Debate entre presidenciáveis na RedeTV! 22 horas

A qual deles você confiaria o troco da feira para fazer o seu jogo do bicho?

Por Bajonas Teixeira

13 de setembro de 2016 : 22h18

Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

Se por temor, prevenção ou desconfiança, você não escolhesse um deles para fazer a sua aposta, você provavelmente não ganharia no bicho, mas pelo menos não ficaria sem o troco.

Como se sabe, nas grandes cidades brasileiras, mas também nos mais remotos vilarejos do interior, o jogo do bicho é o ilícito preferido de nove em cada dez brasileiros. Na política, as privatizações e outros negócios de depredação do capital público, fruto do esforço de gerações de trabalhadores é o caminho,  escolhido por 11 entre cada 10 políticos experientes, para a venda de facilidades e o recebimento de graúdos agrados.

Há uma vasta literatura sobre o assunto e, infelizmente para o Brasil, parte substancial dessa literatura versa sobre as privatizações ocorridas aqui durante o governo de FHC nos anos 90. Um sólido retrato dos saques promovidos nesse período encontra-se em A privataria tucana, um best seller bem conhecido escrito por Amaury Ribeiro Jr..

De lá para cá, isto é, do período das orgias de privatizações até os nossos malfadados dias, já temos bem uma década e meia de jejum dos aventureiros à serviço do capital, isto é, daqueles que dentro do estado, como agentes públicos, ou fora dele, como lobistas e intermediários, preparam e agenciam os fartos banquetes com os bens públicos.

Da primeira vez, em que o Brasil topou com essa modalidade de parasita predador capaz de dizimar uma empresa pública em questão de horas, ignorava-se o que isso poderia significar. Havia na época uma linguagem nova para os brasileiros, sedutora porque ligada ao que, então, aparecia como muito moderno. Tão moderno que era até pós-moderno. Era a época em que os Estados Unidos exportam consensos de Washington e yuppies. O vocabulário da época encantava e siderava um povo ingênuo estendido languidamente às margens do Atlântico Sul.

Globalização, qualidade total, terceirizações, excelência, respeito à diferença, enxugamento da máquina pública, o global e o local, fluxos mundiais, pós-moderno, fim da história, nova ordem mundial, etc. Tudo isso criava uma atmosfera de inebriante novidade. E, como sempre, ávidos por parecer cosmopolitas, os brasileiros aderiam cegamente às seduções que prometiam a superação dos limites econômicos do país.

Bastava enxugar a máquina e adicionar a ela a gestão da qualidade total. O efeito desse banho de pós-modernização econômica, a realidade das promessas de miraculosos efeitos econômicos, foi uma enorme decepção, que se materializou nos níveis baixíssimos de aprovação do governo FHC ao fim do seu segundo mandato.

Hoje o Brasil não pode alegar ingenuidade, nem simular deslumbramento, diante dos novos (velhos) aventureiros que chegam para dilapidar, como uma sórdida praga de gafanhotos, a riqueza pública. Ninguém ignora a que vieram e o que resultará das suas promessas.

No discurso hoje feito por Temer sobre o pacote foi dito por ele que: “Agora, sob o comando do ministério [que ministério?], e também, do secretário executivo do Programa de Parcerias e Investimentos, Moreira Franco, fizeram-se estudos conducentes exatamente a uma abertura extraordinária para a iniciativa privada que vamos cada vez mais dizer, ressaltar, que o poder público não pode fazer tudo, o poder público tem que ter a presença da iniciativa privada.”

Moreira Franco encabeça e coordena. Ele, Moreira, a quem o FHC dizia, segundo longa reportagem da Folha, que não se podia dar cargo que tivesse cofre.

É preciso dizer mais alguma coisa? Alguém duvida de com quem estamos lidando? Se você tem dúvidas, observe com cuidado o sinal feito com os olhos e o sorriso satisfeito que brota dos lábios do ministro Padilha, em cumplicidade com alguém que está fora da cena, quando seu chefe afirma que “fizeram-se estudos conducentes exatamente a uma abertura extraordinária para a iniciativa privada”.

E o que admira é que uma consciência da necessidade de ir às ruas contra essas “privatizações, parcerias, concessões e permissões”, ou seja, contra essa malandragem urdida com os bens públicos, ainda não tenha se cristalizado.

 

 

 

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

4 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Fontele

14 de setembro de 2016 às 11h22

Assim como na época de FHC, somente teremos contraposições significativas depois do estrago feito ao país, com a venda barata de nossas riquezas. Enquanto isso, a população se divide entre prós e contras Temer, entre prós e contras PT…. numa cegueira raivosa que só produz divisão e desvio do olhar crítico para as mudanças estruturais e maléficas pelas quais passamos neste momento, e que são promovidas e autorizadas por um Congresso Nacional em que mais da metade de seus membros respondem por crimes de responsabilidade… Que retrato, eim?

Responder

Paulo Cezar Nogueira

14 de setembro de 2016 às 09h42

Eu sinceramente preferiria depositar a confiança no bicheiro, mesmo que não o conhecesse.

Responder

Rachel

13 de setembro de 2016 às 23h50

Para quem será que ele faz sinal com os olhos?

Responder

robertoAP

13 de setembro de 2016 às 23h48

Quadrilha, Corno e Angorá.
Roubam aqui e roubam lá.

Responder

Deixe uma resposta

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com