Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

CPMI no Congresso vai investigar aumento da violência no país

Por Redação

06 de janeiro de 2016 : 08h00

por Thiago de Araújo, no HuffPost Brasil

Enquanto você estiver lendo este texto do início ao fim, é grande a probabilidade de um brasileiro estar sendo morto por um disparo de arma de fogo no Brasil. São cinco mortes a cada hora. Por dia, 116 pessoas perdem a vida no País vítimas de uma bala. Entre 1980 e 2012, foram 880.386 brasileiros que perderam a vida por causa de um tiro.

Os dados são do mais recente Mapa da Violência, divulgado em maio de 2015 e que apresentou, em números, um cenário assustador, superior ao registrado em nações que vivem ou viveram períodos de guerra. Um total de42.416 pessoas foram vítimas de armas de fogo no Brasil em 2012, das quais 94,5% (40.077) foram resultado de homicídios.

Mesmo com tais números alarmantes – pode-se adicionar o número total de 56 mil assassinatos por ano no Brasil –, a Bancada da Bala conseguiu neste ano legislativo no Congresso Nacional fazer avançar o projeto de lei3722/2012, que revoga trechos importantes do Estatuto do Desarmamento (lei 10.826), facilitando o acesso a armas e afrouxando os controles regulatórios, hoje exclusividade da Polícia Federal.

Em 2016, o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já avisou que levará a proposta, de autoria do deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), ao plenário da Casa. Se aprovado, o projeto segue para o Senado. E é lá, na Casa dirigida por Renan Calheiros (PMDB-AL), que já começou uma reação contra o desejo de quem quer mais armas nas ruas.

Postagem do deputado Rogério Peninha Mendonça, resumindo o seu pensamento sobre o tema

Postagem do deputado Rogério Peninha Mendonça, resumindo o seu pensamento sobre o tema

No início de dezembro, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) entregaram a Calheiros o número de assinaturas necessárias para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar não só o tamanho da violência relacionada às armas de fogo, mas também para investigar a quem interessa alterar o Estatuto do Desarmamento. A expectativa é de que os trabalhos tenham início em fevereiro de 2016.

“Queremos saber quem está financiando no Brasil essa onda que pode nos levar a uma derrocada do Estatuto do Desarmamento. O projeto que avança na Câmara, ao nosso entendimento, tem financiamento direto da indústria das armas”, afirmou Randolfe ao HuffPost Brasil.

A suspeita tem fundamento: segundo levantamento do site Congresso em Foco, a indústria armamentista doou quase R$ 2 milhões nas eleições de 2014. Ainda de acordo com a mesma apuração, oito integrantes da comissão que discutiu na Câmara dos Deputados a revogação do Estatuto do Desarmamento receberam dinheiro de empresas de armas e munições. O Instituto Sou da Paz, que também acompanha o tema, apontou que, dos 30 candidatos beneficiados por doações dessas empresas, 21 conseguiram se eleger no ano passado.

Em defesa da proposta, o deputado federal Laudívio Carvalho (PMDB-MG) foi o autor de algumas frases de efeito para defender a ideia contra os dados conhecidos. “Não estamos armando a população. Estamos sim devolvendo o direito de defesa ao cidadão, já que o Estado é incompetente para garantir a segurança”, afirmou. E não foi só: “A falta de armas em casa é um convite à entrada de bandidos”, sentenciou.

Já Randolfe discorda.

“Acho que, naquele momento da campanha do sim [a favor do Estatuto do Desarmamento, em 2003], não foram esclarecidas as razões para que se tinha de proibir o uso de armas de fogo no País. Ao contrário do que se diz, o uso de armas de fogo não deixa o cidadão mais protegido, mas sim mais indefeso. Os números provam isso. Mesmo com ele em vigência, 70% dos atendimentos no SUS acontecem por vítimas de arma de fogo. Imagine o que será se ele for flexibilizado, como querem alguns”.

A CPMI das Armas é mais uma iniciativa em uma agenda legislativa bastante tomada pelas pautas conservadoras. Maior vítima da violência no Brasil, a juventude foi alvo de duas CPIs em 2015 – uma na Câmara, outra no Senado–, tendo ambas comprovado o que já se sabia: brasileiros entre 15 e 29 anos, a maioria negra, são as principais vítimas dos assassinatos. Para quem defende o estatuto atual, modificá-lo seria ir rumo ao retrocesso.

Segundo os dados do Mapa da Violência, 160 mil vidas foram salvas nos 27 Estados brasileiros graças ao Estatuto do Desarmamento. Destas, 113.071 vidas estimadas pertencem aos jovens. “Pelos dados trabalhados, concluímos que o maior impacto das políticas de controle das armas de fogo foi sua enorme capacidade preventiva dos homicídios juvenis. Os jovens representam 27% da população total, mas essas políticas conseguiram poupar a vida de 113.071 jovens num universo de 160.036, isto, é 70,7% das mortes evitadas foram de jovens”, analisou o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor do relatório.

Na opinião de Randolfe, o trabalho conjunto da Câmara e do Senado nesta CPMI pode, ao contrário do que se imagina, render frutos positivos. “Cada morte de arma de fogo, uma que seja, é um prejuízo incalculável para família, amigos, e para o próprio País. A CPMI vai querer saber quais as nossas vulnerabilidades, o que deve ser feito para impedir toda essa violência”, concluiu.

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11 comentários

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Leandro Ferreira Gomes

08 de janeiro de 2016 às 00h17

Se eu que moro numa area mais afastada da cidade for vitima de um assalto quero estar de igual para igual com o assaltante e não desarmado pra o cara me roubar e ainda me esculachar e matar é meu direito de defesa em um caso de levar meia hora para a chegada da policia a primeira linha de defesa sou eu meu irmão do contrario a pm vai só poder tirar fotos do que restou do meu corpo morto no local.sou trabalhador honesto não sou vagabundo e não quero cometer crime nunca na minha vida mas não quero que nada de mal me aconteça então só me resta uma arma limpa em ponto de disparo esperando devidamente travada e escondida na cintura e não tenho… mas quero ter o direito sim…como as coisas estão hoje em dia to correndo risco direto e muitos estão na mesma então os politicos que querem desarmar tirem as armas de seus seguranças depois venham falar em desarmar.

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Ana Julia Rodrigues

07 de janeiro de 2016 às 08h26

“O presidente norte-americano citou o caso do Estado de Connecticut, que registrou uma queda de 40% nos homicídios por armas de fogo após implementar a obrigatoriedade de se checar os antecedentes do comprador. No Estado do Missouri, a medida levou o número de morte por armas a 50% da média nacional.

Após o pronunciamento, Obama postou uma mensagem no Twitter em que pede que os norte-americanos que desejam que o Congresso trate do assunto participem de um abaixo-assinado. “Adicione seu nome se você acha que está na hora do Congresso enfrentar o lobby das armas e ajudar a acabar com a violência”, diz o tuíte, que inclui o link para a petição.”

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Ana Julia Rodrigues

07 de janeiro de 2016 às 08h24

enquanto isso nos EUA….”‘Lobby das armas’ não pode manter Estados Unidos como refém, diz Obama
Redação | São Paulo – 05/01/2016 – 15h39
Presidente dos EUA ‘dribla’ Congresso e anuncia medidas para AUMENTAR CONTROLE DE ARMAS NO PAÍS, entre elas AMPLIAÇÃO DE CHECAGEM DE ANTECEDENTES DE COM PRADORES!”

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Ana Julia Rodrigues

07 de janeiro de 2016 às 08h21

“A idade mínima para a compra de armas cai de 25 para 21 anos. O projeto libera a compra de armas para quem já esteve preso e também para pessoas investigadas por crimes violentos, o que é proibido pelo estatuto.( isso tem lógica?)

O registro de arma passa a ser definitivo e a validade do porte é estendida para 10 anos. Hoje, tanto o registro quanto o porte devem ser renovados a cada três anos.(isso tem lógica?)

Pelo projeto, o candidato ao porte de arma precisa apenas fazer um curso de dez horas aula. Deputados e senadores também poderão andar armados. Órgãos de segurança dos estados e do Distrito Federal poderão fazer o registro e autorizar o porte de arma. Hoje, só a Polícia Federal faz isso.”(isso tem lógica?)

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Pietro Azzulk

06 de janeiro de 2016 às 18h43

Os barões do dinheiro, que vão mata o povo.

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Nilvea Reinert

06 de janeiro de 2016 às 18h14

Eu nao tenho, acho isso horrivel.

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Ari Pardinho

06 de janeiro de 2016 às 16h08

Quem mais mata no Brasil são as policias,e matam pessoas dominadas e desarmadas.temos o direito de defender nossas famílias ou não?somente os cidadãos de bem foram desarmados.o que mais se vê neste país são bandidos armados assaltando e matando.e aí?os que defendem o desarmamento são inimigos do povo e defensores de bandidos?

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Claudio Paulon de Carvalho

06 de janeiro de 2016 às 11h57

Charles Delvaux

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Eduardo Santtos

06 de janeiro de 2016 às 11h29

A sociedade brasileira não quer isso, os oportunistas de plantão querem se aproveitar da turbulência política. Fiquemos de olho!!!

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Marcos Marcos

06 de janeiro de 2016 às 10h53

Não é bom armar o Brasil. Se alguém ler a Revista Veja, vai querer usar pelo fato de concordar ou discordar. É uma insanidade….

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