei com petistas de São Paulo. Eles disseram que a mídia está exagerando um pouco. Foi quebrado o sigilo de apenas um telefone do PT nacional (coisa patética). Estão tranquilos em relação perseguição à Gráfica, que imprime revistas com conteúdo anti-hegemônico.

O instinto de ditadura do golpismo midiático-judicial é tão grotesco que eles estão esquecendo de disfarçar. Ora, perseguir revistas sindicais?

Enfim, a Lava Jato apenas se auto-desmoraliza, carimba em si mesma a pecha de conspiração golpista e fascista, muito mais preocupada em atingir politicamente um partido de esquerda do que, efetivamente, combater a corrupção no país.
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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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