Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

50 tons de golpe

Por Miguel do Rosário

06 de setembro de 2021 : 14h54

Vivemos uma verdadeira orgia de análises sobre a tentativa de golpe que o presidente Bolsonaro estaria organizando para o 7 de setembro.

A maioria dessas análises desdenha categoricamente da possibilidade. Bolsonaro hoje tem dificuldades na imprensa, na justiça, no parlamento, na polícia, nas relações internacionais e na sociedade.

O país vive uma crise de inflação no preço de alimentos e energia, ameaça de apagão, desemprego recorde, e ainda perde centenas de vidas diariamente para uma pandemia que o governo nunca levou a sério.

A conta pelo descaso com a educação pública brasileira, cujos desafios e agruras não mereceram, em um ano e meio de pandemia, uma mísera fala do presidente da república, ainda nem sequer começou a ser discutida. Mas vai. Famílias de todo o Brasil ainda aguardam a sua vez para saltar no pescoço de Bolsonaro por todo o mal que sua negligência trouxe para a formação de seus filhos.

Por qualquer ângulo que se analise a situação, é difícil levar a sério os anseios golpistas de Bolsonaro.

É absolutamente impossível, diz o cientista político Christian Lynch, à BBC Brasil. Para Lynch, Bolsonaro é um vendedor de tumulto.

“Ele se vende como alguém que está organizando um motim que nunca explode”, resume o acadêmico.

Sua colega de profissão, Carolina Botelho, tem alertado, porém, para o fato de que o elevado grau de vigilância, ativismo e tensão, por parte das instituições e sociedade civil, devem ser considerados quando se analisa o fracasso recorrente das movimentações golpistas do presidente.

Ao que tudo indica, Bolsonaro já perdeu a narrativa do 7 de setembro. Mesmo que as manifestações sejam enormes, estará claro que foi um ato organizado pelo próprio Palácio do Planalto. O dia seguinte será tomado de reportagens sobre “o gasto público” provocado pelas manifestações.

Mais importante: o preço da gasolina, da energia elétrica, do arroz, da carne, continuarão altos.

E virão mais e mais pesquisas mostrando o declínio do presidente.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Andrea

07 de setembro de 2021 às 08h44

Estude um pouco de história. Os golpes muitas vezes são dados dentro de democracias, como o de Hitler que fechou o Congresso alemão depois de um incêndio suspeito. Os ditadores não gostam do equilíbrio dos três poderes, não gostam de Poder Legislativo, Poder Judiciário, querem governar sozinhos. O pior tonto é aquele que em sua ignorância parte do princípio que tudo sabe.

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    Andrea

    07 de setembro de 2021 às 08h46

    Essa resposta foi para o cidadão que perguntou em quem Bolsonaro daria o golpe, uma vez que já é Presidente.

    Responder

Valeriana

06 de setembro de 2021 às 18h22

O que ha de onibus e caminhoneiros indo para Brasilia nao é brincadeira.

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Manoel

06 de setembro de 2021 às 17h37

O problema do Bozo , não será o dia 7 !!! Será o dia 8 e os seguintes . Nunca vi alguém anunciar que vai dar um Golpe , e este acontecer. Até os estelionatários ,sabem que o silêncio é a alma do negócio . Ele blefou mais uma vez , e será a principal vítima !!! Nunca existiu um Golpe de Estado à luz do dia !!!

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Tony

06 de setembro de 2021 às 16h24

Vai dar golpe em quem Bolsonaro, em si mesmo seus tontos ?

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Luan

06 de setembro de 2021 às 16h16

Quem perdeu a narrativa foi a esquerda por isso entraram em desespero por essas manifestações.

Perceberam que as manifestações serão grandes e no Brasil inteiro por tanto estão inventando besteiras passa desqualificar a princípio, catalogar como “golpismo” e outras idiotices que não levam a nada.

Perderam e perderão novamente em 2022.

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Luan

06 de setembro de 2021 às 16h12

Bolsonaro não teria a fechado as escolas 1 sequer dia e era o que deveria ser feito.

Quem administra as escolas são prefeitos e governadores.

Quem não quer voltar as aulas são os professores.

O Ministro da Educação já se manifestou várias vezes pedindo a volta as aulas a Prefeitos e Governadores.

A educação não é culturalmente uma prioridade para os brasileiros, nunca foi e nunca será.

Fim da narrativa.

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Ronei

06 de setembro de 2021 às 16h00

Como podem pensar de fazer política em 2021 tentando explorar o preço da carne ?

Isso não é política, isso é falta de assunto, incapacidade total de produzir um discurso político.

Explorar a pobreza não leva a mais nada….acabou essa época e se não começam a falar o que as pessoas querem ouvir não voltam ao poder nunca mais.

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Kleiton

06 de setembro de 2021 às 15h57

Isso, acreditem em pesquisas com Lula que ganha no primeiro turno e não acreditem nas pessoas na rua…vai dar certo !! kkkkkkkkkkk

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William

06 de setembro de 2021 às 15h54

50 horas de esperneio livre….kkkkk

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