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Freixo x Paes: a disputa pela prefeitura do Rio começa em ritmo de Belchior e Beto Guedes

Por Redação

06 de janeiro de 2016 : 06h40

Depois que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, citou Marcelo Freixo como “um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco” em entrevista à Veja, o deputado do PSOL usou a referência musical para devolver a provocação em um texto irônico; confira.

Dinheiro no Banco

por Marcelo Freixo, na Revista Fórum

Em recente entrevista à “Veja”, o prefeito Eduardo Paes disse que eu sou apenas “um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, esse papo meio Beto Guedes”.

Paes sacou a arma no “saloon”: sua contumaz arrogância. Mas, antes de comentá-la, preciso fazer uma correção importante. A música a que o prefeito se referiu não é de Beto Guedes, mas de Belchior.

Se conhecesse melhor o cantor cearense, descobriria que ele tem outra canção que diz assim: “É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem”. Mas algo me diz que Paes não sairá cantarolando tal coisa por aí.

Dito isso, volto ao “saloon” e peço que o prefeito ouça um conselho desse rapaz latino-americano. Espero que não fique emburrado. Afinal, como escreveu Belchior, sons, palavras são navalhas e eu não posso cantar como convém, sem querer ferir ninguém.

A arrogância é uma arma traiçoeira, arapuca balística. Ao sacá-la, o sujeito corre o risco de disparar cinismos. Por isso, cuidado, meu bem, há perigo na esquina…

Eis que, mais uma vez, a soberba de Paes mal disfarça o cinismo. Rodrigo Bethlem, que foi seu braço direito e comandou três importantes secretarias em sua gestão, é acusado de ter contas ilegais com R$ 2,1 milhões na Suíça. Dinheiro desviado de esquemas montados por ele na prefeitura.

Bethlem, rapaz latino-americano cheio de dinheiro na Suíça, era cotado inclusive para disputar a sucessão municipal, mas caiu em desgraça e foi substituído por Pedro Paulo, que mentiu e depois admitiu ter espancado a ex-mulher.

Na mesma entrevista, Paes defende com devoção o pupilo. Diante da gravidade da violência cotidiana contra as mulheres, o prefeito, de forma machista, trata os crimes cometidos pelo amigo como um pequeno problema da vida privada do casal. E a arrogância se fez cinismo.

O que Paes tem a dizer sobre Eduardo Cunha, a quem costuma chamar de primeiro-ministro? Não sei se continua prestando tal reverência após a descoberta de que seu aliado também tem contas na Suíça.

O fato de o prefeito, dois anos mais novo do que eu, me tratar por rapaz mostra como ele está alinhado às velhas formas de fazer política, segundo as quais quem é jovem e não tem dinheiro não serve para ocupar cargos públicos. Bom mesmo é manter as tradicionais negociatas de um sistema carcomido do qual se beneficia. Melhor ter contas na Suíça do que ideais.

Paes, agradeço pela crítica. Saiba que o novo virá dos rapazes e moças latino-americanas de quem você debocha. Beto Guedes nos inspira, sim, e com ele estamos pisando o pedal do sonho. Como cantou o poeta: um mais um é sempre mais que dois. E somos mais do que vocês imaginam.

 

 

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20 comentários

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Maria Adelaide Silva

06 de janeiro de 2016 às 18h36

Aliás, valeria a pena perguntar ao Paes como andam as contas bancárias das empresas abertas por sua família no Panamá assim que ele tomou posse como prefeito. Claro, ele não tem ligação com elas… né?

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Elizabeth de Andrade

06 de janeiro de 2016 às 11h52

As bocas de matildes e seu fuxicos rasos… esse país precisa de sangue novo. Xô velhas raposas profissionais da porca, da imunda velha política brasileira!
ELEITOR BURRO PROFISSIONALIZA POLÍTICO ESPERTO: #CunhaNaCadeia!

#PelaMoralizaçãoDoJudiciário #ForaZéCardozo! #TiraOZéDoMinistérioDilma! #VazaCardoso #PrimaveraDasMulheres #MulheresContraCunha #NãoAoPL5069 #CunhaNaCadeia #ForaCunha #Pl5069 #ForaTvGlobo!#AgoraÉQueSãoElas #NaoVamosDesistirDoBrasil #NãoVamosDesistirDaDemocracia #Lula2018!

#PrecisamosDeMaisChicos #PrecisamosDeMaisMarietas #MaisMédicos #MaisJuizesSuiços! #ACriseÉLindaApesarDaMídia

#OsCorruptosQueMeChamamDeCorrupto diz, #Lula2018!

#ACegueiraDaEstupidez #FimDoPolíticoProfissional #EleitorBurroProfissionalizaPolíticoEsperto

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Adriana Araujo

06 de janeiro de 2016 às 11h40

Claro que Freixo ganha essa disputa!

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Ronaldo Coimbra

06 de janeiro de 2016 às 10h05

Para as pessoas de mente curta,esse Freixo é o cidadão que no exercício da sua função como presidente dos direito humanos ameaçou entrar com uma ação contra o governo do estado e a Policia Militar por estarem abordando menores infratores nos ônibus que seguiam para as praias da zona sul do Rio,segundo ele essa ação era arbitrária por parte do governador e da polícia,lembram disso?

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    Maria Adelaide Silva

    06 de janeiro de 2016 às 15h18

    Lembro. E acho arbitrário fazer isso.

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    Gleyda Cordeiro Costa Aragão

    06 de janeiro de 2016 às 17h59

    Sim e acho que ele tem toda razão.

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    Ronaldo Coimbra

    06 de janeiro de 2016 às 18h08

    Maria Adelaide Silva e Gleyda Cordeiro Costa Aragão,parabéns,pessoas como vocês e o Freixo é que incentivam a criminalidade no nosso estado,bem que vocês deveriam adotar um pobre menor delinquente desse.

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      Rodrigo Cândido

      06 de janeiro de 2016 às 18h10

      E é por pessoas como o Ronaldo Coimbra que precisamos de artigos assim. Para afastar os pensamentos velhos, daqueles que só enxergam a superfície do problema.

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      Aluisio Farias

      06 de janeiro de 2016 às 20h12

      “Quadrilha é acusada de desviar milhões da saúde pública no RJ
      Materiais hospitalares, que deveriam ser destinados aos pacientes, eram desviados para uso em cavalos. MP afirma que golpe desviou R$ 48 milhões.”

      “O que um estábulo tem a ver com um hospital público? Para o Ministério Público, tem tudo a ver. O Fantástico mostra como agia uma quadrilha acusada de roubar milhões de reais da saúde. Até materiais hospitalares, que deveriam ser destinados aos pacientes, eram desviados para uso em cavalos de raça. Veja agora a vida de bacana de quem estava por trás desse esquema.”
      Os que geram a violência são pessoas como essas , entende ou quer que desenhe?

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      Moacir

      07 de janeiro de 2016 às 11h20

      Somos todos herdeiros. Herdamos a parte constituída da Cidade. Outros herdaram sua parte destituída. Como espera que os “ferrados” reajam? Urgente é perceber que essa forma de produzir as heranças “é uma roupa velha que não nos serve mais”.

      Responder

    Maria Adelaide Silva

    06 de janeiro de 2016 às 18h38

    Adoro essas frases feitas. Não vai mandar um “Vá para Cuba!”, também?

    Responder

    Maria Adelaide Silva

    06 de janeiro de 2016 às 18h40

    Embora moradora de Copacabana, não me considero dona do bairro, não tenho o direito de impedir que alguém vá à praia lá. Todos são cidadãos. Simples assim.

    Responder

    Ronaldo Coimbra

    06 de janeiro de 2016 às 18h42

    Lá eles também não querem quantidade e sim qualidade,porque estragar o pais com sua presença e essa mentalidade medíocre.

    Responder

    Ronaldo Coimbra

    06 de janeiro de 2016 às 18h44

    Maria Adelaide Silva Ir a praia é direito de todos,agora praticar roubos e atormentar a vida dos outros só você é que apoia.

    Responder

    Victor Tavares

    06 de janeiro de 2016 às 18h54

    Parabéns, Ronaldo. Por gente como você é que vivemos há 500 anos confundindo caso social com de polícia e achando “lindo” quando os direitos humanos funcionam lá fora. Você, achando-se entendendor e bem antenado, na verdade repete o mesmo discurso velho da política carcomida da repressão que NUNCA NUNCA vai funcionar, a não ser levando mais medo para o asfalto e pra favela. Pense um pouco. A política do Governo do Estado do RJ é a MESMA de sempre, a polícia do RJ é a que proporcionalmente MAIS MATA no mundo, segundo relatório da ONU. Será que já não deu pra perceber que não funciona? Errar é humano, repetir o erro há quantos séculos é….

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    Gerson Pompeu

    06 de janeiro de 2016 às 20h08

    É o ovo do fascismo sendo chocado em mentes fracas.

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    Rodrigo Hermsdorff Faria

    07 de janeiro de 2016 às 09h28

    O carioca adora o paeslhaço. .. Ta parecendo os paulistas com maluf..

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    Eliane Ferreira

    07 de janeiro de 2016 às 18h37

    Os menores não eram infratores, eram passageiros. Seriam infratores se e quando cometessem alguma infração. Viajar de ônibus para a Zona Sul ainda não é considerado infração. Se fossem louros e meninos do Leblon, jamais seriam considerados infratores por estarem em um ônibus. Ao citar o posicionamento de Freixo, o comentarista acima, defendeu o caráter do parlamentar.

    Responder

Maria Adelaide Silva

06 de janeiro de 2016 às 09h55

Palmas para o Freixo. Enquadrou o Paespalho.

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Mauricio Gomes

06 de janeiro de 2016 às 07h49

Toma Dudu! Arrogante, cínico e corrupto. Dizem as más línguas que é amante desse Pedro Paulo, mas aí já é outra história…

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