Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Janio: decisão de Moro tem base só em sua própria vontade

Por Redação

21 de janeiro de 2016 : 15h17

por Fernando Brito, no Tijolaço

Janio de Freitas, em sua coluna de hoje na Folha, é rara exceção no coro de conformismo com o “direito” do Dr. Sérgio Moro conduza os casos da Lava Jato de forma atrabiliária e atropelando a higidez das provas, diante de uma evidente e inexplicável omissão em depoimento de delato, no caso Paulo Roberto Costa, contra réu, Marcelo Odebrecht.

Não há, no Brasil, jornalista com mais tradição e história no combate a abusos ou corrupção de empreiteiros. Foi dele, nos anos 80, a aplicação do “truque” de publicar, em anúncios classificados de jornal, resultados de concorrências “acertadas”, como forma de provar a sua desonestidade.

Quando chegamos ao ponto de um jornalista ter de dar aulas de prudência, ponderação e cuidado a um juiz, está evidente que há uma completa distorção do papel da Justiça, que passa a um ringue de “vale-tudo”, onde a regra única é satisfazer a sede de sangue da doentia plateia deste tipo de espetáculo.

Umas palavras (e outras)

por Jânio de Freitas, na Folha

Ainda com a carta pública dos 104 advogados fervilhando entre apoiadores e discordantes, a também discutida retenção de Marcelo Odebrecht na prisão dá margem a mais um incidente processual do gênero criticado na Lava Jato. Em princípio, trata-se de estranha omissão ao ser transcrita, da gravação para o processo, da parte da delação premiada de Paulo Roberto Costa que inocenta Marcelo de participação nos subornos ali delatados. Mas o problema extrapolou a omissão.

Já como transcrição na Lava Jato do que disse e gravou o delator muito premiado, consta o seguinte: “Paulo Roberto Costa, quando de seu depoimento perante as autoridades policiais em 14.7.15, consignou que, a despeito de não ter tratado diretamente o pagamento de vantagens indevidas com Marcelo Odebrecht” –e segue no que respeitaria a outros.

As palavras de Paulo Roberto que os procuradores assim transcreveram foram, na verdade, as seguintes: “Então, assim, eu conheço ele, mas nunca tratei de nenhum assunto desses com ele, nem põe o nome dele aí porque ele, não, ele não participava disso”.

É chocante a diferença entre a transcrição e o original, entre “não ter tratado diretamente com Marcelo Odebrecht” e “nem põe o nome dele aí por que ele, não, ele não participava disso”. A reformulação da frase e do seu vigor afirmativo só pode ter sido deliberada. E é muito difícil imaginar que não o fosse com dose forte de má-fé. Do contrário, por que alterá-la?

Não é o caso de esperar por esclarecimento da adulteração, seu autor e seu propósito. Seria muita concessão aos direitos dos cidadãos de serem informados pelos que falam em transparência. No plano do possível, a defesa de Marcelo Odebrecht, constatada a adulteração, requereu a volta à instrução processual, do seu início e com a inclusão de todos os vídeos da delação, na íntegra e não só em alegadas transcrições.

O juiz Sergio Moro decidiu contra o requerido. Considerou os pedidos “intempestivos, já que a instrução há muito se encerrou, além das provas pretendidas serem manifestamente desnecessárias ou irrelevantes, tendo caráter meramente protelatório”. E, definitivo: “O processo é uma marcha para frente. Não se retornam às fases já superadas”.

Não é a resposta própria de um magistrado com as qualificações do juiz Sergio Moro. É só uma decisão. Baseada em vontade. Resposta, mesmo reconhecendo-se a situação delicada do juiz Sergio Moro, seriam as razões propriamente jurídicas (se existem) para negar o pedido.

“Intempestivos” os pedidos não são. Se apenas agora foi constatada a transcrição inverdadeira, não havia como pedir antes qualquer medida a partir dela. Logo, tempestivo este pedido é. Uma instrução está “encerrada” quando não há mais o que precise ou possa ser apurado, como complemento ou aperfeiçoamento. Se há uma transcrição infiel, ou qualquer outro elemento incorreto, as provas que o corrijam são “necessárias e relevantes” porque o erro prejudica a acusação ou a defesa, ou seja, compromete o próprio julgamento de valor entre culpa e inocência. Se está demonstrada a necessidade objetiva de correção, não há “caráter protelatório”, há o indispensável caráter corretivo.

“Processo” é, por definição, um movimento que implica todas as variações, de ritmo, de sentido, de direção, de avanço ou recuo, e mesmo de intervalos de paralisação. Processo não é só “marcha para a frente”. E, no caso dos processos judiciais, se o fossem, não haveria –talvez para alegria da Lava Jato– segunda e terceira instâncias de julgamento, que são diferentes retornos às entranhas dos processos.

Como se tem visto, o decidido, decidido está. Mas o provável é que não sobreviva à instância superior, se lá chegar e seja qual for a posição de Marcelo Odebrecht entre a inocência e a culpa.

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52 comentários

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Enio

30 de janeiro de 2016 às 13h27

Essa elite criminosa tem MEEEEDO do povo brasileiro e do Lula 2018.

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Ge Munhoz

25 de janeiro de 2016 às 12h51

Natalino Megiorin ,nem perdi ,pq nunca confiei, nem nele e nem no moço Moro. Bom dia para o Sr.

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Zé Damata

23 de janeiro de 2016 às 14h22

Oque o STF e o ministério da justiça tem a esconder? Nada? Então por que os mesmos permitem que uma primeira instância os dominem? Se o STF e o MJ permitem a manipulação da empresas midiáticas sobre os agentes da justiça, permite então a destruição do estado de direito, da liberdade e se torna refém da oligarquia exploratória externa e interna. Penso que todo conflito, no fundo há muito dinheiro e poder envolvidos, há de aparecer a luz para clarear a história.

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Cilene Pares

22 de janeiro de 2016 às 15h42

e a Lei, a Justiça, como ficam?

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Debora Wanderley

22 de janeiro de 2016 às 14h45

L’ état c’est moi. O reinado do Rei Sol reeditado no Brasil.

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Marcus Vinicius Meschini

22 de janeiro de 2016 às 14h33

Numeros da foto abaixo… Culpa do Moro…
Kkkkkkkkkk
.

Responder

Marcus Vinicius Meschini

22 de janeiro de 2016 às 14h20

Culpa de Moro também
.

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Marcus Vinicius Meschini

22 de janeiro de 2016 às 14h19

Moro, é culpado pelas ações da Petrobrás valerem menos que uma cerveja…
Kkkkkkkkkk

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Ivan Lima- Bolsonaro Presidente 2018

22 de janeiro de 2016 às 11h10

Interessante a acusação de que Moro tem tomado decisões baseadas em sua própria vontade, e ninguém até agora o contestou juridicamente, será que neste país não tem desembargador? O choro é Livre!

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Sandra Francesca de Almeida

22 de janeiro de 2016 às 10h10

Operação Tucana a Jato, em mais uma demonstração de parcialidade e voluntarismo explícitos do senhor juiz Moro.

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Natalino Megiorin

22 de janeiro de 2016 às 08h35

Bom dia SR. Munhoz eu confio sim sabe porque eu nao perdi a confiança ? O SR PERDEU

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Ira Junior

22 de janeiro de 2016 às 04h31

A máxima “dormientibus non assist jus” é universal, portanto a todos aplicável.
Ademais, há recursos previstos em lei. Portanto, se os advogados caros dos réus da lava a jato se prestam ao papel de conturbar o devido processo legal, é porquê às suas pretensões não lhes assiste qualquer amparo legal.
Portanto que se deixem de mimimi porquê a lei e suas regras de processamento são válidas e aplicáveis a pretos, brancos, pardos, cafusos, mamelucos, pobres e RICOS, não havendo qualquer razão de se pretender priorizar a este ou àquele.
Correto, pois, o processamento dos feitos na “Lava a Jato”.

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    Mânia Horta Fernandes Ferreira

    23 de janeiro de 2016 às 01h42

    Que ira, hein???

    Responder

    Ira Junior

    23 de janeiro de 2016 às 04h57

    Irado fico mesmo é com o tamanho descalabro e assalto aos cofres públicos deste nosso já tão combalido Brasil. Acima apenas teci tecnicidades a derrubar vagos argumentos de estar sendo burlado o “due process of law” (devido processo legal), pela Justiça Federal de Curitiba, o que é uma falácia

    Responder

    Simone Dos Santos

    25 de janeiro de 2016 às 04h48

    Tadinho..vive no perfeito mundo de Bob..os magistrados no Brasil dão só uma máfia que se julgam deuses, se julgam acima da lei

    Responder

    Ira Junior

    25 de janeiro de 2016 às 09h46

    Simone Dos Santos , já notei q vc é adoradora de Pezão et caterva, e não perco tempo com fanáticos adoradores de corruptos. São acusações sérias as que vc faz sem provas, diversamente das apuradas sobre seus ídolos. Minhas colocações são meramente legalistas e avessas ao pretendido totalitarismo despótico de seus “cumpanheros”, que, esbraveje vc, ou não, estão com os dias contados por força da saúde das instituições democráticas deste país verde e amarelo.

    Responder

Iran Guerreiro

22 de janeiro de 2016 às 02h32

http://youtu.be/M5bOtqmvJHE

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Luis Bazaglia

22 de janeiro de 2016 às 00h58

Moro eleva a taxa da SELIC a 14,25% e aumenta o desemprego para 10 milhões.

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    Simone Dos Santos

    25 de janeiro de 2016 às 04h48

    Falou o “banqueiro” ? ? ?

    Responder

    Luis Bazaglia

    25 de janeiro de 2016 às 10h50

    Banqueiro não, bancário. E os programas sociais do governo são pagos com os impostos dos bancários e não dos banqueiros, uma vez que esse governo nao tem coragem de mexer na alíquota dos mais ricos.

    Responder

Paulo Piza

22 de janeiro de 2016 às 00h07

A injustiça tem nome e sobrenome:Sergio Moro!

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Luiz Henrique

21 de janeiro de 2016 às 23h57

MORO MOLEQUE DE RECADO DA MÍDIA GOLPISTA E DO PSDB, TRABALHA CONTRA A DEMOCRACIA E O ESTADO DE DIREITO.

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    Iran Guerreiro

    22 de janeiro de 2016 às 02h33

    Já recuperou 2 bilhões roubada pela quadrilha petista !!

    Responder

    Iran Guerreiro

    22 de janeiro de 2016 às 02h36

    Moleque macho esse Moro !!
    Já recuperou 2 bilhões roubada pela quadrilha petista e pmdb

    Responder

    Luiz Henrique

    23 de janeiro de 2016 às 10h40

    Iran Guerreiro ELE DEVERIA RECUPERAR TAMBÉM OS 17 BILHOES ROUBADO DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS PELO ENTÃO GOVERNADOR AECIO NEVES O NOIADO DO PSDB, AI EU DIRIA EITA CABRA MACHO DE VERDADE, MAS ELE SÓ MIRA E ATIRA EM UMA ÚNICA DIREÇÃO, PARECE QUE ELE TEM MEDO DO IBAMA, NÃO ACERTA EM NENHUM TUCANO.

    Responder

Waldecy Carlos Dionisio

21 de janeiro de 2016 às 23h03

Juiz que se acha o dono da verdade, parcial e exibicionista, tem carreira curta na magistratura!

Responder

Ge Munhoz

21 de janeiro de 2016 às 22h44

Seerio que o Sr confia nele???

Responder

Cleudes Fernandes

21 de janeiro de 2016 às 22h07

Dr Moro bota aí um do psdb, pra disfarçar

Responder

Paulo Guarnieri

21 de janeiro de 2016 às 22h00

Vai lá juiz o Brasil está com VC!!!!

Responder

Messias Franca de Macedo

21 de janeiro de 2016 às 19h42

VÍDEO ESTARRECEDOR

O deputado Jutahy Magalhães Junior – propina do Petrolão e natureza antinacionalista

E o ‘lhano’ juiz Sérgio Moro

https://www.youtube.com/watch?v=k-fE3OmeqBg

Responder

Marisa Calage

21 de janeiro de 2016 às 21h11

Temos um rei?

Responder

Kalleb Wood

21 de janeiro de 2016 às 20h49

Moro, J. Barbosa, inimigos do PT. A síndrome petista da conspiração. Segundo Siba, a culpa é da CIA

Responder

Célia Nadir Anselmi

21 de janeiro de 2016 às 20h24

Ah vá! Quer dizer que ele é o único juiz no Brasil? Não existe o Supremo? Lavem a boca com soda caústica antes de falar do Moro.

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Maria Inês Conti Deak Locatelli

21 de janeiro de 2016 às 19h08

Agora, se não tem provas o juiz inventa???? Estamos fritos!

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Tiago Arthur Tiago

21 de janeiro de 2016 às 19h04

vontade do povo !!!!!!!!!!!

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Cláudio Vieira Vieira

21 de janeiro de 2016 às 18h46

#ExplicaMoroPorqueSóPT

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    Marcos Souza

    21 de janeiro de 2016 às 18h44

    #Porqueopeteroubademais

    Responder

Fabrício Mito

21 de janeiro de 2016 às 18h27

Podem espernear… Juiz Sérgio Moro, herói do povo brasileiro

Responder

Bernardete Oliveira de Carvalho

21 de janeiro de 2016 às 18h26

Novidade?

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Eva Hemorgenes

21 de janeiro de 2016 às 18h09

Verdade.

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    Raimundo Freitas Freitas

    21 de janeiro de 2016 às 18h14

    Se você exercer a função de enfermeira, como entende de Direito, vai matar todo mundo! Basta Jânio, desonra da família Freitas, que como comentarista jurídico, entende tudo de economia e política!

    Responder

    Eva Hemorgenes

    21 de janeiro de 2016 às 18h16

    Não entendi. Explica isso aí. Sou técnica de enfermagem , esterilização de instrumentos . Direito estou estudando ainda .

    Responder

    Eva Hemorgenes

    21 de janeiro de 2016 às 18h23

    Porque falei que sou honesta e isso?
    Ser honesto e obrigação.

    Responder

    Raimundo Freitas Freitas

    21 de janeiro de 2016 às 18h28

    Eva Hemorgenes Está explicado porque você não entendeu!

    Responder

    Eva Hemorgenes

    21 de janeiro de 2016 às 18h39

    Eu não tenho que te explicar nada mas entendi o motivo do seu comentário. Não na hora.
    Somos de movimentos diferentes.
    Desculpe.
    Mas eu não matei ninguém.
    Desculpe.

    Responder

Marcos Souza

21 de janeiro de 2016 às 15h54

Ué, e queriam que o Moro decidisse com base na vontade de quem ? De Lula ? De Lewandowisk ? Se dependesse da vontade desses dois, nenhum corrupto estaria preso ! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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