Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Será que agora vai? Ciro Gomes, José Cardozo e Ivan Valente falam em unir a esquerda contra o golpe

Por Redação

18 de julho de 2016 : 09h31

Foto: Rebeca Belchior/ CUCA da UNE

por Carlos Eduardo, editor do Cafezinho

Depois do episódio lamentável na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, em que as bancadas dos principais partidos de esquerda foram incapazes de entrar em consenso para lançar uma única candidatura, o ex-ministro Ciro Gomes, o ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo e o deputado federal Ivan Valente (PSol-SP) reforçaram a necessidade das forças progressistas superarem suas divergências e buscarem saídas para a crise política.

A desunião no campo da esquerda e a ideia estapafúrdia do PT em apoiar um candidato do PMDB, mesmo depois de tudo o que aconteceu e o golpe caminhando a passos largos, rendeu um intenso debate no Cafezinho, relembre alguns posts:

Após o ‘dia de infâmia’ para a esquerda na Câmara, como bem descreveu o jornalista Breno Altman, foi consenso entre debatedores e a plateia que a unidade deve pautar os próximos passos das forças progressistas. Somente assim conseguiremos barrar o golpe e os retrocessos impostos pelo governo golpista de Michel Temer.

Será que finalmente agora os líderes da esquerda deixam suas desavenças e egos de lado, e se unem em prol de um bem maior?

Abaixo segue matéria do Correio do Brasil, com informações da CUCA da UNE.

***

Ciro Gomes, Cardozo e Valente falam em união das esquerdas diante do golpe

Foi consenso entre debatedores e plateia, majoritariamente de estudantes, que a unidade deve pautar os próximos passos das forças progressistas diante do golpe, em curso

no Correio do Brasil, com informações da CUCA da UNE

Reunidos na conferência do Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg) da União Nacional dos Estudantes (UNE), que se encerra neste domingo, os ex-ministros Ciro Gomes e José Eduardo Cardozo, com o deputado Ivan Valente (PSOL/SP) e representantes partidários defenderam a unidade das legendas de esquerda em nome da democracia. O golpe de Estado, em curso no país, foi a principal agenda na última mesa do segundo dia e todos os oradores reforçaram a necessidade de forças progressistas superarem divergências e buscar saídas para a crise

Sob o tema “saídas para a crise”, o ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes, o ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo, o líder do PSOL na Câmara, deputado Ivan Valente, e Márcio Cabreira, representante do Partido Pátria Livre (PPL), encerraram o segundo dia de debates do 64º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg), da União Nacional dos Estudantes (UNE), na noite passada.

Foi consenso entre debatedores e plateia, majoritariamente de estudantes, que a unidade deve pautar os próximos passos das forças progressistas, como forma de barrar o golpe e os retrocessos impostos pelo governo interino de Michel Temer.

— Estamos perdendo a batalha da chama da democracia não só para esse bando de picaretas golpistas, mas para os nossos erros. Precisamos aclarar essa confusão e seguir o rumo da unidade — disse Ciro Gomes.

O ex-ministro apoia o debate sobre a nação.

— Não temos como afirmar nada sobre o futuro do país. Nós precisamos conversar sobre o Brasil mais profundamente. É preciso iluminar a confusão de maneira que a gente saia do gueto, de falar de nós para nós mesmos, e celebrar novamente consensos — disse.

Para o virtual candidato à Presidência da República pelo PDT, é fundamental começar a discutir um novo modelo de desenvolvimento.

— Eu advogo que (o motor do desenvolvimento) é o Estado Nacional, recuperado, saneado, restaurado na sua condição de financiador, o que quer dizer uma batalha política depois da outra. Isso tem a ver com política industrial de comércio exterior, tem a ver com uma política de relações internacionais completamente diferente dessa que está aí. O desenvolvimento que precisa ser criado no Brasil tem a ver com a superação da desigualdade e o investimento em gente, em que o gasto per capita em educação não decline — afirmou.

Golpe em curso

Para José Eduardo Cardozo, advogado de defesa da presidenta Dilma, no processo do impeachment em curso contra o seu mandato “há uma ilegalidade e uma ilicitude”. Para ele, “diante dessa situação, é uma desobediência à Constituição, uma ruptura constitucional e, portanto, um golpe”.

Para Cardozo, o governo ilegítimo de Michel Temer nasce com o rompimento democrático, “por meio de uma situação que é claramente golpista e, além disso, nasce dentro de um projeto conservador, negador daquilo que foi aprovado nas urnas nas eleições de 2014.”

— Só a Democracia pode gerar forças suficientes para pactuações, para caminhos que façam com que o Brasil venha a ter novos e melhores momentos”, disse Cardozo. Ele defendeu que, neste momento, é urgente e necessário a esquerda brasileira ter um projeto de unidade, deixando as diferenças de lado, em nome da retomada da democracia no país. “No futuro, teremos que respeitar as nossas divergências para potencializar de fato a unidade e construirmos algo em comum — disse.

O pré-candidato à vice-prefeito de São Paulo, Ivan Valente, destacou que a saída para a crise é atuar na base, aliado às massas.

— É hora de a esquerda ser generosa e compreender a gravidade do momento. Talvez a gente tenha pensado que a democracia estava completamente consolidada no país, mas como confiar numa elite retrógrada, liderada pela bancada da bala? Não se pode governar sem pressão de baixo para cima. Precisamos parar de falar com o mercado e focar (sic) nos trabalhadores — avaliou.

Por sua vez, Cabreira reforçou a necessidade de reformular as prioridades econômicas, sobretudo as que favorecem exclusivamente ao chamado mercado.

— Temos que parar de dar dinheiro para as multinacionais. Não dá para fazer uma nação justa aliada a uma política de juros que favorece aos banqueiros. O Brasil pode e deve crescer nesse momento de crise, mas as alianças políticas precisam ser repactuadas com o rompimento da lógica do capital estrangeiro — destacou.

Governo popular

Em sua fala, o pré-candidato à vice-prefeito de São Paulo, Ivan Valente, destacou que a saída para a crise é atuar na base, aliado às massas.

— É hora da esquerda ser generosa e compreender a gravidade do momento. Talvez a gente tenha pensado que a democracia estava completamente consolidada no país, mas como confiar numa elite retrógrada liderada pela bancada da bala? Não se pode governar sem pressão de baixo pra cima. Precisamos parar de falar com o mercado e focar nos trabalhadores — avaliou.

Já Cabreira lembrou que as esquerdas precisam se unir para fazer uma transformação.

— Temos que parar de dar dinheiro para as multinacionais. Não dá para fazer uma nação justa aliada a uma política de juros que favorece aos banqueiros. O Brasil pode e deve crescer nesse momento de crise,  mas as alianças políticas precisam ser repactuadas com o rompimento da lógica do capital estrangeiro — destacou.

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18 comentários

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Gilce

22 de novembro de 2016 às 16h26

Se você quiser conversamos sobre isso!Sei muito bem do que estou falando.Você dizer que eu estou enganada, não quer dizer que eu esteja.

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JOHN J.

31 de julho de 2016 às 15h31

LULA JÁ FOI PRESIDENTE E MOSTROU QUE É COMPETENTE.
CIRO É O UNICO HOMEM COM ENERGIA E CONHECIMENTO SUFICIENTE PARA SER PRESIDENTE.
NÃO EXISTE NINGUEM MELHOR QUE ESSES DOIS EM LUGAR NENHUM NO BRASIL.
Todos apontados em outros partidos , ou são corruptos velhos e escolados em roubos no erário, ou não sabem nem mesmo o nome correto do país que querem governar.

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Paulo Ferraz

20 de julho de 2016 às 19h57

Ciro Gomes é um grande farsante, ninguém sabe o que ele é! Quer transitar sobre todas as correntes mas não passa de um projeto de Coroné nordestino!

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Jose Luiz Cavalcanti

19 de julho de 2016 às 14h45

Caro(a) Gilce o candidato Ciro Gomes não precisa enganá-la , você já se encontra enganado(a).

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regina lian

18 de julho de 2016 às 21h47

Qual sua proposta?

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Gilce

18 de julho de 2016 às 19h44

Ciro não está com essa bola toda. quer que a esquerda se una por ele como candidato. Se o PT não é o gigante da esquerda quem é? Ele?
Não confio, mas se for pra salvar a democracia e não tiver outro jeito…Ele pode enganar os estudantes, mas a mim não.

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    José Luiz

    19 de julho de 2016 às 15h43

    Caro(a) Gilce o candidato CIro Gomes não precisa enganá-la , você já se encontra enganada.

    Responder

Cesar Weinmann

18 de julho de 2016 às 18h38

Bravo Ivan Valente ! Porém há uma voz no teu partido que concorreu à Presidência e, portanto, deveria se somar a condenação ao Golpe…

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    regina lian

    18 de julho de 2016 às 21h37

    Oi?

    Responder

Antonio Passos

18 de julho de 2016 às 17h36

Lendo os títulos dos posts, não se pode dizer que houve um “debate”, mas sim a malhação do PT. É bom saber que a esquerda pensa em união, apesar de tardia, como quase tudo na esquerda aliás. Mas com o Zé no meio, é de causar arrepios. Enfim, contra o golpe, somos obrigados a acreditar em tudo, apoiar a todos, cerrar fileiras com qualquer movimento.

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    regina lian

    18 de julho de 2016 às 21h40

    Você achou o quê- elogiável a conduta do PT na Câmara ? Discutindo a necessidade da união da esquerda?

    Responder

Carlos de Undertown

18 de julho de 2016 às 15h34

texto muito gostoso de ler.

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Aldo

18 de julho de 2016 às 15h18

Vocês devem ter grave deficiência cerebral ao insistirem em negar que único golpe foi do PT em prejuízo da nação brasileira. Vocês perderam totalmente o senso de decência e realidade.

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    regina lian

    18 de julho de 2016 às 21h43

    E vc deve ter grave deficiência educacional se acha q pode se dirigir assim para as pessoas só por discordarem de vc!!!

    Responder

Octavio Filho

18 de julho de 2016 às 12h21

Exatamente!! Não estão usando a inteligência, pois não aproveitaram a cisão da direita para tentar eleger um candidato na presidência da Câmara que, em tese, não prejudicaria o País. E teria possibilidade real de ser eleito. E nem agindo com o coração, pois a motivação não é reunir a esquerda e sim promover algumas pessoas.

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    regina lian

    18 de julho de 2016 às 21h48

    Sim, e daqui pra frente o que vc propõe?

    Responder

      Octavio Filho

      19 de julho de 2016 às 09h01

      Eu considero que devam se unir de fato. E isto significa todos se reunirem e decidirem se quem irá se candidatar e se o candidato escolhido tem realmente chance. O Olinto disse tudo ao se referir a quem será o “fiel depositário dos anti golpistas”. Pois os interesses que alguns estão tentando satisfazer são os seus interesses próprios eleitorais. Não adianta radicalismos. E perder com “honra” também não adianta.

      obs: quando uso a expressão honra, não quero dizer que a honra não seja uma qualidade importante. Apenas faço o uso da expressão, que tem o sentido da insistência numa determinada opção.

      Responder

olinto

18 de julho de 2016 às 12h00

Toda discussão vai ser boa até a hora de se decidir quem será o fiel depositário dos anti golpistas. É só ver como o cálculo do PT, moralmente incorreto mas “realpolitikamente” correto, foi (é) atacado na questão da eleição para presidência da Câmara: como a esquerda não ia ganhar mesmo, era melhor ir de Marcelo Castro para, ao menos, ir ao segundo turno (tirando o Centrão da zona de conforto) e, certamente perdendo, mostrar uma esquerda um pouco mais unida antes do dia D no Senado. Deu errado como dará essa discussão que, na verdade, só serve para projetos pessoais: propaganda da utopia do PSOL, palanque para outsiders como Ciro, Erundina, etc. etc. e todos querendo surfar na desejada transposição da reação turca pasta cá. Ridículo.

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