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Notas internacionais (por Ana Prestes) – 28/01/20

Por Ana Prestes

28 de janeiro de 2020 : 10h48

– Ontem, 27 de janeiro de 2020, o mundo relembrou os 75 anos da abertura dos portões de Auschwitz. A data foi marcada com uma cerimônia junto ao “Portão da Morte”, na Polônia, passagem por onde entravam os trens com presos do campo de extermínio de Auschwitz. Na localidade hoje está instalado o Museu Estatal Auschwitz-Birkenau. Participaram do evento mais de 200 sobreviventes de campos de concentração nazistas, assim como familiares de vítimas e dirigentes de associações judaicas ou de preservação da memória. Líderes de 50 países estiveram presentes. A cerimônia teve como pano de fundo o desentendimento entre a Polônia, Israel e a Rússia. Na semana passada, em evento alusivo ao fim do holocausto em Jerusalém, o presidente polaco, Andrezej Duda, se ausentou por não ter sido convidado para discursar, ao contrário do presidente Putin que foi convidado. A polêmica esquentou quando algumas semanas atrás Putin acusou Varsóvia de cumplicidade no início da II Guerra Mundial.

– Enquanto isso, no Brasil, o presidente Bolsonaro, via twitter, ofendeu a memória das vítimas do nazismo ao dizer que o governo brasileiro “trabalha para combater o anti-semitismo que, muitas vezes, se esconde por trás do anti-sionismo”. Nunca é demais lembrar que sionismo é um movimento político da direita de Israel que hostiliza, ocupa as terras e oprime o povo palestino.

– Por falar em opressão ao povo paletino, o presidente dos EUA, D. Trump está em vias de divulgar seu “Plano de Paz” para o Oriente Médio. O anúncio pode ocorrer nas próximas horas. Ontem (27) ele recebeu o premiê israelense Benjamin Netanyahu. Ele também se reuniu com Benny Gantz. Ao dizer que o plano é histórico, Netanyahu afirmou que Trump é o melhor amigo que Israel já teve. A fala foi feita em plena campanha de Netanyahu visto que Israel passará por novas eleições em 2 de março. O propalado plano, que agride ainda mais o povo palestino por incluir a anexação do Vale do Jordão a Israel e reconhecer Jerusalém como única capital de Israel, foi preparado pelo genro e assessor de Trump Jared Kushner. O anúncio do plano pode levar à saída da Palestina do acordo de Oslo, de 1995, que dividiu a Cisjordânia em três, assim como o relançamento dos partidos e movimentos paletinos em um novo estágio de luta contra a ocupação sionista.

– Enquanto anuncia seu plano para Israel, Trump enfrenta novidades no processo de impeachment que corre no Senado. Novas revelações trazidas pelo anterior conselheiro de segurança da Casa Branca, John Bolton, atiçaram os ânimos no Congresso estadunidense. A imprensa americana divulga que pelo menos quatro senadores republicanos votem para convocar Bolton para depor no julgamento, o que daria aos democratas os votos necessários para trazê-lo. A possível convocação pode acabar com a expectativa dos republicanos de fazer um julgamento expresso, sem testemunhas ou novas evidências. As notas de Bolton, que constam de um manuscrito de um livro não publicado, foram reveladas pelo NYT. Nelas, o ex-conselheiro relata que Trump pretendia congelar o auxilio de segurança do EUA à Ucrânia até Kiev ajudar nas investigações contra democratas, incluindo os Biden, pai e filho.

– Já estou na quinta nota do dia e ainda não consegui sair dos EUA, ocorre que o cenário no país imperialista passa por definições importantes e que impactam em todo o mundo. Outro tema relevante é o das prévias ou primárias dos partidos que se preparam para a disputa presidencial de novembro. Entre os democratas há pontos interessantes a serem notados. Os últimos números apontam para uma maior polarização entre os pré-candidatos Biden e Sanders, com E. Warren desidratando bastante se consideradas suas possibilidades ao final de 2019. Nas casas de apostas Biden ainda é o favorito, mas quase empatado com Sanders, vindo atrás Warren e Bloomberg. Dentro de uma semana serão computados os votos em Iowa, os primeiros votos na maratona das primárias. Depois de Iowa vem New Hampshire. Nos dois estados Sanders lidera pelas sondagens.

– Na Itália, as eleições regionais ocorridas no final de semana trouxeram alívio para a atual coalizão que governa o país (PD e M5Estrelas) e uma derrota parcial para o líder ultraconservador e xenófobo Salvini. Dias antes da eleição, que ocorreu na Emilia Romagna e Calábria, Salvini havia avisado que se seu partido (Liga) ganhasse a primeira medida ser exigir novas eleições legislativas antecipadas. Seu candidato ganhou na Calábria, mas sua candidata perdeu na Emilia Romagna que é a segunda região mais rica da Itália. O movimento “Sardinhas” foi determinante para a derrota de Salvini. Nascido há dois meses, com muita irreverência, o movimento está centrado em mobilizações para conter o avanço da extrema-direita e na demonstração de que o apoio a Salvini é “fake” ou fabricado por falsas impressões dadas nas redes sociais.

– Coronavírus, além de devastar a vida de mais de uma centena de pessoas e infectar mais de quatro mil neste momento, está provocando muita tensão na China, na Organização Mundial de Saúde e na economia global. A ameaça de uma epidemia global é real e a OMS reviu seu alerta para risco “muito alto” na China e risco “alto” no resto do mundo. No dia de hoje (28), o governo chinês anunciou o envio de 6000 médicos para Wuhan, epicentro da crise, além de estender o feriado de ano novo e adiar retomada do funcionamento de empresas, escolas e até da bolsa de valores. Wuhan concentra várias montadoras de carros das maiores empresas de automóveis do mundo. Toda a produção está parada.

Ana Prestes

Ana Prestes Socióloga, mestre e doutora em Ciência Política pela UFMG. Autora da tese “Três estrelas do Sul Global: O Fórum Social Mundial em Mumbai, Nairóbi e Belém” e do livro infanto-juvenil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”. É membro do conselho curador da Fundação Maurício Grabois, dirigente nacional do PCdoB e atua profissionalmente como assessora internacional e assessora técnica de comissões na Câmara dos Deputados em Brasília.

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25 comentários

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putin

28 de janeiro de 2020 às 20h15

no ultimos anos na italia muita gente de esquerda vota direita por 2 motivos:
– os partidos de falsa-esquerda, neoliberais, cachorrinhos do imperio americano e do subimperio alemao, só fizeram baixar salarios e aposentadorias, “austeridade” a chamam. a mesma politica de bolsonaro aqui.
– os partidos de falsa-esquerda encheram o pais de milhoes de africanos, que tem mais direitos que os italianos (racismo ao contrario) com a finalidade de baixar ainda mais os salarios.

afinal, pois que a esquerda se tornou direita, votam a direita na esperança que se torne esquerda…
nao é por acaso que as mesmas categorias que lá votam a falsa-esquerda aqui votam bolsonaro. na italia operario hoje vota direita, empresario do bairro bacana da cidade vota falsa-esquerda.

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    Hilux12

    28 de janeiro de 2020 às 21h21

    No Brasil é a mesma coisa.

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    Paulo

    28 de janeiro de 2020 às 21h47

    Interessante! E qual seria a “esquerda verdadeira”, então, lá e cá?

    Responder

      Hilux12

      29 de janeiro de 2020 às 08h47

      Não existe.

      Responder

    Alan C

    29 de janeiro de 2020 às 09h08

    O povo vota em quem ele acha que, naquele momento, irá beneficiá-lo mais que o outro candidato, sempre foi assim. Povo se lixa (com toda razão) pra essa baboseira ideológica de esquerda e direita.

    Prova disso? Arredondando os números, 70% de MG e RJ votaram no Lula em 2002 e 2006, em Dilma em 2010 e 2014, e depois no bozo em 2018. Isso quer dizer que quem era esquerda virou extrema direita?

    Só o andressão pra pensar numa idiotice dessa.

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      Andressa

      29 de janeiro de 2020 às 12h12

      Quase ninguem é de esquerda no Brasil mesmo assim ganhou 4 eleiçoes seguidas (com o dinheiro roubado das propinas) e a ajuda da Globo.

      Responder

chichano goncalvez

28 de janeiro de 2020 às 11h37

Não resta outra alternativa ao valente povo Palestino, que é a de continuar a sua luta pela sua terra, é a mais nobre e a mais honrada ideologia. Quanto a essa peste, é de extranhar novamente vir da China, não é verdade ? Ou será que algo ou alguem provoca esse tipo de peste ? Não esquecemos que estão em jogo bilhões de dinheiro, e a China hoje não resta duvida é a maior economia do mundo e faz frente aos Estados Unidos, não devemos esquecer esse detalhe.Os estados unidos continuam sendo a primeira potencia militar, embora tenha perdido todas as guerras em que participou.

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Alan C

28 de janeiro de 2020 às 11h32

Parabéns aos italianos, que apesar de ser um povo conhecido pelo racismo e preconceito, chutou o traseiro da extrema direita, uma tendência mundial.

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    Abdel Romenia

    28 de janeiro de 2020 às 11h52

    …povo conhecido pelo racismo e preconceito…? Tà falando do Brasil provavelmente.

    Responder

    Evandro Garcia

    28 de janeiro de 2020 às 12h06

    Fàz tempo que voce falta da Italia…?

    Responder

      Alan C

      28 de janeiro de 2020 às 12h30

      andressa, fale português por favor, meu computador não tem tecla SAP.

      Responder

        Abdel Romenia

        28 de janeiro de 2020 às 12h38

        Não vai responder…?

        Responder

          Alan C

          28 de janeiro de 2020 às 12h46

          Pra quem? andressa? wellinton? sergio araujo? marcio? geraldo? olavo? abdel? Ou seja lá qual outra merda dos seus nomes tenho que responder, camundongo? rsrs

          O mal do trouxa é se achar esperto….

          Abdel Romenia

          28 de janeiro de 2020 às 12h52

          Jogou a pedra e correu né fascistela….?

          Alan C

          28 de janeiro de 2020 às 13h00

          Não precisa ficar envergonhado camundongo, todos aqui já sabem.
          Continue respondendo a si próprio, a gente dá boas risadas com isso, rs.

          Andressa

          28 de janeiro de 2020 às 18h39

          O capitãozinho do mato foi condenado por racismo…kkkkkkkkkkkkkkkkk

          Brenda cadé a Hilux….?

          Alan C

          28 de janeiro de 2020 às 20h33

          Tipo o palhaço bozo com a Maria do Rosário, né? hummm….rs

          Andressa

          29 de janeiro de 2020 às 12h25

          Ah mas Bolsonaro é Bolsonaro, o conheçemos bem.

          Agora o Cirolipa é o Democrata bam bam bam, o bonitào, o inteligentào, o auto proclamado competente em tudo, mas no final das contas nào passa de um fascistello da caatinga.

          Filho da Puta…pah !! Prende ele, prende ele….Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

          Alan C

          29 de janeiro de 2020 às 12h57

          “Ah mas Bolsonaro é Bolsonaro”

          kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

          Favor acertar com a Maria do Rosário, obrigado.

Andressa

28 de janeiro de 2020 às 11h15

Esqueçeu de dizer que a Emilia-Romagna (assim como a Toscana) é regiào vermelha desde sempre e sempre serà. Nessas eleiçoes a esquerda foi ao minimo historico perdendo mais de 10 pontos das eleiçoes anteriores e ninguem mesmo acreditava que Matteo Salvini ganhasse por là. O Partido de Salvini é com destaque o primeiro partido da Italia e o o grupo de atrapalhados chamados M5S sumiram do mapa (apòs ter concedido uma especie de “bolsa familia” para quem nao quer trabalhar).

A direita governa 13 regioes contra as 6 da esquerda.

O Governo italiano noi foi eleito por ninguem mas foi sò um acordo entre a esquerda e esses palhaços do Movimento 5 Drogados para nào sair do poder (com o aval do Presidente da Republica, que nào é esquerdista por acaso)….chega a ser infinitamente mais ridiculo do Brasileiro onde pelo menos alguem votou para quem està em Brasilia.

Responder

    conge

    28 de janeiro de 2020 às 16h46

    Quem vai contar isso para o Alan C agora ?

    Responder

    Marcio

    28 de janeiro de 2020 às 20h17

    Desculpe companheiro, mas só faltou vc dizer que a extrema direita venceu a eleição.

    Responder

      Andressa

      29 de janeiro de 2020 às 12h08

      Sim capitaozinho.

      Responder

    Ana Prestes

    29 de janeiro de 2020 às 11h10

    Obrigada pelas infos, Andressa.

    Responder

      Alan C

      29 de janeiro de 2020 às 12h58

      Sim capitaozinho.

      Responder

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