Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Brasília- DF16-08- 2016 Presidenta Dilma lendo carta aos Brasileiros lado de ex-ministros. Foto Lula Marques/Agência PT

Carta de Dilma abala golpistas e Temer escala senadores para rebater documento

Por Redação

17 de agosto de 2016 : 09h43

Foto: Lula Marques/ AGPT

Carta de Dilma abala golpistas

por Esmael Morais, em seu blog

Diz o ditado que quem desdenha quer comprar. Não faltam adjetivos e juízo de valor do tipo “veio tarde” na tentativa de desqualificar a carta aos brasileiros e aos senadores lida nesta tarde por Dilma Rousseff.

A presidente pediu aos parlamentares que a absolva no julgamento do impeachment porque não cometeu crime de responsabilidade. Ela também se comprometeu a apoiar de forma irrestrita a realização de um plebiscito sobre a antecipação da eleição presidencial.

A carta de Dilma abalou os golpistas. Não é à toa que o Palácio do Planalto escalou senadores alinhados para bater duro no documento, no plebiscito e na própria presidente eleita.

Nos bastidores, soube-se hoje que o interino Michel Temer (PMDB) mandou confeccionar duas cartas-testamento: uma em caso de afastamento definitivo de Dilma e outra caso ela volte, onde ele se defende da pecha de “golpista”.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) antecipou que a presidente Dilma irá pessoalmente se defender no Senado.

A junta golpista — Planalto, Senado, Supremo e mídia — quer ganhar a parada no grito, mas sabem que ainda não têm dois terço (54 votos) necessários para cassar a presidente da República. Por outro lado, o Palácio Alvarada contabiliza 30 votos contra o golpe no juízo final.

Abaixo, a íntegra da carta que já tira o sono dos golpistas:

MENSAGEM DA PRESIDENTA DA REPÚBLICA DILMA ROUSSEFF AO SENADO FEDERAL E AO POVO BRASILEIRO

Brasília, 16 de agosto de 2016

Dirijo-me à população brasileira e às Senhoras Senadoras e aos Senhores Senadores para manifestar mais uma vez meu compromisso com a democracia e com as medidas necessárias à superação do impasse político que tantos prejuízos já causou ao país.

Meu retorno à Presidência, por decisão do Senado Federal, significará a afirmação do Estado Democrático de Direito e poderá contribuir decisivamente para o surgimento de uma nova e promissora realidade política.

Minha responsabilidade é grande. Na jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do povo, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho. Ouvi também críticas duras ao meu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas. Acolho essas críticas com humildade e determinação para que possamos construir um novo caminho.
Precisamos fortalecer a democracia em nosso País e, para isto, será necessário que o Senado encerre o processo de impeachment em curso, reconhecendo, diante das provas irrefutáveis, que não houve crime de responsabilidade. Que eu sou inocente.

No presidencialismo previsto em nossa Constituição, não basta a desconfiança política para afastar um presidente. Há que se configurar crime de responsabilidade. E está claro que não houve tal crime.
Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo “conjunto da obra”. Quem afasta o presidente pelo “conjunto da obra” é o povo e, só o povo, nas eleições.
Por isso, afirmamos que, se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de estado.

O colégio eleitoral de 110 milhões de eleitores seria substituído, sem a devida sustentação constitucional, por um colégio eleitoral de 81 senadores. Seria um inequívoco golpe seguido de eleição indireta.

Ao invés disso, entendo que a solução para as crises política e econômica que enfrentamos passa pelo voto popular em eleições diretas. A democracia é o único caminho para a construção de um Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social. É o único caminho para sairmos da crise.
Por isso, a importância de assumirmos um claro compromisso com o Plebiscito e pela Reforma Política.
Todos sabemos que há um impasse gerado pelo esgotamento do sistema político, seja pelo número excessivo de partidos, seja pelas práticas políticas questionáveis, a exigir uma profunda transformação nas regras vigentes.

Estou convencida da necessidade e darei meu apoio irrestrito à convocação de um Plebiscito, com o objetivo de consultar a população sobre a realização antecipada de eleições, bem como sobre a reforma política e eleitoral.

Devemos concentrar esforços para que seja realizada uma ampla e profunda reforma política, estabelecendo um novo quadro institucional que supere a fragmentação dos partidos, moralize o financiamento das campanhas eleitorais, fortaleça a fidelidade partidária e dê mais poder aos eleitores.

A restauração plena da democracia requer que a população decida qual é o melhor caminho para ampliar a governabilidade e aperfeiçoar o sistema político eleitoral brasileiro.

Devemos construir, para tanto, um amplo Pacto Nacional, baseado em eleições livres e diretas, que envolva todos os cidadãos e cidadãs brasileiros. Um Pacto que fortaleça os valores do Estado Democrático de Direito, a soberania nacional, o desenvolvimento econômico e as conquistas sociais.
Esse Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social permitirá a pacificação do País. O desarmamento dos espíritos e o arrefecimento das paixões devem sobrepor-se a todo e qualquer sentimento de desunião.

A transição para esse novo momento democrático exige que seja aberto um amplo diálogo entre todas as forças vivas da Nação Brasileira com a clara consciência de que o que nos une é o Brasil.
Diálogo com o Congresso Nacional, para que, conjunta e responsavelmente, busquemos as melhores soluções para os problemas enfrentados pelo país.

Diálogo com a sociedade e os movimentos sociais, para que as demandas de nossa população sejam plenamente respondidas por políticas consistentes e eficazes. As forças produtivas, empresários e trabalhadores, devem participar de forma ativa na construção de propostas para a retomada do crescimento e para a elevação da competitividade de nossa economia.

Reafirmo meu compromisso com o respeito integral à Constituição Cidadã de 1988, com destaque aos direitos e garantias individuais e coletivos que nela estão estabelecidos. Nosso lema persistirá sendo “nenhum direito a menos”.

As políticas sociais que transformaram a vida de nossa população, assegurando oportunidades para todas as pessoas e valorizando a igualdade e a diversidade deverão ser mantidas e renovadas. A riqueza e a força de nossa cultura devem ser valorizadas como elemento fundador de nossa nacionalidade.

Gerar mais e melhores empregos, fortalecer a saúde pública, ampliar o acesso e elevar a qualidade da educação, assegurar o direito à moradia e expandir a mobilidade urbana são investimentos prioritários para o Brasil.

Todas as variáveis da economia e os instrumentos da política precisam ser canalizados para o País voltar a crescer e gerar empregos.

Isso é necessário porque, desde o início do meu segundo mandato, medidas, ações e reformas necessárias para o país enfrentar a grave crise econômica foram bloqueadas e as chamadas pautas-bomba foram impostas, sob a lógica irresponsável do “quanto pior, melhor”.

Houve um esforço obsessivo para desgastar o governo, pouco importando os resultados danosos impostos à população. Podemos superar esse momento e, juntos, buscar o crescimento econômico e a estabilidade, o fortalecimento da soberania nacional e a defesa do pré-sal e de nossas riquezas naturais e minerárias.

É fundamental a continuidade da luta contra a corrupção. Este é um compromisso inegociável. Não aceitaremos qualquer pacto em favor da impunidade daqueles que, comprovadamente, e após o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, tenham praticado ilícitos ou atos de improbidade.

Povo brasileiro, Senadoras e Senadores,

O Brasil vive um dos mais dramáticos momentos de sua história. Um momento que requer coragem e clareza de propósitos de todos nós. Um momento que não tolera omissões, enganos, ou falta de compromisso com o país.

Não devemos permitir que uma eventual ruptura da ordem democrática baseada no impeachment sem crime de responsabilidade fragilize nossa democracia, com o sacrifício dos direitos assegurados na Constituição de 1988. Unamos nossas forças e propósitos na defesa da democracia, o lado certo da História.

Tenho orgulho de ser a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. Tenho orgulho de dizer que, nestes anos, exerci meu mandato de forma digna e honesta. Honrei os votos que recebi. Em nome desses votos e em nome de todo o povo do meu País, vou lutar com todos os instrumentos legais de que disponho para assegurar a democracia no Brasil.

A essa altura todos sabem que não cometi crime de responsabilidade, que não há razão legal para esse processo de impeachment, pois não há crime. Os atos que pratiquei foram atos legais, atos necessários, atos de governo. Atos idênticos foram executados pelos presidentes que me antecederam. Não era crime na época deles, e também não é crime agora.

Jamais se encontrará na minha vida registro de desonestidade, covardia ou traição. Ao contrário dos que deram início a este processo injusto e ilegal, não tenho contas secretas no exterior, nunca desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros e não recebi propina de ninguém.

Esse processo de impeachment é frágil, juridicamente inconsistente, um processo injusto, desencadeado contra uma pessoa honesta e inocente. O que peço às senadoras e aos senadores é que não se faça a injustiça de me condenar por um crime que não cometi. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente.

A vida me ensinou o sentido mais profundo da esperança. Resisti ao cárcere e à tortura. Gostaria de não ter que resistir à fraude e à mais infame injustiça.

Minha esperança existe porque é também a esperança democrática do povo brasileiro, que me elegeu duas vezes Presidenta. Quem deve decidir o futuro do País é o nosso povo.

A democracia há de vencer.
Dilma Rousseff

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21 comentários

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José Ruiz

18 de agosto de 2016 às 11h20

Dilma vai ao congresso sozinha? Se eu fosse ela, começava uma caminhada fora de Brasília.. entrava na esplanada junto com o povo e com as forças legalistas.. será que ela vai perder essa oportunidade (também)? (se a Dilma entrar junto com o povo, eu vou..)..

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    Vinicius Passos

    18 de agosto de 2016 às 17h42

    Excelente ideia, seria algo antológico nesse momento, temos poucas chances de vencer agora.

    Responder

Jota Pereira

17 de agosto de 2016 às 20h48

Parabéns Dilma Rousseff, apoio totalmente sua carta aos senadores da República. Tenho certeza da sua volta, pois apesar dos bandidos tomarem de assalto o congresso nacional , ainda temos pessoas honradas, que não permitirão que esse golpe perdure por mais tempo. Esse fantoche que se nomeia presidente não nos representa, não representa a nossa pátria, exceto ao seu grupo de bandidos e golpista. Fora Temer “O intruso”

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Gean

17 de agosto de 2016 às 21h17

Golpistas, querem acabar com 54 milhões de votos do povo

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Dilson Magno

17 de agosto de 2016 às 19h50

Pergunto ao CGU… STF… Congresso… Senado, estão brigando entre si? a resposta é não pergunto de que medo eles estão passando, o único medo é que eles tem é se o Juiz Moroso os prendesse como isso não vai acontecer, só vejo eles zombando de nossa cara, isso sim…
“JB: grupo tomou poder “para se proteger e continuar saqueando””

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Renata Rangel

17 de agosto de 2016 às 18h55

Novas eleições já!

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Jar Borah

17 de agosto de 2016 às 14h00

Oxi !!! abalou quem ??????

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    Gerson

    17 de agosto de 2016 às 19h03

    Realmente, quem não tem cérebro e só “pensa” através Globo não iria abalar mesmo.

    Responder

      Jar Borah

      18 de agosto de 2016 às 16h26

      Tem toda razão, a solução é ¨pensa¨como macacos amestrados de marqueteiro e praticarmos o voto inútil .
      Reclama do TEMER o vice dela por quÊ ? eleito igualmente com 54 mi de votos.
      Ela caindo, povo na rua também para tirar ele. Foi eleito com dinheiro ROUBADO igualzinho aos demais .
      Ao digitar ¨13¨, digitou também ¨15¨ , Manipulado da Monica Moura kkkkkk, depois fala da GROBU! kkk é GÓPI !!!!!

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    James Ferreira Gressler

    17 de agosto de 2016 às 19h21

    Abalou todos golpistas, uai !!! Pra eles é um inferno ter de enfrentar, olho-no-olho, a primeira mulher P R E S I D E N T A , inatacável, corajosa, honrada, patriota, honesta,competente,altiva, e,sobretudo,V E R D A D E I R A. Vergonha na cara que eles e seguidores rastejantes não têm.

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      Galvão

      17 de agosto de 2016 às 21h01

      Quem enfrentou os milicos torturadores vai ter medo um bando de “borra bostas”? Já imaginaram ela sendo questionada por Aécio Neves, e ela retrucar pedindo explicações sobre o dinheiro desviado de Furnas, que ele recebeu de propina? E o Aloysio Nunes tendo de explicar os R$300.000,00 que recebeu do Paulo Preto? Romero Jucá vai ter coragem de encarrar a Dilma? O Renan vai mexer em vespeiro? É difícil encontrar um senador golpista que não tenha a sua “Capivara”. Se a Dilma levar umas pastas com folhas de papel em branco, vai ter golpista enfartando.

      Responder

      Jar Borah

      18 de agosto de 2016 às 16h21

      Sinto muito amigo, não estou vendo nada disso que me fala. O povo está levando a vida normalmente, não há essa comoção que fala. Ainda aguardo , triste enfim, o povo na rua defendendo ela. Essa briga dela agora é tardia .
      Ela caindo, povo na rua também para tirar TEMER. Foi eleito com dinheiro ROUBADO igualzinho aos demais .
      Não esqueçamos que ao digitar ¨13¨, digitamos também ¨15¨ .
      Creio que não seja golpe, apenas frouxidão dela em lutar pelo mandato, deste o começo .
      Não adianta falar que é vingança de quem foi derrotado na ultima eleição, pois Temer foi eleito, fazer o quê ?
      Nossa solução é não ser otário na próxima eleição, deixando de ser macacos amestrados de marqueteiro e praticarmos a desobediência civil. Ninguém vai votar e pronto.

      Responder

Joel Martins

17 de agosto de 2016 às 13h57

Dilmacéfala

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Gerson

17 de agosto de 2016 às 13h45

A Presidenta Dilma tem que ser acompanhada até o senado (letra
minúscula mesmo) por 20-30 mil pessoas dos movimentos sociais.

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Leandro Torreal

17 de agosto de 2016 às 12h24

abala?
uma carta em que Dilma diz ter errado, mas sequer cita quais foram esses erros?
não abalou ninguém.

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    Gerson

    17 de agosto de 2016 às 19h03

    Realmente, quem não tem cérebro e só “pensa” através Globo não iria abalar mesmo

    Responder

      Leandro Torreal

      18 de agosto de 2016 às 13h16

      sempre com coisinha de Globo.
      quem disse que me baseio na Globo?
      o fato é que a tal carta não aponta os erros que Dilma diz ter cometido.

      Responder

Luiz Henrique Coelho Garcia

17 de agosto de 2016 às 10h47

“Não faltam adjetivos e juízo de valor do tipo “veio tarde” na tentativa de desqualificar a carta aos brasileiros e aos senadores…” Veio tarde SIM, ora, ora. Veio na bacia das almas. A questão é que Dilma insistiu, até o fim do segundo tempo de jogo, em não dialogar com parlamentares, coisa que fez em todo seu mandato. Inês é morta. Infelizmente. Quanto à Dilma se defender pessoalmente, é muita ingenuidade achar que isso vá sensibilizar ou pressionar esse Senado vendido e golpista. Vamos passar a página e seguir em frente, minha gente.

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    Galvão

    17 de agosto de 2016 às 21h03

    Siga em frente você idiota. A luta mal começou, vai haver resistência, aguarde.

    Responder

Ricardo Leão

17 de agosto de 2016 às 10h28

Entendimento de um eleitor sobre o processo de impeachment: 1º Ponto ) o crime do qual Dilma está sendo acusada – mandar banco público emprestar dinheiro aos agricultores com “juros x” e depois pagar esse banco público que emprestou com “juros x+1”, ou seja, crime por ter financiado os trabalhadores rurais que põe a comida na mesa do brasileiro; e, por fim, 2º Ponto) o crime pela qual Dilma realmente está pagando – não ter dado aumento salarial aos Ministros do STF, como Temer fez (aumentando em + de 42%); não ter recebido nas caladas da noite dos domingos, como Temer fez (ao receber Eduardo Cunha); não barrar investigações da Polícia Federal para proteger correligionários, como Temer fez (e está a fazer); e, por aí, vai!

Responder

    Francisco Mariano de Oliveira

    17 de agosto de 2016 às 18h30

    apoio 100% espero pelo bem da democracia que os golpista se ferram e Dilma volta ao poder. VOLTADILMA

    Responder

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