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Erramos: Governo de Cuba garante que médicos convocados serão repostos por novos profissionais

Por Redação

19 de julho de 2016 : 04h54

Médica cubana inicia pré-natal de adolescente (Foto: Rede Brasil Atual)

por Carlos Eduardo, editor do Cafezinho

Lamentamos o erro no post: Golpistas acabam com programa Mais Médicos; Raúl Castro convoca doutores de volta a Cuba. O post foi baseado na apuração de Cynara Menezes, jornalista experiente e reconhecida no mercado com passagens pela Folha, Estadão, IstoÉ, Veja e Carta Capital.

Cynara Menezes obteve em primeira mão um documento no qual o governo de Cuba convocava 1672 médicos residentes no Brasil a voltar a seu país natal após as eleições municipais, mesmo com a Medida Provisória assinada pela presidenta Dilma que lhes possibilitava permanecer mais três anos no país.

Felizmente os médicos cubanos não irão deixar o país, como informa nesta terça-feira (19) a jornalista Tereza Cruvinel, no Brasil 247.

‘Segundo fontes da embaixada cubana em Brasília, o governo do presidente Raúl Castro e o ministério da Saúde cubano não emitiram nenhum comunicado convocando 1.672 médicos que atuam no programa Mais Médicos a retornarem à ilha, como noticiou o blog de Cynara Menezes, a Socialista Morena’, diz Teresa.

A jornalista Cynara Menezes, editora do Socialista Morena, também se corrigiu e afirmou que a OPAS (Organização Panamericana de Saúde) enviou ao seu blog um comunicado garantindo que os médicos cubanos convocados pelo governo de Cuba para retornarem a seu país após as eleições serão substituídos por outros profissionais.

A embaixada cubana no Brasil ainda não se posicionou a respeito, mas nós do Cafezinho esperamos que o programa continue normalmente.

A assessoria da entidade também afirmou que os governos brasileiro e de Cuba “têm manifestado total interesse em continuar com a cooperação internacional triangulada pela OPAS/OMS” e enviou ao blog de Cynara Menezes uma nota explicando o ocorrido, leia:

“O Brasil deve receber nesta semana mais 500 profissionais cubanos do Programa Mais Médicos. Eles se juntam aos 50 que desembarcaram no país na semana passada e a previsão é que outros cheguem nos próximos dias.

Os médicos cubanos que encerram as atividades entre julho e outubro deste ano serão substituídos a partir de novembro, depois dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 e as eleições municipais, para garantir que a população seja adequadamente assistida durante eventos que mobilizam uma grande quantidade de pessoas. Os que entrariam de férias nesse período também adiarão para a partir de novembro.

A troca dos profissionais está em consonância com o acordo de cooperação vigente, que exige o retorno deles após três anos atuando fora do próprio território”.

Porém, nós do Cafezinho continuaremos em estado de alerta, pois é de conhecimento notório que os golpistas — e principalmente o senador José Serra, no comando do ministérios de Relações Exteriores — querem cortar as relações Brasil-Cuba.

Abaixo segue a matéria assinada por Tereza Cruvinel, no Brasil 247.

***

Cuba desmente estar chamando médicos de volta

por Tereza Cruvinel, no Brasil 247

Segundo fontes da embaixada cubana em Brasília, o governo do presidente Raúl Castro e o ministério da Saúde cubano não emitiram nenhum comunicado convocando 1.672 médicos que atuam no programa Mais Médicos a retornarem à ilha, como noticiou o blog de Cynara Menezes, a Socialista Morena. Pelo contrário, o governo de Cuba está cumprindo todos os termos do acordo assinado com mediação da Opas – Organização Panamericana de Saúde/OMS, certo de que os médicos cubanos estão prestando serviços relevantes aos brasileiros de cidades do interior e de comunidades isoladas que anteriormente não dispunham de assistência médica, disse uma fonte da Embaixada, estranhando a notícia: “é totalmente improcedente esta informação sobre um comunicado chamando os médicos de volta.” O que Cuba está buscando é uma renegociação de termos do acordo.

Houve mesmo na semana passada uma reunião entre autoridades brasileiras e representantes da OPAS e do governo cubano, entre eles a vice-ministra da saúde pública de Cuba, Marcia Cobas Ruiz, que externou o desejo de Cuba de manter o acordo de cooperação mas com a revisão de algumas condições. “Respeitaremos o compromisso firmado entre a OPAS e o Brasil, porém, há uma série de fatores a serem revistos e acordados entre as partes. A desvalorização do câmbio nos últimos três anos foi maior do que o previsto e não houve nenhum reajuste, também gostaríamos de avaliar a possibilidade de uma remuneração diferenciada para os profissionais que estão trabalhando em áreas isoladas e de maior risco, entre outras considerações”, teria dito a ministra, segundo registra o site do Ministério da Saúde brasileiro.

A vice-ministra disse mesmo, conforme registrou Cynara, que “a decisão é que os médicos que estão no Brasil retornarão para Cuba ao fim do seu contrato e outros médicos virão para substitui-los”. Porém, considerando a delicadeza do momento que o Brasil está vivendo – Olimpíadas, enfrentamento do vírus Zika, eleições municipais – o governo de Cuba se comprometeu a não retirar nenhum médico da cooperação cuja missão se encerre no 2º semestre/2016, e só retomar a substituição a partir de novembro de 2016, pós eleições municipais. Os pontos propostos ao governo brasileiro foram:

– Prorrogar até 31 de outubro próximo a permanência, no Brasil, dos médicos que estão tendo os contros encerrados.

– Suspender as férias que estavam planejadas para os meses de julio, agosto e setembro.

– Enviar ao Brasil mais 250 novos médicos para integrarem-se ao programa.

A vice-presidente do Conasems, Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, Iolete Soares, falou da preocupação dos municípios em relação aos postos de trabalho que estão vagos. “Nós apoiamos esse programa desde o início, falo pelos mais de 5 mil municípios e pela população atendida por esses médicos. É muito importante a permanência dos profissionais nos municípios por eles já saberem as dificuldades da região e conhecerem a comunidade que atendem diariamente há anos, muitos até formaram família no país”.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, Antonio Carlos Nardi, afirmou que o governo vai se empenhar para atender à demanda dos prefeitos, buscando renovar e manter o acordo com Cuba mas não se comprometeu com o atendimento dos pleitos cubanos, de revisar os valores de contrato, invocando a crise fiscal e as restrições orçamentárias.

O que incomodou a embaixada cubana no post de Cynara foi a afirmação de que Cuba emitiu um comunicado aos médicos, determinando que comecem a retornar a Havana a partir do dia 9 de novembro. Não houve o comunicado nem a decisão, apenas a busca de renegociação com o governo brasileiro.

Atualmente, dos cerca de 12 mil médicos estrangeiros que atuam no Mais Médicos, mais de dez mil são cubanos, e eles têm manifestado interesse em continuar atuando no programa criado pela presidente afastada Dilma Roussef, receosos de que ele venha a ser interrompido pelo Governo Temer. O governo cubano também não tem interesse no fim do programa, que tem garantido renda e reconhecimento à excelência de seus profissionais.

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