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A alegria sul-coreana e a tristeza alemã

Cafezinho na Copa: A queda da campeã e os ciclos da vida

Por Pedro Breier

29 de junho de 2018 : 15h44

A grande surpresa da fase de grupos da Copa do Mundo foi a queda da Alemanha, atual campeã. A derrota para a Coréia do Sul, no último jogo, deu um toque de surrealismo à absolutamente improvável eliminação do forte time germânico.

Para além das análises estritamente futebolísticas, a queda da campeã é uma oportunidade para refletirmos sobre os implacáveis ciclos da vida.

“Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”, diz o provérbio.

“Tudo muda o tempo todo no mundo”, canta Lulu Santos

Assim é a vida, feita de ciclos. Uma hora estamos em cima, outra embaixo. Não importa qual seja a situação na qual nos encontremos; a única certeza que podemos ter é que ela vai passar.

Empregos, relacionamentos, bens materiais, visões de mundo. Tudo isso uma hora acaba, nem que seja com a morte, que não é senão o fim de um ciclo.

Citando novamente a linda “Como Uma Onda”, do Lulu, “tudo passa, tudo sempre passará”.

Não há o que se possa fazer quanto a isso.

Podemos, entretanto, mudar a forma com a qual lidamos com os ciclos e, assim, minimizar o nosso sofrimento.

A grande sacada de muitos mestres espirituais da história da humanidade foi a constatação de que sofremos porque nos apegamos às coisas.

É lógico: se tudo, absolutamente tudo passa, o apego à qualquer coisa, pessoa ou situação é a semente do sofrimento futuro, quando a inexorável mudança chegar.

O que fazer, então? Praticar o desapego e não esquecer jamais dessas duas palavrinhas: tudo passa.

Quando estamos em uma fase ruim é obviamente reconfortante saber que teremos dias melhores pela frente.

Nas fases boas é um pouco mais complicado, já que é bastante tentador apegar-se à felicidade do momento.

Entretanto, é libertador termos sempre a consciência de que tudo é transitório, pois isso acaba com o medo da perda. Se tudo passa, inevitavelmente “perderemos” qualquer coisa, pessoa ou situação a qual estejamos apegados.

Sabendo disso, podemos desfrutar melhor do que a vida oferece de bom, já que não faz sentido temer algo que fatalmente ocorrerá.

A Alemanha vai se reerguer novamente. O Brasil vai superar o 7 x 1. Derrotaremos o golpe.

A lei dos ciclos é infalível. Aceitemos e lidemos da melhor forma possível com ela.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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1 comentário

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Luís Ribeiro

30 de junho de 2018 às 20h11

Pedro, atualmente és o articulista que mais curto. Conseguir aliar substância e simplicidade, ficando equidistante do hermetismo acadêmico, de um lado, e da pieguice, de outro, não é fácil. Falar de Heráclito, de Epicuro sem precisar mencioná-los, ao som despretensioso de Lulu Santos, é show de bola.

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