Live do Cafezinho: balanço dos partidos de esquerda

Análise: Diálogo entre Ciro, Maia e Camilo deixa situação política de Bolsonaro cada vez mais íngreme

Por Gabriel Barbosa

19 de novembro de 2020 : 17h12

Por Gabriel Barbosa

Nesta quinta-feira, 19, o almoço entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), o vice-presidente Nacional do PDT, Ciro Gomes, e outras lideranças do PT, PDT e DEM teve um peso simbólico e político considerável.

Evidente que o desembarque de Maia em Fortaleza não foi apenas de cortesia ou institucional, mas também político. Com a proximidade da eleição para presidência da Câmara, Maia deseja o apoio em peso da bancada cearense para sua eventual reeleição ou de seu candidato, Baleia Rossi (MDB-SP). E claro, a disputa de 2° turno na capital cearense também entrou na pauta do encontro.

Porém, a conjuntura política que se desenhou com o resultado das eleições municipais confirmou que os partidos de Centro foram os grandes vencedores e o bolsonarismo, enfraquecido.

No campo da esquerda, PDT e PSB foram as legendas que conquistaram mais prefeituras, 561 no total. Com isso, o diálogo entre forças políticas moderadas e experientes como de Maia, Camilo e Ciro deve se tornar cada vez mais comum a partir desse almoço, tendo o Palácio da Abolição (sede do Governo cearense) como ponto de partida.

Com as bençãos de Lula e Ciro, Camilo vai transitar livremente nos bastidores para ampliar o diálogo com outras forças políticas e tentar construir um grande entendimento nacional em 2021, preparando o terreno para uma alternativa em 2022.

Esse cenário não é nada animador para o presidente Jair Bolsonaro, que além de ter sofrido uma grande derrota nas eleições municipais, está vendo sua situação política ficar cada vez mais íngreme.

Gabriel Barbosa

Jornalista com passagens pelo Grupo de Comunicação O POVO (Ceará), RedeTV! e Band News FM.

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6 comentários

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Clodoaldo

20 de novembro de 2020 às 07h14

Doria neles…!!! Kkkkk

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Alexandre Neres

19 de novembro de 2020 às 21h47

Boulos foi o fenômeno das eleições 2020. Mais importante que isso foi deixar patente que para alguém da esquerda se destacar não precisa bater no PT. Boulos e o PSOL sempre tiveram suas diferenças com o PT, mas em um momento adverso, quando o establishment fez um pacto por cima e deu o golpe híbrido com efeitos nefastos para a população, Boulos e o PSOL foram aliados de primeira hora, lutando com unhas e dentes contra a prisão política da maior liderança popular brasileira de todos os tempos. Não se abandona um líder ferido numa situação injusta e desleal. Imagine se o movimento negro tivesse largado Angela Davis quando era uma presa política? Alguma deve ter feito aquela vaca. Assassina. Corrupta. Assim se portam os comentaristas ciristas do Cafezinho, aqui é o maior reduto de quinta-coluna por metro quadrado. O que estou discutindo aqui não é política, é respeito ao estado democrático de direito, ao princípio da dignidade humana, é questão de caráter. Não posso nem imputar responsabilidade a esses cachorros loucos, pois foram açulados que nem cães e responderam bovinamente como bolsominions. Lógico que existem honrosas exceções. Boulos em pouto tempo mostrou maior capacidade de aglutinar em torno de si do que Ciro Gomes a vida inteira, já que construção coletiva não é o seu forte. Simbolicamente, o que Boulos fez foi muito forte e pode representar uma semente de união do campo progressista em 2022 para derrotar o capitão corona.

Entrementes, em Fortaleza, todo o staff do PDT foi prestar vassalagem a Rodrigo Maia, fiador do neoliberalismo do desgoverno Bolsonero e o grande anteparo do capetão. O campo progressista tem que conversar com Maia? Sem dúvida. Tem também que articular com ele a próxima presidência, que não seja ele em respeito ao que prescreve a Constituição. Não tem que ficar posando pra fotinha. Maia e ACM estão se cacifando à custa de Ciro Gomes, tal qual em 2018, e vão cair no colo do seu candidato natural, que em 2022 tem tudo para ser o Huck. Os DEMos já estão todo soltinhos, se gabando de sua performance eleitoral. Seria de bom alvitre que Ciro Gomes parasse de fazer o jogo da direita e de legitimar esses eméritos golpistas que votaram em Bolsonero e apoiaram seu governo sem nem pestanejar. Um governador de estado institucionalmente tem que receber o presidente de outro poder federal, deputados têm de tratar da questão da presidência, o que não fica bem é um partido legitimar politicamente alguns dos grandes responsáveis por estarmos nessa crise sem fim, consectário natural da eleição de um completo despreparado, pois não só derrubaram governo eleito democraticamente sem cometer crime de responsabilidade como estão conduzindo o atual para aprovar uma reforma neoliberal atrás da outra, o que estava dentro do pacote desde o início.

Basta!

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Efrem Ventura

19 de novembro de 2020 às 19h41

Finalmente esse porco vai sair da presidencia da camara e se o governo com o apoio do centrao conseguir emplacar um nome alinhado os brasileiros poderao ver sair do papel as medidas provisorias e as reformas pelas quais elegeram esse governo

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Marco Vitis

19 de novembro de 2020 às 18h06

Frente Ampla Democrática para extirpar da vida público o fascismo bolsonarista. Precisa ter força política suficiente para até alterar a formação dos oficiais das Forças Armadas. Eu que estou do lado de fora tenho uma forte impressão de que todo oficial graduado por Agulhas Negras é um militar entreguista. Precisamos de militares nacionalistas que defendam a Soberania do Povo.

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Alan C

19 de novembro de 2020 às 18h05

É completamente sonhador dizer que uma frente ampla restrita à esquerda vencerá em 2022. Ou se inclui o centro, ou a derrota é certa.
O fato em questão é como convencer o centro, uma vez que ele se fortaleceu nessa eleição municipal.
Muita coisa ainda vai acontecer até lá. Esse encontro foi, por enquanto, positivo.

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Gedeon

19 de novembro de 2020 às 18h03

O Miguel aposentou e alguém tomou conta desse site, só pode ser.

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