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Wilson Witzel não é mais governador do Rio

Por Redação

30 de abril de 2021 : 18h09

Por sete votos, o Tribunal Especial Misto formou os dois terços necessários para o afastamento do governador Wilson Witzel.

O deputado estadual Waldeck Carneiro, relator do processo de impeachment, votou pela perda do cargo de Witzel e pelo seu afastamento de qualquer função pública pelos próximos cinco anos.

Carneiro discorreu sobre a atuação do governador à frente do Palácio das Laranjeiras e concluiu que houve crime de responsabilidade pela participação direta e efetiva de Witzel em relação à requalificação da OS Unir Saúde e à contratação da O.S IABAS. 

“Acolho, integralmente a pretensão acusatória, ou seja, julgo procedente, em relação aos dois eixos da acusação, o pedido para condenar o réu à perda do cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro e à inabilitação para o exercício de qualquer função pública pelo prazo de cinco anos, nos termos do artigo 4º, inciso V, do artigo 9, item 7, e do artigo 78, todos da Lei Federal nº 1.079, de 10 de abril de 1950”, declarou. 

Durante mais de duas na leitura do seu voto, o parlamentar relator apresentou histórico sobre toda a fase de instrução do processo do Tribunal Especial Misto, destacando a atuação de Witzel em relação às OSs Unir e IABAS, votando pela procedência da acusação. 

“Em relação à acusação de crime de responsabilidade relativo ao ato de requalificação da OS Unir Saúde, considero que a pretensão acusatória é procedente, tendo em vista que tal ato, por parte do réu, contribuiu diretamente para proteger interesses privados, mesquinhos e ilegítimos, em detrimento do elevado interesse público”. 

Sobre a IABAS, Waldeck destacou: “Em relação à acusação de crime de responsabilidade relativo à contratação da OS IABAS para construir e gerir hospitais de campanha, considero que a pretensão acusatória é procedente, pois a atitude do réu, ao se esquivar do exercício de sua função de dirigente executivo máximo do Estado do Rio de Janeiro, em nítida ação omissiva, contribuiu diretamente para as maquinações delituosas de um dos grupos econômicos que disputavam, por meio do aliciamento criminoso de agentes públicos e do pagamento de vantagens indevidas, os contratos da Secretaria de Estado de Saúde”.

Desembargador mais antigo do Tribunal e o primeiro a votar, José Carlos Maldonado votou pela condenação de Witzel, destacando os fatos relatados na denúncia e nos depoimentos das testemunhas.

O magistrado ressaltou que a improbidade administrativa é sinônimo de desonestidade e classificou como “imoral, desarrazoado e de sentimento impuro” o ato de requalificação da OS Unir pelo então governador Wilson Witzel. Ele citou ainda que Witzel foi alertado sobre as irregularidades da Iabas.”

A improbidade administrativa resta demonstrada de forma inquestionável, com todas as suas nuances”, afirmou, acrescentando que Witzel agiu com total descaso em relação à ética e à moral, atingindo direta ou indiretamente os cidadãos fluminenses.

O terceiro integrante do TEM a se manifestar foi o deputado estadual Chico Macedo, com voto favorável ao impedimento de Wilson Witzel.

“Merece destaque as características fundamentais dos contratos de gestão firmados entre administração pública e organizações sociais. As OSs recebem recursos financeiros para exercer serviços de interesse público. São espécies de convênios que não devem tratar de interesses particulares. A organização social deve pautar sua atuação pelos princípios da impessoalidade, da legalidade, da economicidade e da eficiência. Não é facultativo ao gestor público manter a qualificação da OS que ignora metas estabelecidas no contrato de gestão”, destacou.

As narrativas defendidas pela defesa não tiveram êxito. As funções de decoro, honra e dignidade são inafastáveis da conduta do gestor público. Na análise dos fatos que abarcam a requalificação da Unir e a contratação da IABAS para construção e gestão de hospitais de campanha ocorrem as práticas de crime de responsabilidade”, concluiu.

Segundo desembargador a votar, Fernando Foch também concordou com a condenação de Witzel, lembrando que os princípios da legalidade, imparcialidade, moralidade, publicidade e eficiência são os primeiros a serem observados pela administração pública e requerem rigorosa compostura jurídica. Para o magistrado, os fatos e testemunhos do processo permitem que se conclua “com absoluta segurança que a Alta Administração do Rio de Janeiro se deixou envolver em verdadeiras quadrilhas que tomaram de assalto a coisa pública”.  

Foch destacou ainda que a prova testemunhal é fortíssima, que os contratos com as OSs eram elaborados para não funcionar e não eram fiscalizados pelo Poder Público. Disse também que a situação se agravou com a nomeação de Gabriell Neves para o cargo de subsecretário de saúde. Avaliou como “retumbante fiasco” a administração de hospitais pela OS Iabas, que teria sido escolhida para favorecimento.

Em seguida, foi a vez do deputado estadual Chico Machado.

“Sinto-me honrado em participar desse momento histórico para o Rio de Janeiro. Nós, integrantes do TEM, tivemos a oportunidade de representar todos que perderam suas vidas ou que perderam pessoas queridas na luta contra a Covid. E não há dúvida que o Estado foi mal administrado e conduzido nesse trabalho. Acompanho o voto na íntegra do relator e condeno Witzel à perda do mandato”, declarou.

A desembargadora Teresa de Andrade Castro Neves também votou pela condenação de Witzel. Para ela, o governador afastado agiu de forma incompatível com a dignidade, a honra e o decoro de tão relevante cargo público. “Entendo que o governo tem ciência inequívoca de que houve contratações ilegais”, afirmou. Para a magistrada, Witzel deixou que se instalasse um esquema. “Não há como entender, por mais que houvesse a pandemia e uma flexibilização das licitações, que se feche os olhos para tamanhas irregularidades”, ressaltou, concluindo que Witzel teria participado do esquema de irregularidades, não tendo havido transparência e fiscalização dos serviços, prestados com inúmeras irregularidades.

O deputado Alexandre Freitas foi o quarto parlamentar a se manifestar. Ele considerou procedente o pedido de impeachment, mas afirmou não haver provas que associem Witzel às supostas irregularidades envolvendo a Iabas. Em seu voto, ele relembrou o depoimento das testemunhas ouvidas durante as sessões do TEM e as provas constantes nos autos. “Todas as testemunhas foram uníssonas e fundamentais para elucidação das circunstâncias em que se deram os fatos. Há indícios de irregularidades que tornaram adequada a desqualificacão da Unir”, ressaltou.

Com informações da PJERJ

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1 comentário

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Walter

01 de maio de 2021 às 08h59

Chegou a hora e a vez do eleitorado fazer sua legítima autocrítica (A mãe de todas as autocríticas) e não adianta usar a falácia de que o eleitor esquece em quem vota de uma eleição para outra, pois, Witzel não durou nem 2 anos, menos da metade, sob pena de Bolsonaros, Zemas, Witzels, entre outros continuarem a cair de paraquedas.
Todos devem cobrar isso dos eleitores deses pseudospoliticos, pois foram eles que os elegeram ( alguns eleitos no 1° turno ) Esse debate é crucial para o Brasil.

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