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janeiro 2017

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Massacre no réveillon – Carta do assassino mostra que as sementes do ódio começaram a germinar

Escrito por , Postado em Bajonas Teixeira, Fascismo, Política

Por Bajonas Teixeira, colunista de política do Cafezinho

Ódio ao feminismo, aos direitos humanos, desejos de vingança, sentimentos de inferioridade, impulsos truculentos e alucinações sobre a corrupção como o único problema do país – eis alguns dos lugares comuns da direita brasileira. E todos eles estão na carta enviada pelo assassino de Campinas.

A carta é um retrato escrito dos ódios da classe média e é também uma demonstração prática de para onde estamos indo ao sabor deles. No seu texto, uma espécie de catecismo de preconceitos e obsessões, é possível ler com muita nitidez a loucura que se apossou da classe média brasileira.

A loucura é sempre maior que o louco e se passa, além da dimensão pessoal, também no plano social. O que ele alucina são, sobretudo, os delírios da sua própria classe ou de um segmento dela. Um exemplo é o ódio aos direitos humanos estampado na carta do assassino e que é um verdadeiro dogma da direita fascista da classe média brasileira.

Quem atirou com uma pistola de 9mm e matou 12 foi o atirador de Campinas, que tem nome e sobrenome, mas o que vivemos hoje é uma crise psicótica da classe média brasileira. E isso só tende a se agravar com consequências as mais trágicas.

O quanto a mídia é responsável pelo fato, se percebe claramente por suas omissões: na Globo e na Folha, a tragédia é reportada sem exclamações de choque, apenas como mais um fato do cotidiano das páginas policiais. Mas um indivíduo considerado pelos amigos, até então, uma modelo de normalidade da classe média, eliminar de forma meticulosamente planejada 12 pessoas, não é um fato do cotidiano.

O assassino era um membro da classe média, profissional com formação em importantes universidades do exterior, que assimilou a letra e o espírito do catecismo de ódios pregados pela direita golpista.

Não à-toa sua carta está recheada de menções à política, como essa:

tenho raiva das vadias que se proliferam e muito a cada dia se beneficiando da lei vadia da penha!”

Ou essa:

“as leis deste paizeco são para os bandidos e bandidas. A justiça brasileira é igual ao lewandowski, (um marginal que limpou a bunda com a constituição no dia que tirou outra vadia do poder) um lixo!

Bandidos, bandidas, marginais e vadias – são termos muito usados, sobretudo o primeiro, nas redes pela classe média brasileira na sua versão de extrema direita. São suas obsessões e seus maiores fantasmas. E por isso é interessante observar que a palavra-chave, que ocupa o centro do evangelho político da classe média, o vocábulo “bandido”, aparece quatro vezes nos trechos da carta divulgados.

E quanto ao ódio da classe média à tudo que a ameaça, que ameaça seus valores, não se pode esquecer que “vadia” é também uma marca de identificação forte, autoconferida pelos movimentos feministas que organizam anualmente a Marcha das Vadias.

E é justamente sobre os direitos das mulheres, numa sociedade que na verdade os respeita tão pouco, que o assassino de Campinas mais se enfurece representando o seu grande papel de vítima.

“Morto tbm já estou, pq não posso ficar contigo, ver vc crescer, desfrutar a vida contigo por causa de um sistema feminista e umas loucas. Filho tenha certeza que não será só nos dois quem vamos nos foder, vou levar o máximo de pessoas daquela família comigo, pra isso não acontecer mais com outro trabalhador honesto. Agora vão me chamar de louco, más quem é louco? Eu quem quero justiça ou ela que queria o filho só pra ela? Que ela fizesse inseminação artificial ou fosse trepar com um bandido que não gosta de filho”.

Está tudo aí. A misoginia e a ginofobia. O ódio às feministas. A miragem obsedante do
“bandido”, a truculência, a vingança, etc. É a semeadura da direita fascista que começa a ser colhida. Como essa, incontáveis sementes do mal estão em processo de germinação e, sem políticas públicas de combate e prevenção ao ódio social, irão germinar muito em breve – e que políticas públicas viriam se, como sabemos, o golpe se apoiou justamente sobre esses ódios da classe média?

Provavelmente 2017, que começou com esse caso estarrecedor, será rico, muito rico, em episódios grotescos e crimes aberrantes.

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