Cafezinho 2 minutos: Posse de Bolsonaro e alegações finais contra Lula

Reprodução Twitter

Wanderley Guilherme: a insuperável leveza do governo Bolsonaro

Por Miguel do Rosário

26 de novembro de 2018 : 19h44

Coluna Segunda Opinião

A INSUPERÁVEL LEVEZA DO GOVERNO BOLSONARO

Por Wanderley Guilherme dos Santos

Estava certo o que se pensava antes da vitória de Jair Bolsonaro: ele não tem ideia do que seja governar um país. Igualmente apropriada era a tese de tratar-se de político periférico, com discurso rotineiro para dois nichos de eleitores: os conservadores brutamontes e os fardados – do Exército, bombeiros, policiais militares – além da polícia civil, delegados e demais autoridades coatoras. Ou seja: franca expressão do aparelho repressivo em suas nuances bélicas. Reacionário em costumes, Bolsonaro ganhou palco adicional com a restrição legal às decisões e liberdades privadas da população sobre o próprio corpo: direitos reprodutivos, orientação sexual, vestuário, hábitos de consumo (álcool e maconha, principalmente), bem como a abordagem médica aos vícios pesados.

A redução do tratamento discriminatório da mulher no mercado de trabalho, algo mal desembarcado no litoral, revelou ao combativo então parlamentar novo contingente de entidades malignas: mulheres ativistas, índios, quilombolas, religiões afroassimiladas. Em sua longa carreira parlamentar não há registro de projetos promovendo algum valor ou ideal. Sempre foi do contra, à exceção do apoio ao impedimento de Dilma Rousseff, ocasião em que homenageou o oficial que a torturara durante a ditadura. Uma atitude que, longe de qualificar a altivez do parlamentar, desqualifica o indivíduo. E não seria o poder obtido na mais estranha das eleições presidenciais brasileiras que o tornaria uma pessoa humanamente mais respeitável.

Percebe-se a inexistência de projeto de governo representado pelo candidato Jair Bolsonaro. Ele não conhecia nada nem círculos de profissionais, afora a família e dois ou três marginais à vida acadêmica e política que a ele se juntaram por falta de opção. Ninguém estava interessado em Paulo Guedes ou Onyx Lorenzoni e o candidato a candidato só obteve legenda à última hora. À medida que o processo eleitoral se mostrava estranho, teve a candidatura transformada em saco de gatos e ratos. A vitória não recompensou senão aos eventos bizarros da história humana a que se procura ficcionalmente creditar estratégias ocultas e movimentos tectônicos da sociedade brasileira.

Por isso o presidente eleito terceiriza o governo e se cerca de militares. Só se pronuncia para desmentir ministros não empossados ou vetar algo. Nada produtivo ou animador. Espera-se que Paulo Guedes, Sergio Moro e os militares saibam o que fazer com o governo terceirizado. E se eles não estiverem de acordo entre sí? Já imaginaram o ex-capitão Jair Bolsonaro arbitrar uma disputa entre o general Humberto Mourão e Paulo Guedes? Ou entre Sergio Moro e o general Augusto Heleno? Pois, é.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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17 comentários

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Álvaro

27 de novembro de 2018 às 02h35

Muito fácil decifrar o Belsonazi. Só tem três missões: entregar nossas riquezas, privatizar tudo a preço de banana e dar mais lucros aos bancos e cartéis. São as missões ultraliberais no mundo todo. Para isso submeterá nosso povo à penúria. O resto é teatro para enganar trouxa

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Brasileiro da Silva

27 de novembro de 2018 às 00h09

Mas se o juiz errou por que a 2ª aumentou a pena?

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Brasileiro da Silva

26 de novembro de 2018 às 22h19

O Wanderley então acha que o presidente deve ser centralizador? Não pode terceirizar funções? Tipo a Venezuela e suas grandes conquistas sociais?

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    Benoit

    26 de novembro de 2018 às 22h38

    Voce e’ que deve ter terceirizado o seu cerebro, senao voce teria entendido o que o texto quer dizer.

    Responder

      Brasileiro da Silva

      27 de novembro de 2018 às 00h00

      Mas eu tenho vc, que pode me esclarecer…

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    O Pai

    26 de novembro de 2018 às 22h45

    É q na cabeça dessa gente democracia é somente ter um rei para trocar a cada 4 anos. E o parlamento de que exploda.

    Responder

      O Pai

      26 de novembro de 2018 às 22h47

      *E o parlamento QUE SE exploda.

      Responder

Paulo

26 de novembro de 2018 às 22h03

Bolsonaro apresenta características de líder messiânico. Os líderes messiânicos, até onde sei, não necessitam apresentar resultados, pois sua mensagem costuma se encerrar na profecia…

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    Brasileiro da Silva

    26 de novembro de 2018 às 22h21

    Tipo o que esta preso em Curitiba?

    Responder

      Benoit

      26 de novembro de 2018 às 22h35

      Nao, tipo o juiz responsavel pela prisao do ex -presidente.

      Responder

      Paulo

      26 de novembro de 2018 às 23h32

      Brasileiro, o Lula, queiramos ou não, tinha uma estrutura partidária por trás dele, com alguma experiência de gestão, em estados e municípios importantes…

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        Brasileiro da Silva

        27 de novembro de 2018 às 00h01

        Mas infelizmente se corrompeu.

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          Nostradamus ( banquinho & bacia )

          27 de novembro de 2018 às 09h35

          Você é muito fariseu e vai morrer com essa língua comida pelas formigas seu fdp! Não tem educação nem o mínimo de sociabilidade para discutir nada, gosta de aparecer, é muito ignorante e repetitivo, um chato de galocha, tem uma necessidade mórbida de comentar tudo o que de ruim sobre o Lula sem desconfiar de seu problema psíquico, sua fixação da qual não pode se desprender. Impotente perante sua doença segue assim enchendo o saco dos outros através do teclado porque se fosse ao vivo as bofetadas na cara já o teriam trazido para a realidade do mundo da civilização onde adversários políticos não são inimigos e apenados continuam sendo cidadãos!

          Responder

Ioiô de Iaiá

26 de novembro de 2018 às 20h26

Votou no Bozo? Agora aguente os resultados da sua própria idiotice e da dele.

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