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Explode o número de motoristas de Uber, vendedores ambulantes e entregadores de aplicativo

Número de pessoas que trabalham em veículos cresce 29,2%, maior alta da série Editoria: Estatísticas Sociais | Cristiane Crelier | Arte: Brisa Gil 18/12/2019 10h00 | Última Atualização: 18/12/2019 10h52 Agência IBGE — A população que trabalha em veículos, como os motoristas de aplicativo, taxistas e motoristas e trocadores de ônibus, aumentou 29,2% em 2018 […]

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Trabalhadores em veículos somam 3,6 milhões, 810 mil pessoas a mais em relação a 2017 - Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

Número de pessoas que trabalham em veículos cresce 29,2%, maior alta da série

Editoria: Estatísticas Sociais | Cristiane Crelier | Arte: Brisa Gil

18/12/2019 10h00 | Última Atualização: 18/12/2019 10h52

Agência IBGE — A população que trabalha em veículos, como os motoristas de aplicativo, taxistas e motoristas e trocadores de ônibus, aumentou 29,2% em 2018 e chegou a 3,6 milhões, com 810 mil pessoas a mais em relação a 2017. É a maior alta em termos percentuais e absolutos desde 2012, início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada hoje (18) pelo IBGE.

Já aqueles que trabalham em local designado pelo empregador, patrão ou freguês, grupo que inclui os entregadores em geral, também teve o maior contingente e a maior alta desde 2012. São 10,1 milhões em 2018 nessa condição, uma alta de 9,9% em relação a 2017, equivalente a 905 mil pessoas a mais.

“As recentes altas podem estar relacionadas ao crescimento dos serviços de transportes de passageiros e de entregas por aplicativos de celular, refletindo as mudanças na economia atual”, comentou a pesquisadora do IBGE Adriana Beringuy.

A pesquisa mostrou também aumento de 12,1% na quantidade de brasileiros que trabalharam em vias públicas em relação a 2017, somando 2,3 milhões de pessoas. Entre essas pessoas estão, por exemplo, vendedores ambulantes.

A maior variação percentual no que se refere a local de trabalho, porém, foi das pessoas que trabalham em estabelecimento de outro empreendimento, com uma alta de 38,3%. “Isso pode indicar um crescimento da terceirização nas empresas”, explicou Beringuy.

Entre 2012 e 2014, o número de ocupados que trabalhavam em veículo ou em área pública se manteve razoavelmente estável, oscilando na casa dos 2,6 milhões o primeiro grupo e de 1,8 milhão o segundo.

A partir de 2015, houve uma pequena alta entre aqueles cujo local de trabalho eram os veículos, mas sem grandes oscilações até 2017. As Regiões Norte (5,3%) e Sudeste (5,2%) apresentaram os principais percentuais de pessoas ocupadas em veículo em 2018.

Já aqueles cujo local de trabalho são as vias públicas, tiveram um pico de alta de 2015 para 2016, passando de 1,8 milhão para 2 milhões (12,4%), e outro de 2017 para 2018, indo de 2,1 milhões para 2,3 milhões (12,1%). Na Região Sudeste, ocorreu a maior expansão (23,9%), gerando um contingente de 686 mil pessoas. Mas a Região Nordeste permaneceu sendo aquela com o maior número de pessoas ocupadas em via ou área pública: com 957 mil pessoas.

Com relação às pessoas que trabalhavam em local designado pelo patrão ou freguês, o grupo começou a série com uma alta de 7,2% em 2013, mas, nos anos seguintes, apresentou pouca oscilação, chegando a ter leve queda em 2016. Em 2017 voltou a crescer um pouco (2,3%) e, em 2018, deu o salto de quase 10% de crescimento.

Trabalho na própria residência aumenta 21,1%

Outra forte alta observada foi a de pessoas trabalhando em casa. Entre 2016 e 2017, aumentou 16,2% o número de trabalhadores cujo local de trabalho era o domicílio de residência e, entre 2017 e 2018, aumentou 21,1%. Entre 2012 e 2014, houve queda nesse grupo. Em 2015, uma alta de 7,3%; em 2016, voltou a ter queda (-2,2%).

Por outro lado, o número de pessoas trabalhando em estabelecimento próprio do empreendimento apresentou redução gradativa desde 2015. Porém, a queda de 4% entre 2017 e 2018 foi um pouco mais acentuada.

Outra retração foi no trabalho em fazenda, sítio, granja ou chácara. “Há uma tendência de queda gradual observada desde o início da série, em 2012. Essa diminuição está ligada ao processo de êxodo rural e mecanização dos processos”, disse Beringuy.

Trabalho por conta própria retoma tendência de crescimento

O percentual de trabalhadores por conta própria voltou a avançar. “Entre 2012 e 2016, houve crescimento do contingente das pessoas ocupadas como empregador ou conta própria que estavam em empreendimentos registrados no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), atingindo 29% em 2016. Em 2017, essa participação recuou para 28,1%, voltando a crescer em 2018, com retorno ao mesmo valor de 2016”, ressaltou Adriana Beringuy.

A proporção de registro do CNPJ é maior entre as mulheres (29,8%) é maior que a entre homens (28,6%). “Observa-se predomínio de mulheres registradas no CNPJ tanto como conta própria quanto como empregador”, destacou Beringuy. Entre as mulheres ocupadas como empregador, 84,3% possuíam o registro, enquanto entre os homens essa proporção era 77,2%.

E o setor que concentrou maior distribuição de pessoas ocupadas como empregador ou conta própria no trabalho principal no período foi o de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (42,7%), seguido por Serviços (34,7%).

Em termos regionais, o Norte (13,4%) e o Nordeste (16,3%) registraram as menores coberturas de CNPJ. Já região Sul, a maior (39,8%). Em relação a 2017, apenas o Centro-Oeste mostrou retração nesse tipo de registro, passando de 31,7% para 30,5%. Frente a 2012, o crescimento no percentual de registrados no CNPJ do Nordeste chegou a 38%.

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Comentários

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Julio

27/12/2019 - 17h27

Só não entendo como que a quantidade de taxistas aumentou se as concessões são limitadas…?

Kaura

19/12/2019 - 23h29

Esse é um dos legados que a Operação Lava Jato deixou ao Brasil depois de meia década de destruição da economia nacional.

Paulo

18/12/2019 - 19h17

É a “uberização” do Brasil…mas hoje fiquei até surpreso em ver, no JH, uma reportagem com lamentações, por parte de um desses motoristas de aplicativos, pelo excesso de trabalho e baixa remuneração, quando normalmente os telejornais globais exaltam essa precarização como “libertação do trabalhador”, que, “tocando a vida por conta própria”, estariam, assim, “favorecidos pela melhor administração do tempo e sem necessidade de bater ponto”…

Paulo Cesar Cabelo

18/12/2019 - 15h19

A narrativa do blog provavelmente é de que a esquerda tem que dialogar com esses novos tipos de trabalhadores mas isso pra mim é irrelevante.
Aonde acham que esse crescimento do trabalho informal vai levar?
Vai haver um colapso na previdência e na economia como um todo.
O que vemos é gente de classe média que comprou carro com o bom emprego que eles , ou seus pais , tinham na época do PT , tentando pagar as contas se humilhando como motorista de pobres.
Vou adaptar meu discurso pra eles?
Tenho um amigo cartunista aqui em SBC que é praticamente um mendigo e anda de uber pra todo lado , com o dinheiro da aposentadoria da mãe , claro.
Não deixa de ser divertido mas um dia a conta não vai fechar.

    Redação

    18/12/2019 - 15h45

    A matéria não foi postada pensando em nenhuma “narrativa”. Mas já que você abordou o assunto me parece lógico que a esquerda precisa dialogar com todas as categorias de trabalhadores, e especialmente com os mais atingidas pelas transformações nas relações de trabalho.

      Nabantino Gonçalves

      18/12/2019 - 17h07

      Exatamente, mesmo não estando sindicalizados e muitos desses “empresários” de si mesmo se considerando pequenos burgueses, não é preciso inteligência para deduzir que todos não passam dos velhos proletários de sempre, transfigurados pelas novas formas de produção de valor, sempre expoliados pela burguesia. Portanto, é lógico que são partidários potenciais da esquerda, ainda que a maioria não tenha consciência disso. Ou isso ou, a médio e longo prazo, permanecerão atolados no purgatório alienado do lumpezinato, dando corda para seus enforcadores.

      Nabantino Gonçalves

      18/12/2019 - 17h11

      Exatamente, como replicou a redação, ainda que não estejam sindicalizados e organizados e muitos desses “empresários” de si
      mesmo se considerando pequenos burgueses, não é preciso inteligência para deduzir que todos não passam dos velhos proletários de sempre, transfigurados pelas novas formas de produção de valor, sempre expoliados pela burguesia. Portanto, é lógico que são partidários potenciais da esquerda, ainda que a maioria não tenha consciência disso. Ou isso ou, a médio e longo prazo, permanecerão atolados no purgatório alienado do lumpezinato, enrolando corda para seus enforcadores.


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