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Cientista chinês divulga mensagem otimista: coronavírus começará a recuar em 10 dias

Por Redação

30 de janeiro de 2020 : 21h33

No Diário do Povo (órgão oficial do governo chinês)

Especialista chinês: surto do coronavírus deverá atingir pico em 10 dias, não se prevê aumento significativo de número de infetados

Diário do Povo Online 29.01.2020 13h02

O surto de pneumonia causado pelo novo coronavírus tem deixado a China inteira apreensiva. Como pode o povo chinês vencer uma vez mais um desafio destes? A 28 de janeiro, o acadêmico Zhong Nanshan, líder do grupo de especialistas da Comissão Nacional de Saúde, concedeu uma entrevista exclusiva à agência noticiosa Xinhua, onde falou sobre a evolução da situação.

Seguem-se os 10 pontos mais importantes da entrevista:

1. Evolução do surto

Zhou Nanshan: na minha opinião trata-se de um surto local e não nacional. Não me parece que os focos que se têm detetado por todo o país possam levar um contágio de grandes dimensões. Afinal um surto indica um elevado nível de contágio. No presente, excetuando Wuhan, dizer que locais como Guangdong, com mais de 100 casos, possam ser focos epidêmicos é algo com o qual não concordo. Trata-se ainda de um foco local. Quando for atingido o pico de contágio, será difícil estimar com certezas absolutas. No entanto, penso que esse período deverá ocorrer em uma semana ou 10 dias, e que não irá aumentar em larga escala.

2. Pico da doença

Zhong Nanshan: no passado, não foram tomadas medidas de ação a nível nacional aquando da deteção da pneumonia atípica (SARS, que afetou a China em 2003) num estágio inicial, incluindo medidas de interdição de ajuntamentos em locais públicos. Desta vez há apelos ao “uso de máscaras no exterior”, à “proteção pessoal e dos outros”, entre outras medidas, de forma atempada, por isso não me parece que a situação venha a ser tão extrema. É difícil estimar quando será atingido o pico. Penso que deveremos atingir um nível relativamente alto em uma semana ou 10 dias, por isso, considero que o suposto “pico” não deverá ser de grande escala.

3.Pacientes infetados

Zhong Nanshan: do ponto de vista epidemiológico, este novo vírus (2019-nCov) foi detetado num tipo de morcego. Se está ou não incluído na dieta, parece-me que um “sashimi de morcego” é algo bastante improvável. A hipótese de que foi algo semelhante ao SARS, com o morcego a alojar o coronavírus, tem uma diferença, a de que foi usado um intermediário para transmitir o vírus para uma pessoa.

4. Organização de especialistas

Zhong Nanshan: uma característica importante dos hospitais especializados em doenças contagiosas, é que, além de especialistas na área, são também necessários especialistas em cuidados intensivos. Isto é muito importante. Deixar especialistas em doenças contagiosas a trabalhar sozinhos não é exequível. Apenas com a união de esforços entre os dois é possível proceder ao salvamento de pacientes em estado crítico.

5. Sintomas típicos

Zhong Nanshan: a febre é um sintoma típico, é o mais importante, e a fadiga. Os sintomas são discretos. Deste modo, qual é então a capacidade de contágio neste estágio? Isso é ainda uma pergunta para a qual não temos resposta. Ninguém o pode responder. É preciso alguma investigação laboratorial e epidemiológica.

É preciso, por isso, todo o cuidado. Há casos de pacientes que depois de estarem em Wuhan não apresentaram quaisquer problemas, mas dois ou três dias após voltarem a casa tiveram problemas, como aconteceu em Macau. Estas pessoas agiram corretamente, dizendo às autoridades locais que tinham vindo de Wuhan e que precisavam de ser examinadas. Pouco depois, como seria de esperar, surgiu a pneumonia. Casos como este não são a norma, mas todo o cuidado é pouco. É preciso estar sempre alerta.

6. Observação e isolamento de pacientes

Zhong Nanshan: partindo da premissa da transmissão entre seres humanos, especialmente entre médicos, o país tomou rapidamente medidas decisivas. O surto de SARS durou quase 6 meses, mas eu acredito que este novo coronavírus não dure tanto tempo. Desta vez estamos melhor preparados. Em particular, dois pontos-chave: deteção precoce e isolamento imediato após a deteção. É o modo mais primitivo, mas também o mais eficiente. É claro, muitas investigações científicas estão decorrendo, estando estas duas já em prática. Temos confiança suficiente para prevenir o contágio em grande escala.

O regresso a casa das comemorações do Festival da Primavera abrange milhões de pessoas. Porém não considero o regresso um grande problema, pois essas pessoas já estiveram fora por mais de 10 dias. O período de contágio já teve tempo de acontecer e o mesmo se aplica ao combate à doença. Se alguém a teve, teve, se não teve, não teve. Se a teve, deverá ter recebido tratamento local e, deste modo, o número potencial de contágio após o regresso tenderá a ser mais baixo.

7. Viajar

Zhong Nanshan: eu avisei antes do Festival da Primavera para evitar deslocações. Agora enfatizo que ninguém deve sair de casa, especialmente em Wuhan. Não se trata de uma questão pessoal, mas de uma questão social. Não ir a Wuhan, não sair de Wuhan. Já tinha chamado a atenção para isto no dia 20. Depois de Wuhan ter tomado medidas de controlo de tráfego, o número de infeções reduziu substancialmente.

8. Medicação

Zhong Nanshan: até à data não existe um medicamento específico capaz de tratar eficazmente o novo coronavírus. Mas há várias soluções. Além disso, as atuais tecnologias ao serviço da medicina conseguiram progressos notáveis, incomparáveis face há 17 anos atrás, o que se reflete numa forte descida de mortalidade.

9. Pontos-chave sobre a epidemia

Zhong Nanshan: para fazer frente a uma epidemia, temos de ser capazes de pôr em prática duas premissas: deteção precoce e isolamento imediato. São os dois métodos mais primitivos e mais eficientes.

10. “Super disseminadores”

Zhong Nanshan: os “super disseminadores” não têm uma quota definida de contágios para assim serem definidos. Quem contagia mais pessoas, indiretamente estará, potencialmente, a contagiar mais ainda. Até à data não fui confrontado com muitos destes casos, por isso não me parece que existam muitos “super disseminadores”.

11. Confiança na luta contra o coronavírus

Zhong Nanshan: tenho um aluno que me enviou uma mensagem ontem à noite. Ele disse que ouviu as pessoas cantar o hino nacional nas ruas e que ficou comovido. Essa é a realidade, e com esse espírito, acredito que muitos problemas podem ser resolvidos. Toda a gente pode dar o seu contributo. Wuhan será capaz de superar este obstáculo. Wuhan sempre foi uma cidade de heróis. Com a ajuda de todo o país, com o apoio de todos, tenho a certeza que Wuhan irá triunfar.

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3 comentários

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mohamed el hassan

01 de fevereiro de 2020 às 15h34

Vai chegar um dia que precisará por fogo na China.

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Silas

31 de janeiro de 2020 às 09h01

dengue

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Paulo

30 de janeiro de 2020 às 23h57

Se ele estiver certo, será louvado como um grande cientista. Um “gênio da raça”. Se estiver errado, será havido como mais um médico pró-Regime comunista, inconsequente e crédulo num eventual sistema de saúde exitoso, que acredita (ou finge acreditar) que “cantar o hino nacional” serve como modelo de combate a epidemias…

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