Live com Miguel do Rosário (convidado especial: Luiz Moreira)

Cultura do preconceito e do autoritarismo

Por Theo Rodrigues

27 de junho de 2016 : 14h19

Por Theo Rodrigues, colunista do Cafezinho

 

“Diversão hoje em dia não podemos nem pensar

Pois até lá nos bailes, eles vêm nos humilhar”

 

“Uma ameaça devastadora”. Com essas palavras o deputado estadual Milton Rangel definiu a cultura do Funk em assustador artigo publicado hoje no jornal O Globo.

Intitulado “Cultura da futilidade” o artigo do líder do DEM na ALERJ argumenta – se é que podemos chamar de argumento – que “seria o cúmulo da vergonha considerar um tipo de música tão vulgar e ridícula como forma de manifestação cultural”.

O texto consiste em um misto de autoritarismo e preconceito do início ao fim. Em suas palavras,

“O funk está ligado à banalização do crime e à vulgaridade. Funk não é cultura da favela. É cultura dos bandidos”.

Ora, mas quem é Milton Rangel para dizer o que é manifestação cultural e o que não é? Será ele o presidente da Comissão de Cultura da ALERJ? Será um artista popular? Ou um estudioso do tema? Uma breve pesquisa sobre sua biografia não parece indicar nada disso. Pelo contrário…

Matéria publicada no jornal O Dia de 4 de abril de 2015 indica o inverso. De acordo com o jornal, “a 4ª Vara de Fazenda Pública considerou Rangel culpado em um processo, que está em segredo de Justiça, por contratos fraudulentos com a Secretaria Estadual de Saúde, no governo de Rosinha Garotinho”. Diz ainda que Rangel foi “condenado por improbidade administrativa pela Justiça por desvio de R$ 5 milhões da saúde pública do Rio”.

Outra matéria da Agência Brasil de 30 de outubro de 2014 mostrou que a Procuradoria Regional Eleitoral no Rio de Janeiro (PRE/RJ) propôs a cassação de Rangel por ter utilizado a Igreja Mundial do Poder de Deus para fazer sua campanha eleitoral em 2014.

Antes de se preocupar em censurar a cultura popular, Rangel deveria explicar melhor por que tantos processos da justiça correm contra sua pessoa.

Aliás, talvez o deputado ainda não saiba, mas quem definiu que o Funk é uma “manifestação cultural” foi a própria ALERJ através da Lei nº 5543, de 22 de setembro de 2009.

Num país com tanta desigualdade social é a cultura do funk que traz um pouco de alegria e sentimento de comunidade aos mais pobres de nossa sociedade. O que merece nosso desprezo é a cultura do preconceito e do autoritarismo.

 

Theo Rodrigues é sociólogo, cientista político e Coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Theo Rodrigues

Theo Rodrigues é sociólogo e cientista político.

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7 comentários

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johony

28 de junho de 2016 às 09h50

O funkeiro ostentação com espaço na mídia é recebido por apresentadores e bajulados em matérias de ostentação, picos enormes de audiência e por ai vai andando a carruagem, o grande problema é o funkeiro favelado, pobre, o preconceito brasileiro é um monstro à serviço da exclusão.
Não vi uma linha escrita sobre o político corrupto até o momento, preconceito 7 x 1 cidadania.

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Lair Amaro

28 de junho de 2016 às 06h36

Inclusive nos comentários percebe-se como o funk ainda é alvo de tantos preconceitos.

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João Luiz Brandão Costa

27 de junho de 2016 às 18h32

Manifestação cultural ou não, do ponto de vista musical, isto é, partindo-se do princípio de que se queira classificar o funk como música, pessoalmente abomino. O pancadão, pode ser até dança. Mais é, para meu gosto, é repetitivo, agressivo sonoramente irritante.. Mas respeito quem goste. Só, por favor, vá curtir ao menos uns trocentos metros longe de mim. Quanto ao conteúdo, lembram-se das origens do samba, que até os anos 20 era considerado música de marginais? A propósito, fico com esta estrofe de uma música, se nãop me engano de LÇuos Melodia
Sou do samba, sou funqueiro/
eu sou do Rio de Janeiro/
Sou Cariooooca/
Sou Cariooooca.

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Roberto

27 de junho de 2016 às 18h13

Como diz um funk “mais de 30 engravidou”!

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Marcus Padilha

27 de junho de 2016 às 18h09

olha, de boas, funk soh serve pra emburrecer ainda mais os pobres

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Paulo Roberto Àlvares de Souza

27 de junho de 2016 às 17h55

Deixa que os funkeiros se encarregaram de mostrar à esse marginal com quantos paus se faz uma jangada.

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    Roberto

    27 de junho de 2016 às 18h13

    Ou quantos “30 engravidam” uma moça desacordada

    Responder

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