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Celso Amorim ao Cafezinho: o mundo precisa de instituições internacionais mais fortes

Por Miguel do Rosário

03 de setembro de 2021 : 16h45

Celso Amorim, ex-ministro de Relações Exteriores do governo Lula, concedeu entrevista exclusiva ao Cafezinho, onde falou do risco de golpe militar, política externa do governo Bolsonaro, necessidade de se fortalecer as instituições multilaterais, a crise no Afeganistão, a tensão entre China e EUA.

Foi uma conversa incrível, que você pode assistir abaixo:

Abaixo, um rápido resumo da conversa.

Instituições multilaterais e governança global

Na entrevista, Celso Amorim defendeu que as organizações internacionais sejam fortalecidas, para enfrentar problemas climáticos e de saúde. Para isso, seria necessário que se organizasse uma grande conferência internacional. Amorim criticou a existência do Conselho de Segurança da ONU, como uma instância que perdeu a representatividade política que tinha no mundo imediatamente posterior à II Guerrra. Ele defende a criação de um Conselho Internacional ampliado, com poderes reais de interferir nas diretrizes do Banco Mundial e do FMI, e que tenham mais participação de países africanos.

Golpe militar

Amorim disse não acreditar que as Forças Armadas participem de um processo de ruptura em favor de Jair Bolsonaro, porque a conjuntura não é favorável a uma aventura como essa. Ele comparou o momento atual a 1964, quando os militares foram cooptados para o golpe em virtude de uma mobilização muito grande de empresários, mídia, imperialismo, contra o governo Jango. Isso não acontece.

Bolsonaro e governo Biden

Para Celso, o governo americano não se sente confortável com o governo Bolsonaro, por causa de seus posicionamentos muito retrógrados no campo dos costumes. Além do mais, o apoio explícito de Bolsonaro a campanha de Donald Trump produziu antipatia em importantes setores da sociedade americana.

Lula, governo Biden e  deep state

O ministro não acredita que o governo americano irá criar dificuldades para um eventual governo progressista a partir de 2023 (Lula, por exemplo), apesar de que, alerta, é preciso sempre considerar os movimentos do chamado “Estado profundo” (deep state), como se costuma denominar poderosos setores econômicos e político dos Estados Unidos, com forte infiltração nos serviços de inteligência, no Pentágno e no Estado de maneira em geral, caracterizados por agirem na obscuridade, fora do escrutínio da imprensa, e que tem um historico sombrio de intervencionismo em outros países.

Afeganistão

Amorim chamou de “trapalhada” a retirada de soldados do Afeganistão, mas lembrou que o problema ali estava na origem. Os americanos nunca deveriam ter feito aquela guerra, tampouco do jeito que fizeram.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Efrem Ventura

04 de setembro de 2021 às 23h33

Ainda bem

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Paulo

04 de setembro de 2021 às 09h37

Não sei se os Estados mais poderosos estão dispostos a delegar sua autonomia a instituições de âmbito mundial…Na verdade, já acreditei na ONU, mas, atualmente, a pauta dela se tornou excessivamente esquerdista…

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