Paris Café Extra: Finanças Funcionais, uma revolução copernicaniana na economia

Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil afirma que foi condenado por crime que não cometeu

Por Redação

23 de fevereiro de 2021 : 18h38

Por Dri Delorenzo

“O mentirão – ou mensalão – é a gênese de todo esse processo que terminou na Lava Jato”, assim o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato define o julgamento da Ação Penal 470.

Em 2013, ele foi considerado culpado pelos crimes de peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo então relator da ação no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro Joaquim Barbosa. Pizzolato, no entanto, diz que assim como ignoraram o laudo 2828 de 2006, agora mais um laudo pericial, finalizado em dezembro de 2020, comprova sua inocência.

De acordo com Pizzolato, no laudo 2828 o nome dele sequer aparece entre os responsáveis por fazer os gerenciamentos do Fundo Visanet.

Assinado por três peritos do Instituto Nacional de Criminalística e solicitado pelo então procurador-geral Antonio Fernando de Souza, o documento mostrava a “quem competia fazer o gerenciamento dos recursos do Fundo Visanet” destinados à DNA, agência de Marcos Valério.

Também não é mencionado o ex-ministro Luiz Gushiken, que foi julgado e acabou absolvido. A acusação aponta para quatro diretores e quatro gerentes do Banco do Brasil. Nenhum deles arrolado na Ação Penal 470.

Em entrevista ao programa Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (22), Pizzolato explica que a “grande fake news do judiciário brasileiro foi montada em cima de alguns pilares: o primeiro de que os recursos da Visanet eram do Banco do Brasil; depois que esses recursos vinham sendo desviados (R$ 73 milhões), para que fosse realizado o mensalão, ou seja, fossem comprados deputados. O terceiro era de que eu era a pessoa responsável por administrar esses recursos”, conta.

“O Banco do Brasil durante todo o processo do mensalão e depois de todas as investigações sempre disse que esse dinheiro não era dele. A Visanet é uma empresa privada. O BB apenas tem cartões Ourocard vinculados à Visanet. Mas na época, Joaquim Barbosa disse não, o dinheiro é do BB.”

Com a decisão de Barbosa, o Banco do Brasil, por sua vez, segundo Pizzolato, solicitou o resgate dos recursos que seriam da instituição e pediu para fazer uma perícia para ver quanto seria esse valor.

“O perito foi nomeado pela 20ª Vara de Brasília e, depois de mais de um ano revirando toda a documentação, em dezembro do ano passado provou o que sempre disse: concluiu que o dinheiro não era do BB, era da Visanet. Que a Visanet fez auditoria e tudo foi gasto regularmente. Somou todas as notas, de mais de 13 mil fornecedores e encontrou as comprovações das entregas e de tudo que foi pago. O maior recebedor, inclusive, é a Globo. Joaquim Barbosa chegou a dizer que eram notas frias. O Pizzolato não tinha nada que ver com o dinheiro. Os responsáveis eram a área de cartão de crédito. Fui condenado por um crime que não cometi.”

Com esse novo laudo vindo à tona, o ex-diretor do BB teme que ocorra o mesmo com o laudo 2828, e que mais uma vez essa prova seja escondida. “Quero a verdade, vou até a minha última gota de saúde lutar para que o Brasil saiba a verdade”, diz. “Quero que se restabeleça a verdade. Minha família foi destruída, vivi toda a barbárie possível, sofri nessas prisões e testemunhei o que há de mais primitivo e animal.”

Considerado herói antes do ex-juiz Sergio Moro, Joaquim Barbosa, na opinião de Pizzolato, inaugurou no país a adoção da mentira, como um processo, em que “se repete algo muitas vezes à moda de Goebbels e ela se torna verdade”. “A mentira com o apoio da mídia corporativa passa a ser o fato. Foi o grande ensaio para a Lava Jato. Eu não tinha nada a ver e virei culpado. Não adianta apresentar documentos. O mensalão gerou a cultura de que se fabrica fatos, a mídia repercute e a justiça condena.”

Ex-sindicalista, funcionário de carreira do Banco do Brasil e militante do Partido dos Trabalhadores, Pizzolato tem nacionalidade italiana e conta que decidiu ir para a Itália por não aceitar toda a mentira que estava vivendo. “Ou eu me entregava e engolia isso como se a injustiça e a mentira fossem uma coisa normal e aceita na sociedade, ou resistia até a última gota. Não posso ser cúmplice dessa mentira, além dos danos para mim e toda a minha família, era um dano para a sociedade, ao país e às instituições. Mas a verdade um dia vence.”

Texto publicado originalmente na Revista Fórum em 23 de fevereiro de 2021

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

8 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

helio dias horvath

25 de fevereiro de 2021 às 16h19

Parabéns ao Pizzolato por sua determinação em seguir lutando em favor de sua inocência, verdade transparente e cristalina em meio às águas turvas que tem contaminado o ambiente político nacional desde a AP 470. A leitura das mensagens anteriores à esta ilustram, se isso ainda fosse necessário, o repulsivo encardimento das emoções e dos raciocínios daqueles que se deixaram bestificar pelos meios de comunicação, a partir do mal chamado mensalão. Mas é preciso dizer que a gigantesca operação de propaganda contra Lula, o PT e seus dirigentes na época, também atingiu profundamente o próprio PT, graças à ingenuidade de boa parte de seus filiados. Pasmem, leitores, muita gente no PT ainda acredita na obra máxima da lábia de J. Barbosa e companhia…

Responder

Marcus

24 de fevereiro de 2021 às 13h05

Que fase, hein cafezinho? Chorume de primeira esses comentários dos ciro-naros!

Responder

Marcos Luiz Ribeiro de Barros

24 de fevereiro de 2021 às 10h31

A maioria dos comentários é de fascistas Bolsonaristas/moristas! Uma lástima!

Responder

Helena

23 de fevereiro de 2021 às 21h22

Ainda outro dia estava pensando no Pizzolato. O post não diz se ele continua preso. Que se faça justiça para Pizzolato, o mais injustiçado no caso da AP 470.

Responder

Jurandir Taborda

23 de fevereiro de 2021 às 19h38

Vocês acabam sendo cúmplices da corrupção no Brasil, na medida que ficam tentando espalhar por aí essas teorias da conspiração contra a Lava Jato e a Ação Penal 470.

Responder

    Mario H.Fuentes

    23 de fevereiro de 2021 às 22h40

    É esse barbosa teve o mesmo destino do moro, Estados Unidos é a lata do lixo.
    Pobre quando estuda é vence tem valor, quando adota as mesmas técnicas dos seus antigos algozes tem preço. Este é o caso destas duas figuras, porém, com o barbosa doe mais porque ele fodeo com mais da metade da população deste pais, os negros.

    Responder

Paulo

23 de fevereiro de 2021 às 19h22

“Mentirão”? Um erro contingencial, se é que existiu, não arranha os fatos todos, com – quase – os mesmos de sempre, aliás, especialmente no comando…O problema do PT é o mesmo do Luxemburgo, o “pojeto”. No caso, o Projeto Criminoso de Poder…

Responder

canastra

23 de fevereiro de 2021 às 18h44

Alguém jà viu alguem dessas tranqueiras se declarar culpados…?

Responder

Deixe uma resposta