Cafezinho das 3: por que as manifestações de domingo floparam?

Chile aprova universidade pública e universal

Por Miguel do Rosário

29 de janeiro de 2018 : 11h01

(Foto: Alex Ibañez/ Presidência do Chile)

Lembrando que a Alemanha, em decisão recente, decidiu tornar gratuitas e universais todas as suas universidades.

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No Sputnik News

‘Nunca deveria estar nas mãos do mercado’, Chile aprova ensino superior público universalAlex Ibañez/ Presidência do Chile

O governo chileno decidiu aprovar uma reforma do ensino superior que põe fim às universidades privadas e adota um modelo de ensino superior gratuito e universal.

O Congresso chileno aprovou esta semana uma reforma que vinha sendo debatida pelos parlamentares do país desde o início do segundo governo de Michelle Bachelet, em 2014. A promessa de gratuidade universal do ensino superior era a principal promessa da chefe do executivo chileno.

Além da gratuidade universal, a reforma chilena cria ferramentas para avaliação do ensino superior que possam garantir a qualidade.

O Ministério da Educação do Chile divulgou informações de que nos últimos 4 anos o governo conseguiu aprovar um total de 29 leis sobre educação.

A votação se encerrou na quarta-feira (24), e apontou 102 votos a favor e duas abstenções. A aprovação na Câmara dos Deputados é a etapa final para que a lei seja aprovada.

Segundo informa a Carta Educação, Paula Narváez, porta-voz do governo, teria afirmado que a lei “dá tranquilidade aos jovens para que seus talentos, suas capacidades, sua inteligência possam se desenvolver em um Estado que lhes dá oportunidades”.

A presidente do país, Michelle Bachelet, comemorou a aprovação no Twitter, lembrando que acredita que sua lei de Universidades Estatais “fortalece uma gestão institucional, devolve ao Estado seu papel de protagonismo para assegurar uma educação superior pública de qualidade”.

A reforma é uma resposta a um projeto da ditadura de Augusto Pinochet, considerada a ditadura mais sangrenta da América Latina. Entre 1980 e 1990, uma série de privatizações foram realizadas no país.

A ditadura militar chilena retirou do Estado a responsabilidade de oferecer direitos sociais como a educação, e abriu espaço para um ensino privado. Sem regulamentação, as mensalidades de ensino dispararam nos anos 1990.
Até então, o governo financiava escolas privadas e as universidades públicas eram pagas. Dessa forma, estudantes utilizavam financiamentos de bancos privados para que pudessem estudar e iniciavam a vida adulta com dívidas.

Em 2006, esse formato da educação gerou os maiores protestos da história do país desde a ditadura, o que ficou conhecido como “revolta dos pinguins”. Os “Pinguins”, como ficaram conhecidos os estudantes secundaristas chilenos devido ao uniformes com terno e gravata, foram às ruas e ocuparam escolas em todo o país reivindicando gratuidade do ensino e também do transporte. Em 2011, outra onda de protestos de estudantes universitários também exigia mudanças no modelo.

“Ao avançar com a gratuidade na educação superior, queremos construir um país mais igualitário, com igualdade de oportunidades. Com a aprovação no Congresso, consagramos como lei um direito social que nunca deveria estar nas mãos do mercado!”, afirmou a presidente no Twitter.

Bachelet preside o país desde 2014. Ela pertence ao Partido Socialista do Chile, e já foi presidente do país entre 2006 e 2010. Ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de ministra da Defesa na América Latina e a primeira mulher a se eleger para a presidência do Chile.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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7 comentários

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Luiz

24 de agosto de 2018 às 23h40

mas também com os valores absurdos que são as universidades chilenas. Os cursos mais baratos ultrapassam os 2.000.000 de pesos de anuidade, com os mais caros que chegam aos 6.000.000. Isso é muito dinheiro para o chileno padrão que ganha uma média de 400.000 pesos mensáis. Até para brasileiro intercambista é praticamente impossível…2.000.000 de pesos são mais de 16.000 mil reais= 1.300 reais por mês no que seria um cursinho “ordinário” do tipo administração, história, música, letras etc que são muito mais baratos no Brasil de forma que não chegam a ser metade dessa mensalidade chilena.

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Vitória Regia Alves de Oliveira

28 de março de 2018 às 15h54

Sobre a universalização do ensino superior público. Um exemplo! Brasil precisa sim de um projeto como este.

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Octavio

29 de janeiro de 2018 às 23h04

Os neoliberais, tais como, Bolsonabo Bunda Suja, Kintacategoria e outros vão cortar os pulsos!!!!!!!

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Jáder Barroso Neto

29 de janeiro de 2018 às 14h26

Essa Lei é um avanço social, mas terá implementação dificultada. Como denunciado aqui, o Banco Mundial manipulou dados econômicos nos dois mandatos de Michelle Bachelet para garantir eleição de seus dois sucessores da Direita.

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vera vassouras

29 de janeiro de 2018 às 12h18

Não nos esqueçamos de que muito sangue de jovens estudantes foi derramado nas ruas do Chile. Isto é conquista, isto é notícia, isto é esperança de que os estudantes brasileiros acordem para as causas do caos social: a mercantilização da educação, sob o olhar complacente dos EDUCA-DORES.

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Marluce Aguiar

29 de janeiro de 2018 às 13h39

…e o golpista ainda chama seu programa de ponte para o futuro! Na verdade passado remoto…

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Roselene Rocha Chagas

29 de janeiro de 2018 às 13h24

Poxa que legal

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