Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Presidente Michel Temer durante sua posse no Senado Federal. (Brasília - DF, 31/08/2016) Foto: Beto Barata/PR

A salvação do Renan e o fim do Temer

Por Redação

07 de dezembro de 2016 : 14h22

Por Jeferson Miola, enviado ao Cafezinho

O principal efeito da decisão de afastar Renan Calheiros da Presidência do Senado não foi uma crise institucional insanável entre o Legislativo e o Judiciário, como pareceu à primeira vista, mas sim a confirmação de que Michel Temer não passa de mero fantoche nas mãos do PSDB e do mercado financeiro; está no limite dramático de sobrevivência.

Caso o plenário do STF confirme a liminar do Marco Aurélio Mello e afaste Renan do cargo, fica ameaçada a segunda votação da PEC 55/16, que constitucionaliza a tirania do capital financeiro e retira o capítulo dos direitos econômicos e sociais da Constituição de 1988. Por isso, a hipótese de afastamento do Renan e a assunção Jorge Viana [PT] na presidência do Senado, é a que tem menos possibilidade de prosperar.

A poucas horas da sessão do STF desta quarta-feira 7 de dezembro, especula-se que a maioria dos juízes do STF optará pela solução esdrúxula de manter Renan no cargo, entretanto impedido de substituir o presidente da República, caso essa improvável realidade se apresente nas poucas semanas em que ele ainda estará no comando do Senado.

Manter Renan é um imperativo do mercado financeiro para aprovar a PEC 55/16, porque qualquer outra solução institucional, mesmo que legalmente e constitucionalmente recomendável, como seria o afastamento dele da presidência do Senado pelo Pleno do STF, ameaça a aprovação desta nefasta emenda.

A PEC 55/16 é uma das poucas razões que explicam porque Temer ainda não foi chutado pela fração da oligarquia golpista liderada pelo PSDB. Uma vez aprovada, Temer perderá totalmente sua utilidade, e o PSDB elegerá o sucessor ilegitimamente pelo Congresso.

Em meio às incertezas e tensões desses últimos dois dias, surpreende que a prioridade das lideranças do PMDB, PPS, PTB, DEM, PSDB não tenha sido a busca de solução para a crise, mas sim a obsessão em preservar o calendário para a aprovação da PEC 55/16. O discurso é um só: não há força terrena e extraterrena capaz de deter a aprovação da proposta.

Renan, um político matreiro e perspicaz, faz qualquer negócio para salvar a própria pele. Com seus méritos políticos e estratégicos, conseguirá moldar a decisão do STF aos seus interesses. Nunca é demais lembrar que ele defendeu a legalidade até o último instante do dia 12 de maio, quando então guilhotinou Dilma votando a favor do impeachment fraudulento, para então tornar-se o principal fiador do governo golpista.

Renan assumiu a coordenação das votações de interesse do governo – a entrega do pré-sal, o fim da política de conteúdo nacional, a PEC 55/16 etc. E, por outro lado, se protegeu da Lava Jato propondo a atualização da legislação de 1965 sobre abuso de autoridade, para inibir Moro, Deltan, Janot e os membros da Inquisição que cometem arbitrariedades.

Renan conhece muito bem seu valor no jogo de poder. Ele vendeu ao mercado financeiro e à oligarquia golpista a aprovação da PEC 55/16 em troca da liberdade nos processos que poderão levá-lo à prisão. É por isso que ele deverá ser mantido na presidência do Senado, de onde comandará a aprovação da PEC e, também, do projeto contra o abuso de autoridade.

Temer, depois de cometer crime de responsabilidade ao patrocinar interesses imobiliários do ex-ministro Geddel Vieira Lima, ficou com os dias contados; sobrevive entubado no oxigênio. Desesperado para desviar o foco de si, embarcou na canoa furada da Globo e estimulou os protestos das ONGs fascistas que pediam o “Fora Renan”, mas o tiro saiu pela culatra.

Renan é um eterno sobrevivente. Neste confronto com o STF, com potencial de destruir qualquer outro personagem, ele, contudo, recompôs a força e a iniciativa política, esvaziando o único trunfo que fazia Temer continuar politicamente vivo, que é a PEC 55/16.

Temer, a essas alturas, é um personagem descartável; já foi abandonado pela agiotagem e o principal partido das finanças internacionais, o PSDB. O governo golpista, promovendo recessão e austeridade, fez o Brasil derreter.

É urgente a eleição de um novo governo O Congresso não tem legitimidade para escolher o substituto de Temer.

Somente uma nova eleição direta, com voto popular, é capaz de restaurar a democracia que foi violentada com o impeachment fraudulento, conferindo ao presidente eleito a legitimidade necessária para retirar o Brasil desta situação caótica e dramática, que se encaminha para uma convulsão.

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7 comentários

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Jorge Leite

07 de dezembro de 2016 às 16h59

Eleição direta só para otários que ainda não perceberam que tomaram um VIOLENTO GOLPE pela fuça…
Solução prática viável no momento? Nenhuma. Principalmente com este povo bovinamente inerte e sem saber ao certo o que o acometeu. Sem greve geral e medidas radicais contra estes traidores não haverá saída nem a longo prazo…

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    Jorge Leite

    07 de dezembro de 2016 às 17h03

    O único “remendo” que poderia salvar a democracia seria a volta de Dilma. Simples assim.
    Chances disto acontecer? Zero!

    Responder

    Mar Philos

    09 de dezembro de 2016 às 04h31

    greve geral?
    com esse (des)movimento sindical?
    dá-lhe brazzzil zz z. .. ?

    Responder

Pepê

07 de dezembro de 2016 às 16h17

O que eles querem é colocar Álvaro Dias, que saiu do PSDB estrategicamente para o PV, para presidente em 2018. Não foi a toa que aqueles loucos da manifestação de domingo, 4/12 passaram a usar camisas verdes.

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Des

07 de dezembro de 2016 às 15h39

Renan será afastado, e a pauta já está prorrogada para fevereiro. Temer afundará neste período.

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Jst

07 de dezembro de 2016 às 15h35

Só acho que é uma inocência acreditar que uma eleição direta resolverá os problemas do Brasil.
Acredito que o Brasil está irremediavelmente rachado graças ao consórcio globo/psdb/judiciário. Esta ferida levará décadas para cicatrizar, isto se o povo em fúria destruísse este consórcio agora.

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Torres

07 de dezembro de 2016 às 14h59

Eleições diretas são apenas um sonho da esquerda nesse momento.

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