Boulos no programa de Maurício Meirelles

O ufanismo tosco de Galvão e sua trupe

Por Pedro Breier

18 de junho de 2018 : 16h34

Tive o desprazer de assistir na Globo à estreia da seleção brasileira na Copa, ontem.

Há que se estar muito tranquilo para não se irritar com o ufanismo tosco do Galvão Bueno e sua trupe – o Casagrande ainda se salva naquele oceano de mediocridade.

Tudo bem o narrador e os comentaristas torcerem abertamente para o Brasil. O problema é quando a torcida deturpa completamente a já naturalmente combalida capacidade de análise dos cabras.

Logo no início do jogo, Neymar segurou a bola, de costas para o marcador, no entorno do meio-campo, chamando a falta até sofrê-la. Imediatamente, Galvão e Arnaldo Cezar Coelho desataram a falar que o árbitro deveria tomar cuidado com o autor da falta, porque ele bateria bastante e seria… provocador!

Ora, no quesito provocação são poucos os jogadores no mundo que chegam aos pés de Neymar. O camisa 10 do Brasil usa, manifestamente, a provocação – segurar a bola muito além do tempo necessário, passar o pé por cima dela, fazer firulas, etc. – como arma para afetar o psicológico dos adversários.

E aqui não estou fazendo qualquer juízo moral; é uma estratégia válida e que muitas vezes dá certo, apesar de não ser raro Neymar passar do ponto e acabar prejudicando o próprio time ao ser fominha demais.

O trio Galvão, Arnaldo e Ronaldo (este tece comentários que ou são platitudes ou puro nonsense), com seu patriotismo afetado e insano, pintam um quadro em que Neymar é um coitado que apanha de graça dos adversários. Surreal.

Nos lances polêmicos não há, nunca, qualquer dúvida: o juiz sempre erra contra o Brasil.

Se os juízes marcassem falta a cada empurrão como o que antecedeu o gol da Suíça, nenhuma jogada aérea seria concluída.

O lance em que Gabriel Jesus é agarrado dentro da área é um pouco mais duvidoso, mas é evidente que Jesus deu um belo mergulho para tentar cavar o pênalti. Eu não marcaria. Para Galvão e companhia, se é a favor do Brasil, lógico que é pênalti.

A Globo, representante mor dos interesses do imperialismo no Brasil, se apresenta como super patriótica no futebol, onde o patriotismo é inócuo e ainda piora a já sofrível transmissão dos jogos.

Nas áreas em que um certo patriotismo cai muito bem, como na defesa da soberania nacional e da Petrobras, a Globo vomita entreguismo e subserviência.

Patriotismo bom é somente aquele que serve aos interesses econômicos e políticos dos Marinho.

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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