Sabatina de Manuela na Carta Capital

Rússia e China trabalham para que o petrodólar adormeça em paz

Por Tulio Ribeiro

29 de outubro de 2017 : 02h03

(crédito imagem: khmerwathanak)

Enquanto as guerras se desenrolaram no Oriente Médio, principalmente pelo interesse estadunidense na geopolítica regional, dois atores tentaram mudar a dependência ao dólar da principal ¨commodity¨ mundial: o petróleo. O início do século foi palco da tentativa de Saddam Hussein(Iraque) e Muamar Al-Gaddafi(Líbia) em comercializar o crudo em euro e tiveram o mesmo fim em enfrentar os Estados Unidos.

Em que pese a ação regional destes líderes, gerou um precedente que agora se apresenta como realidade, desta vez pelo protagonismo de duas potências mundiais: Rússia e China. O primeiro como principal produtor de petróleo e fornecedor do segundo. A China na eminência de assumir como maior economia mundial, bem como ser o maior mercado para petróleo na atualidade. A diferença principal é que Hussein e El-Gaddafi eram importantes produtores regionais, mas os russos e chineses unem o maior produção com a maior demanda do planeta.

É evidente que esta mudança que se aclara, está sendo possível pela conclusão entre os países que seria difícil lograr êxito contra os EUA atuando isoladamente. Vladimir Putin depois de tentar por décadas se integrar ao ocidente, percebeu com o golpe na sua vizinha Ucrânia em 2014 que a OTAN não negará esforços para criar uma nova rota de energia via Síria, Turquia e a própria Ucrânia.

A Rússia que sofre com as sanções impostas pela Europa e Estados Unidos, auferiria grande benefício com a redução do status do dólar e por conseguinte diminuição de sua capacidade em produzir guerra econômica, que comumente utiliza contra adversários.

A China sendo a propulsora da economia do mundo e a maior compradora de crudo, possui capacidade de pactuar com os principais países petroleiros que o petroyuan passe ser a moeda de comercialização da sua produção. Em verdade este processo já se iniciou através da Venezuela, Indonésia e Irã ao operar em contratos futuros em yuan.

A Rússia como parceira da China, atua para convencer a última peça do oligopólio. Em 5 de outubro o rei Salmán Abdelaziz Al Saud se transformou no primeiro monarca saudita a visitar Moscou, gerou neste encontro o lançamento de um fundo de U$S 2 bilhões na área de energia. Os russos e os sauditas que já são sócios no acordo de valorização do barril organizado pela OPEP e produtores independentes, deram seguimento tratativas para enfraquecimento do petrodólar. O maior argumento é que Salmán simplesmente perderia mercado caso não aceitasse, além de ver os chineses cancelarem investimento no setor em sua nação.

A situação da China é de imenso conforto. Suas reservas cambiais montam mais de US$ 3 trilhões, detém US$ 1,3 trilhão em títulos da dívida estadunidense e emitiu semana passada títulos em US$ 2 bilhões apenas para manter a internacionalização de seu mercado financeiro.

A supremacia do dólar serviu apenas para financiar o deficit comercial e fiscal dos EUA via emissão de papel-moeda. A sua economia não possui contas controladas que possam garantir o lastro de sua moeda.

O dólar além de encontrar um ambiente econômico adverso, enfrenta as duas potências asiáticas trabalhando para sua substituição que levaria um redução da demanda da moeda em até US$ 800 bilhões por ano.

Na seara política, o presidente Donald Trump sofre de uma imensa volatilidade ao contrário dos outros dois mandatários. Putin é reeleito constantemente e tem em Dmitri Medvedev um primeiro-ministro fiel. O líder Xi Jinping foi reconduzido nesta semana por mais 5 anos como chefe do Estado chinês pelo partido comunista, indicou os 5 membros do Comitê Politburo, todos com mais de 60 anos o que significa que não poderão lhe substituir no fim deste mandato em 2020.

Trump pode ser obrigado utilizar uma medida drástica, mais comum a governos estadunidenses. Gerar um conflito bélico, que na História sempre trouxe ganhos ao país valorizando sua moeda por ser um porto seguro ao capital mundial pós-guerra. A península coreana lamentávelmente, pode ser esta oportunidade.

Autor:

Tulio Ribeiro é graduado em Economia(UFBA), pós-graduado em História Contemporânea(IUPERJ), mestre em História Social(USS) e doutorando em ¨Ciencias para Desarrollo Estrategico¨ na UBV-Caracas.

Escreveu : A política de Estado sobre recursos do petróleo, o caso venezuelano. Editora Pillares, 2016.

Tulio Ribeiro

Flávio Túlio Ribeiro Silva é graduado em Ciências econômicas pela UFBA,pós graduado em História Contemporânea pela IUPERJ,Mestre em História Social pela USS-RJ e doutorando em ¨Ciências para Desarrollo Estrategico¨ pela UBV de Caracas -Venezuela

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36 comentários

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Ivys

30 de outubro de 2017 às 22h22

Golden Dollar -Petro Dollar -Narco Dollar

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Sebastiao Marcirio De Araujo Magalhaes

30 de outubro de 2017 às 23h33

O FUTURO PRESIDENTE DO BRASIL JAIR BOLSANARO

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Roberto

30 de outubro de 2017 às 13h51

Devemos comemorar o fim do imperialismo americano, mas devemos tomar cuidado com o nascimento de duas nações imperialista em seu lugar

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Fernanda

30 de outubro de 2017 às 09h46

A abordagem é mais que adequada, o petróleo comanda interesse dos grandes fundos e a chegada do petroyuan é devastadora para os EUA.
Congratulações ao cafezinho .

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Zoor

30 de outubro de 2017 às 01h05

Trump começa na próxima semana visita ao Japão, Coreia do Sul, Vietnam , Filipinas
e China; Preparasse para não mais do que máximo ruído. No roteiro esta incluso uma parada em Hawai, base naval.
Frota naval e bombardeiros B-2 stealth foram enviados antecipadamente à região.

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Zoor

30 de outubro de 2017 às 00h47

Trump começa na próxima semana visita ao Japão, Coreia do Sul, Vietnam , Filipinas
e China; Preparasse para não mais do que máximo ruído. No roteiro esta incluso uma parada em Hawai, base naval.

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Rubens

29 de outubro de 2017 às 18h41

O articulista fala a verdade, se bem que olhando pelo retrovisor. Em 2003 os estados unidos importavam 10 milhões de barris diários de petróleo, com viés de aumento chegando a 13,5 milhões em 2007, na época do descobrimento do pré-sal.Imaginem se naquela época o petróleo não fosse comercializado em dólar, com déficit gigantesco como conseguiriam divisas? Hoje é tarde demais, se todo o petróleo fosse comercializado em yuans o tsunami que afetaria os Estados Unidos não teria ondas maior que meio metro. A razão e o brutal aumento da produção interna que fez as importações líquidas caírem para apenas 2 milhões de barris diário devendo cair a zero em fins do próximo ano. Hoje eles importam 10 milhões e exportam, principalmente na forma de derivados quase 8 milhões de barris por dia, inclusive para o Brasil é Venezuela. Agora sentem se estiverem de pé, neste ano serão os maiores exportadores ( em valor) do mundo, superando a Rússia e Arábia Saudita
Importam cru a 50 dólares e exportam refinados a 110 dólares o barril.

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Viviane

29 de outubro de 2017 às 13h48

A China é a potência do mundo,falta entregar o título oficialmente.
Os EUA o grande império decadente

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Reginaldo Gomes

29 de outubro de 2017 às 11h37

São fatos:
1) O Brasil irá vender todo seu petróleo em yuan.
2) Todo petróleo brasileiro será das 7 irmãs.(o etanol já é!!!)
3) O Brasil ganha com isso o que a maria ganhou atrás da horta.

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Rodrigo N. Matsui

29 de outubro de 2017 às 13h30

Por isso não vai ser moleza se o Brasil levantar a cabeça e partir rumo ao desenvolvimento de forma multipolar. Há neste cenário um componente vantajoso de retirar vantagens das potências interessadas em nos ter como parceiros, mas sabemos que antes disso, para evitar que constituamos um governo soberano capaz de estabelecer estas relações soberanas, tentarão nos aniquilar como estão fazendo agora, por enquanto sem maiores tumultos.

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Carmem Stewart

29 de outubro de 2017 às 12h38

A situação do mundo atual se desenrola sob penumbra.
No Brasil articulou-se um golpe para favorecer os Estados Unidos.
A imprensa internacional diz que trump chegou a Casa Branca com ajuda do Putin.
Em ambos casos a China é favorecida, e pouco o mundo conhece do relscionamento China/Russia.
Sem esquecer que Putin iniciou sua carreira politica na KGB.

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Martha Waryu

29 de outubro de 2017 às 12h37

Dois sacrificados por sua postura independente: Iraque e Líbia. Dois líderes assassinados e postados em nossas mídias como ditadores sangrentos. Vejamos como estas outras duas economias fortes e sistemas políticos aparentemente fortes e impermeáveis a golpes de insurreições artificialmente produzidas (não tão voláteis ideologicamante como o Brasil) desmancharão o petrodólar…espero estar viva para ver isso.

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Humberto

29 de outubro de 2017 às 10h33

Toda nossa história está indiretamente ou diretamente ligada aos valores culturais do ocidente, ou melhor, grego-juidaco-romano. As civilizações orientais, onde se inclui a China e Rússia, possuem valores diferentes. Havendo mudanças, conforme anunciado, teríamos que fazer adaptações, as quais seriam de tal ordem, que levariam anos e muitas gerações seriam sacrificadas. Portanto, qualquer apreciação, nesse sentido, deverá ser feita com realismo e isenta de ideologias pessoais.

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    JOÃO CARLOS AGDM

    29 de outubro de 2017 às 11h23

    Já vi que o pessoal do Instituto Millenium veio em peso em defesa dos seus patrões, que os pagam em dólares.
    Vamos começar com este.
    Metendo medinho nos pobres brasileiros que leram a matéria, hein?
    China pode ser cultura à parte, mas nada de tão diferente (não é tipo Arabia Saudita e outros povos árabes socialmente atrasados em relação à mulher e aos gays, por exemplo).
    Rússia é cristã……. Altamente desenvolvida, um dos melhores padrões de vida da Europa, com sistema excelente de assistência médica gratuita pelo Estado e seguro social ainda melhor que o da Suécia…..

    Responder

      Eloiza

      29 de outubro de 2017 às 12h37

      EUA nós já conhecemos muito bem . Não precisa dizer mais nada ..

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    Viviane

    29 de outubro de 2017 às 13h37

    Isenção tipo Mbl, globo e instituto Millenium?
    Gostei do texto,bem embasado e comprova o que já está acontecendo.
    Parabéns ao cafezinho .

    Responder

Mario Barboza

29 de outubro de 2017 às 12h23

Show!!

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Marcus Vinícius Chevitarese Alves

29 de outubro de 2017 às 10h18

Li a matéria e vi que o autor estuda em uma universidade bolivariana. Daí tudo fez sentido…
Apesar de a análise ter pontos interessantes, ela é maniqueísta, colocando EUA como o “mal encarnado” e China e Rússia como paladinos do bem. Para mim, são simplesmente grandes potências disputando poder.
E quando cita a Ucrânia, esquece de mencionar que a Rússia a invadiu e tomou parte do seu território, à força. Os ucranianos têm direito ao seu território e sabem muito bem o que os governos russos são capazes de fazer para dominar e expandir territórios. Vide o resultado da coletivização forçada de terras à qual foram submetidos: a grande fome ou Holodomor. Um verdadeiro genocídio. Logo, eles têm boas razões para desconfiarem dos governos russos.
O missivista poderia fazer uma análise geopolítica mais equilibrada, mostrando os vários interesses em jogo e o que essas potências fazem, ou fizeram, em nome deles.

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    JOÃO CARLOS AGDM

    29 de outubro de 2017 às 11h32

    Outro do Instituto.
    Você é mesmo cara de pau, hein?
    Quem destruiu a Ucrânia foram os mesmos que destruíram a Iugoslávia, e agora estão destruindo o Brasil.
    Usaram o mesmo método, infiltrando-se através da Mídia local.
    Tudo em função de tomarem suas empresas estatais para o “livre mercado” e outros objetivos de ordem estratégica.
    O povo da Crimeia se recusou a ficar na terra arrasada que se tornou a Ucrânia (como fizeram na Iugoslávia e como será o Brasil) e 98% votou em se anexar ao porto seguro que é a Rússia.

    Responder

    Rodrigo

    29 de outubro de 2017 às 13h45

    Então estudar doutorado numa universidade americana desqualifica alguém escrever sobre os EUA.
    A turma do bolsonaro não gosta de ler o que não é espelho.
    Belo texto, sempre estou aqui aprendendo.

    Responder

Carlos Santos

29 de outubro de 2017 às 12h10

Responder

Serjão

29 de outubro de 2017 às 06h54

O Império do Norte vai cair sem atirar?

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Fausto Amaral DE Barros

29 de outubro de 2017 às 07h28

Imaginem todo o BRICS, com seu poderio em crudo, equilibrando (resgatando, até) a Terra na armadilha “dólar”.

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Cristiane

29 de outubro de 2017 às 03h38

Que se vá

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Sandra Sumie

29 de outubro de 2017 às 04h49

esquerdistas V colunas conhecem a resposta

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    João Pontes

    29 de outubro de 2017 às 11h01

    Vcs não sabem nada de Brasil , vai saber do mundo , rsrsrsrs

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    Wagner Cruz

    29 de outubro de 2017 às 11h34

    Tulio Ribeiro é graduado em economia, pós-graduado em História Contemporânea, mestre em História Social e doutorando em ¨Ciencias para Desarrollo Estrategico.
    Quem sabe é vc ???

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    Raphael Mattos

    29 de outubro de 2017 às 12h52

    A ânsia desse povo de chamar os outros de burro sem ao menos conhecer, inteligentes só os economistas da Globo.

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    JOÃO CARLOS AGDM

    29 de outubro de 2017 às 11h37

    Calma pessoal, “Sandra Sumie” pela linguagem subliminar que usa é do Instituto Millenium, paga em dólares.
    É traidora (ou traidor) da Pátria, por isto usa V coluna (pros outros, quando deveria usar pra ela ou ele mesmo)

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    João Francisco França de Oliveira

    29 de outubro de 2017 às 19h59

    Bucefalia aguda. Doença incurável e que, infelizmente é transmitida através de carrapatos humanos que adoram aparecer em blogs contrários aos seus. Muito cuidado! A melhor forma de não contrair esse mal é ignorando pois assim eles se sentirão rejeitados e, com o rabinho entre as pernas, sumirão do mapa dos males que assolam nosso país.

    Responder

    Sandra Sumie

    29 de outubro de 2017 às 20h01

    entao ignora, que ta fazendo ai, se contradizendo?

    Responder

    Sandra Sumie

    29 de outubro de 2017 às 20h02

    aptoveita e ve se le e entende antes de se sentir diminuido, oh dó

    Responder

Sandra Sumie

29 de outubro de 2017 às 04h48

ta. agora imagina essa tatica com a dilma no poder. agora imagina essa tatica sem a venezuela

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