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Cooperação internacional: o interesse dos EUA e do Brasil. Por Luís Nassif

Por Redação

11 de janeiro de 2016 : 19h48

Provavelmente a intenção da Folha, ao entrevistar a brasilianista Barbara Weisntein – da Universidade de Nova York – foi mostrar o estado deplorável de corrupção que assola o Brasil

Mas a boa entrevistadora, Sylvia Colombo, arrancou uma informação que reforça o que se tem dito aqui sobre a geopolítica da cooperação internacional (o acordo de parceria entre órgãos de investigação dos diversos países).

Perguntou sobre as comparações entre Brasil e EUA:

“Os EUA têm uma particularidade. Muita coisa que acontece aqui não conta como corrupção porque está dentro da lei, mas é moralmente errado e isso tem impacto na situação de pessoas menos privilegiadas”, respondeu a brasilianista.

Há tempos vimos alertando para o fato de que a cooperação internacional se transformou em território da geopolítica norte-americana.

Os Estados Unidos são historicamente uma sociedade organizada em torno de interesses corporativos explícitos. O Departamento de Estado, de Justiça e o próprio FMI sempre estiverem atrelados à lógica corporativa do país. Desde sempre as grandes multinacionais se constituíram no braço externo do poder nacional.

Esse pragmatismo norte-americano criou uma regulação permissiva para as formas de relacionamento corporações-poderes públicos. O lobby é regulamentado, assim como as contribuições de campanha. Aceita-se como natural até a retribuição dos presidentes eleitos aos grupos econômicos aliados, que chega ao limite das guerras nacionais. É só lembrar a guerra do Iraque e as empreiteiras da era Bush.

Em 1952, o Secretário do Tesouro norte-americano George Humphrey só concordou em liberar um financiamento ao Brasil depois que a Hanna Mining foi compensada da perda da exploração do manganês do Amapá.

O pragmatismo norte-americano chega ao ponto de permitir ao presidente da República conceder o indulto a empresários acusados de corrupção, em nome do chamado interesse nacional.

O conceito de corrupção nos EUA

Quando o narcotráfico e o terrorismo obrigaram a um cerco econômico sobre o crime organizado, houve restrições à ação corruptora de empresas norte-americanas, mas limitadas ao pagamento de propinas. Todos os demais instrumentos de guerra comercial continuaram sendo empregados à larga, principalmente o exercício do poder de Estado da nação mais poderosa do planeta.

Dia desses, uma fonte do MPF admitiu a um colunista da Folha haver interesses econômicos por trás da cooperação internacional (ufa!). Mas explicou que os EUA apenas querem igualdade de condições, depois que a legislação antiterror obrigou a restringir a ação corruptora de suas multinacionais.

Igualdade de condições? Como haver igualdade de condições se as mesmas práticas são  toleradas por lá e colocadas sob investigação por aqui?

Nesses tempos de Lava Jato, os vazamentos tentaram criminalizar de tudo, de ações diplomáticas na África até financiamentos às exportações, financiamentos do BNDES, incentivos regionais.

Nem lhes chamou a atenção o fato do Departamento de Justiça, sem que fosse solicitado, passasse dados sobre a corrupção na Eletronuclear.

A insensibilidade em relação ao destino das empresas, dos empregos e da tecnologia investida é espantosa. A ideia de criminalizar pessoas jurídicas – e não pessoas físicas – não encontra respaldo em nenhuma legislação moderna. Não é racional.

A visão conspiratória de que, salvando as empresas, salvam-se os acionistas, já que os negócios são  todos imbricados, não resiste a um mero exercício de lógica:

  1. Os acordos de leniência pressupõem o ressarcimento ao Estado de valores identificados com a corrupção. Tem que haver pagamento.
  2. Se tem que haver pagamento, e se o governo recebe, o dinheiro ou sai do controlador (vendendo a empresa) ou da empresa.

Na medida em que o combate à corrupção se torna um valor maior, o MPF tem que desenvolver uma jurisprudência interna, uma discussão mais objetiva sobre disputas comerciais, para diferenciar a corrupção propriamente dita das estratégias comerciais e do chamado interesse nacional. A Lei de Leniência é um primeiro passo.

Não faltam no MPF grandes procuradores especializados em direito econômico para enriquecer a discussão.

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19 comentários

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Enio

12 de janeiro de 2016 às 12h56

A elite criminosa tem MEDO do povo brasileiro.

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Raimundo Freitas Freitas

12 de janeiro de 2016 às 13h55

O Pré Sal por enquanto, é economicamente inviável! O Brasil não tem dinheiro para a exploração, considerando que para isso, é necessário que se tenha, dezenas de navios sonda.Haja Bumlais ! Ora, se toda vez que liberar um, rola uma propina de R$ 1,5 bilhão, o PT vai acabar o resto do Tesouro!

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    Marcelo Pires

    12 de janeiro de 2016 às 14h59

    Algumas pessoas são desinformadas . . . Com a questão de fechar contratos com a China nós teremos tecnologia para viabilizar o PRÉ-SAL . . . Sim do interesse da China . . . Mas ela investirá com fábricas e indústrias no Nordeste . . . Transformando a região de maior produção no Brasil e com empregos . . . E. Em troca petróleo e gás . . . Não dependeremos mais do EUA . . . Tornaremos nossa moeda mais forte que o dólar e assim voltaremos como referencia ECONÔMICA NO MUNDO . . . SÁ METAS A SEREM ALCANÇADAS . . . MAS A ” DIREITA ” . . . COXINHAS AMERICANIZADAS . . . NÃO PERMITIRIAM ISSO . . . NO CASO ” GOLPE ” . . . ENTÃO CARO AMIGO EXISTE UMA ” HISTÓRIA ” POR TRÁS DO GOLPE . . . TALVEZ VCS NÃO ENXERGUEM ISSO POR TAREM ” CEGO ” PERANTE FALSAS PROPAGANDAS A FAVOR DO IMPECHEMENT . . .

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    Marcelo Pires

    12 de janeiro de 2016 às 15h02

    Ibope comprova: mídia joga contra o Brasil

    02/06/2015 Miguel do Rosário
    14181732
    Isso é muito grave!

    O Ibope detectou que 41% dos brasileiros acham que a mídia pinta um cenário mais negativo do que é na realidade.

    Se isso prejudica o país em bons momentos da economia, porque desestimula o investimento, imagine num cenário de stress econômico?

    A mídia brasileira está, literalmente, sabotando a economia brasileira.

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    Marcelo Pires

    12 de janeiro de 2016 às 15h05

    E ASSIM PROVOCANDO CAOS E INDIGNAÇÃO NO POVO PARA MANIFESTAREM A FAVOR DO IMPECHEMENT . . . SÓ ENTENDER QUEM QUER . . . FICA A DICA . . . E O MUNDO INTEIRO PASSOU A RECESSÃO E AGORA É A NOSSA VEZ . . . DEVERÍAMOS SER MAIS PATRIOTAS E BRASILEIROS E TENTAR JUNTOS ENFRENTAR PROBLEMAS EM NOSSO PAÍS . . . EM VEZ DE FICAR RECLAMANDO . . .

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    Fred Brasil

    12 de janeiro de 2016 às 15h53

    Inviável? o pré-sal já está sendo explorado com recordes mensais de barris. Informe-se antes de publicar o que não sabe.

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    Victor Fernandes

    12 de janeiro de 2016 às 17h57

    PTralhas jogaram a petobras na lama, bando de politico safado. E quem defende qualquer politico ou partido e safado e ladrao do mesmo jeito. Que merda um lixo falando de patriotismo e defendendo governo safado. Vao pra cuba seus ignorantes de merda. Poise batem recordes mensais de barris e a gasolina so subindo….

    Responder

    Raimundo Freitas Freitas

    12 de janeiro de 2016 às 18h04

    Fred Brasil ” Nenhum local de trabalho, nenhuma instituição de ensino, nenhuma informação na time line” Quem é você? De que você entende? O que você sabe de récordes de exploração? Você nem existe! Fake! kkkkkkkkkkkkkkk

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    Raimundo Freitas Freitas

    12 de janeiro de 2016 às 18h07

    Marcelo Pires Se for a China pode, vai investir! Se for EUA, Inglaterra, França, Dinamarca, Alemanha, então é ” imperialismo! BOBÂO! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    Vera Lu Cruz

    12 de janeiro de 2016 às 19h05

    é bem assim, se for a China pode. Se for EUA não pode não. Já tinham acertado a venda bem antes dessa ‘crise’. Disse o senador Requião falando no senado em frente ao traidor que se comprometeu vender. Vender pq, naquela época ??? Ah….vá.

    Responder

Carlos Saleme

12 de janeiro de 2016 às 09h23

Todo o desvio da Lava Jato começou na empolgação do pré sal! E quanto assalto!

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    antonio, Palmas-TO

    12 de janeiro de 2016 às 09h25

    Como isso?. Por caso você é um diretor de uma empresa americana ou um coxinha?

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    Marcelo Pires

    12 de janeiro de 2016 às 15h11

    QUANTA DESINFORMAÇÃO EM ” COXINHA ” . . . APESAR QUE A CORRUPÇÃO DA PETROBRAS 80 % porcentos DOS PARTIDOS ENVOLVIDOS É DA ” OPOSIÇÃO DA DILMA ” . . . ENFIM O DELEGADO DA PF NA INVESTIGAÇÃO DESCOBRIU QUE ESSA CORRUPÇÃO VEM ANTES DO GOVERNO DO FERNANDO HENRIQUE ERA DA ÉPOCA DO ITAMAR FRANCO . . . FICA A DICA CARO AMIGO . . .

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    Fred Brasil

    12 de janeiro de 2016 às 15h55

    A corrupção na petrobrás começou antes, muuuuito antes.

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    Carlos Saleme

    12 de janeiro de 2016 às 16h42

    Verdade, mas atingiu níveis escandalosos, incontroláveis e afundou a empresa. Antes sobrava um pouco!

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Marcelo Pires

12 de janeiro de 2016 às 00h03

SIM . . . É POR ISSO QUE SE COMEÇOU O FATO DO ” GOLPE ” . . . UNS DOS MOTIVOS DO ” GOLPE ” . . . É O PRÉ-SAL . . . O BRASILEIRO QUE NÃO VÊ ISSO . . . DERRUBANDO A DILMA A OPOSIÇÃO FICARIA SOBRE O CONTROLE DO PR-SAL E AÍ SÓ DEUS SABE O QUE ELES (direita) IAM FAZER COM O PRE -SAL E QUANTOS MILHÕES DE DÓLARES NAS CONTAS DA SUÍÇA IRIAM PARAR . . . POR ISSO ESSE DESESPERO OU OBSESSÃO EM TIRAR A DILMA DO PODER . . . ERA UM PLANO ARQUITETADO E ELABORADO PRA TIRAR A DILMA DA PRESIDÊNCIA . . . MAS INFELIZMENTE NÃO DEU CERTO . . .

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    Hell Back

    12 de janeiro de 2016 às 11h55

    “INFELIZMENTE”???(sic) Por acaso você é um coxinha?

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Roberto Oliveira

11 de janeiro de 2016 às 23h11

Responder

    Hell Back

    12 de janeiro de 2016 às 11h57

    Não só isso. Temos também o caso da explosão do foguete da Base de Alcântara no Maranhão.

    Responder

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