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Ipec: Em queda livre, Bolsonaro ainda consegue manter apoio entre os mais pobres e evangélicos

Por Gabriel Barbosa

05 de março de 2021 : 21h59

Por Gabriel Barbosa

Em meio ao caos da segunda onda da pandemia do novo coronavírus e a ausência do auxílio emergencial para garantir o básico nos lares de milhões de brasileiros desempregados, o presidente Jair Bolsonaro passa pelo fenômeno de queda livre na sua aprovação.

Pela primeira vez, o nível de bom/ótimo está abaixo dos 30%. De acordo com o levantamento divulgado pelo IPEC (Inteligência, Pesquisa e Consultoria), Bolsonaro agora tem apenas 28% de aprovação. É o pior índice de aprovação de um presidente da República no primeiro mandato.

Já outros 39% dos eleitores consideram Bolsonaro ruim/péssimo. A margem de erro é dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

Mas embora Bolsonaro esteja em declínio constante, o percentual ainda não é suficiente para que o Congresso Nacional pelo menos analise um dos mais de 60 pedidos de impeachment.

Os dados do IPEC apontam que apesar de toda a tragédia sanitária e a crise econômica que assolam o país, Bolsonaro tem o apoio fiel de 38% dos evangélicos. Outros 27% o renegam como líder da nação.

No que diz respeito a faixa de renda, Bolsonaro tem sido mais rejeitado entre aqueles que recebem acima de salários mínimos, são 47% que o consideram ruim/péssimo e 24% que avaliam como ótimo/bom. O IPEC ouviu 2.002 pessoas presencialmente em 143 municípios.

Já entre os mais pobres e castigados pela crise, Bolsonaro ainda consegue manter seu nível de aprovação em torno de 26% e sua rejeição é menor, 38% que consideram ruim/péssimo.

Mas apesar disso, cerca de 87% dos brasileiros concordam que o auxílio emergencial será necessário até quando a economia volte a dar sinais de normalidade e isso vai muito além das quatro parcelas de R$250 proposto pelo Governo Bolsonaro.

O apelo maior pelo benefício vem do Nordeste, são 91% que concordam parcial ou totalmente que o auxílio emergencial deve ser pago até a normalidade da economia. Outros 87% estão no Norte/Centro-Oeste e Sudeste e 80% no Sul do país.

Os dados divulgados pelo IPEC não deixam de ser complexos para entender como uma parcela significativa do país ainda continuar firme e forte com Bolsonaro, o pior presidente da República sem rival.

Mas pelo que tudo indica, ainda há muito chão e egos a minimizar para que a oposição e os democratas do país sentem para debater uma verdadeira alternativa diante do perigo iminente liderado por Bolsonaro.

Só esperamos que quando essa hora chegar, não seja tarde demais!

Gabriel Barbosa

Jornalista com passagens pelo Grupo de Comunicação O POVO (Ceará), RedeTV! e Band News FM.

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6 comentários

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Leonardo Magalhães

07 de março de 2021 às 20h27

Gabriel, boa tarde. Seria ótimo, para fins de transparência que se divulgasse o link do relatório da pesquisa, até para se avaliar a qualidade da amostra e se está adequadamente ponderada. Agradeço desde já se puder fazer isso.

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Helio

07 de março de 2021 às 11h41

Kkk, o analista Gabriel, deu salto carpado, seguido de três piruetas, para esconder que a pesquisa aponta o ex-Presidente Lula o único com potencial para derrotar o Bolsonaro e livrar o país do desastre total. Isto está em diversos “sites” de notícias, como o do Reginaldo Azevedo. Isto não ajuda a democracia, que se alimenta da transparência.

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    Gabriel Barbosa

    07 de março de 2021 às 13h31

    Não houve tentativa de esconder nenhum levantamento, a pesquisa analisada no texto foi divulgada na sexta e sobre Lula foi divulgada neste domingo. Embora as duas pesquisas sejam do mesmo Instituto, não tem relação metodológica uma com a outra. A propósito, o levantamento divulgado hoje basicamente analisa o grau de conhecimento, vulgo “potencial de votos”, e logicamente que Lula é o mais conhecido de todos. É bom lembrar, potencial de voto é diferente de intenção de voto, afinal de contas faltam 18 meses para a eleição. Um pouco de honestidade intelectual não é maléfico a ninguém! ;)

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      EdsonLuiz.

      07 de março de 2021 às 15h49

      Ilustrando confusões que pesquisas numéricas sobre subjetividades relativas escondem:

      Em 2018, nas pesquisas finais de 1º turno e primeiras pesquisas de 2º turno, bolsonaro pontuava 43% (terminou com 46%) e Marina Silva pontuava 4% (terminou com 1%).

      No entanto, em simulação de 2º turno, Marina derrotaria bolsonaro (vários outros candidatos derrotariam bolsonaro, estou ilustrando com Marina pelo contraste maior entre os números).

      Se olharmos pesquisa de potencial de voto de bolsonaro e Marina da época, o potencial de voto de Marina certamente aparece baixíssimo e o de bolsonaro muito alto, muito maior do que a votação que teve, de 55%.

      Possíveis motivos para interpretar os segredos que esse tipo de números escondem encheriam cadernos e computadores. Um dado é que toda escolha desse tipo é relativa a uma outra:

      – eu prefiro primeiro Marina, depois dela prefiro Ciro, depois…
      – eu rejeito mais bolsonaro, depois eu rejeito Lula, depois…

      Mas é fato: a pesquisa de potencial hoje dá Lula e depois bolsonaro. E disparados.
      Já quando pesquisa a intenção de voto…

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Sebastião

06 de março de 2021 às 10h20

Com a volta do Auxílio, ele conseguirá manter ou ampliar. A narrativa sempre será favor dele, em relação ao Auxílio. Com Maia que era isento, este não conseguiu fazer um marketing mostrando que o auxílio foi graças ao Congresso. Com Lira e Pacheco, subserviente, Bolsonaro nadará de braçada.

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Paulo

05 de março de 2021 às 22h31

Quanto mais tempo se deixar o Capetão no Poder, maiores os riscos…Mas, para o Centrão, chegou a hora de fazer dinheiro…

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