Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Imagem: Reprodução

Tabata diz que episódio envolvendo Zé de Abreu é um típico caso de agressão contra mulher

Por Redação

01 de outubro de 2021 : 11h04

A deputada federal Tábata Amaral (SP), recentemente filiada ao Partido Socialista Brasileiro, falou pela primeira vez sobre o episódio envolvendo o ator José de Abreu que compartilhou no Twitter um post agressivo contra a parlamentar onde dizia que “se eu encontro (Tabata) na rua, soco até ser preso”.

Na avaliação da deputada socialista, esse episódio representa um típico caso de agressão contra mulher. “Ele já cuspiu em uma mulher, me chamou de canalha, gravou um vídeo cheio de ataques contra mim. É um caso típico de um agressor de mulheres em redes sociais. Não é um caso isolado. Sem dúvida, é uma hipocrisia. Todo mundo que diz lutar pelos direitos das mulheres, contra a violência, e se silencia, endossa pessoas como ele e é conivente com o que acontece”, disse em entrevista a Revista Crusoé.

Ainda de acordo com Tabata, algumas pessoas do campo progressista se calaram diante do ocorrido, o que segundo ela, expõe uma hipocrisia na esquerda. Mas apesar disso, a deputada diz que não se surpreende pois o machismo é “suprapartidário”.

“Talvez esteja mais clara a hipocrisia da esquerda neste momento, mas o machismo é a coisa mais suprapartidária que existe na política. Infelizmente, a gente não encontra nos partidos de esquerda, na prática, uma situação muito diferente do que a gente encontra nos partidos de direita”.

Ela também disse que até mesmo sua recentemente filiação ao PSB foi motivo para render comentários machistas.

“Eu não sou menos estratégica do que homens que estão na política. Sempre soube que essa decisão seria interpretada como “Tabata está indo para o partido do namorado”, que é o machismo nosso de cada dia. Acho que nesses dois anos eu mostrei o quanto eu sou estratégica e tenho ideais fortes. Não fui para o PSB por causa do meu namorado, mas porque é a melhor opção que encontrei aqui em São Paulo. A principal lição que tirei desse processo tão traumático no PDT foi quão ruim é estar em um partido totalmente personalista, onde, se você discorda do cacique do partido, você não tem para onde ir. Não há diálogo. Isso foi muito importante para mim. Eu não quero estar em partido com dono”.

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4 comentários

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Patrice L

02 de outubro de 2021 às 15h31

Zé de Abreu foi infeliz, errou em dar irrefletidamente aquele RT e, como assim já procedeu, deve desculpas à moça. Simples assim. Talvez não devesse, mas tem um mas, todavia, contudo em relação à Tábata: ela costuma fazer uso fraudulento do feminismo, alegando machismo, quando se vê confrontada em suas opiniões e decisões políticas. Discorde e ela o atacará, homem, chamando-o de misógino. O ponto todo é interessante não só por conta do uso fraudulento da causa, embora no caso ela tenha tido total razão, mas também porque, a falar-se de violência contra a mulher, deveríamos lembrar das violências todas que ela, Tábata, vem cometendo contra mulheres e famílias inteiras com seu viés e voto neoliberal. O lamentável erro do Zé de Abreu, ela o explorará em parte com razão e em parte com oportunismo. Porque, convém não esquecer, ela é oportunista.

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Alexandre Neres

01 de outubro de 2021 às 21h11

Logo recriminei o fato de Zé de Abreu ter retuitado aquela excrescência. Quase ninguém reconhece um erro assim, ao menos isso ele fez.

Por sua vez, nada mais natural do que a Tabata, na Revista Crisoé do Diogo Mainardi, atacar a esquerda. É chover no molhado. Não é difícil perceber que você age estrategicamente, deputada.

Quer dizer então que tu gosta do PSB/SP? Não surpreende em nada. Tal qual o PSB do Sul, é de um conservadorismo atroz. São quase bolsonaristas, alguns até costeiam o alambrado.

Tabata aproveitou a nomenclatura norte-americana e se autoproclamou liberal, que por lá é progressista, mas ela é liberal à brasileira. Neoliberal em economia, como demonstram os seus votos, e conservadora nos costumes.

Que tal defendermos a descriminalização do aborto, deputada? É direito da mulher, é questão de saúde pública! Que tal 12 semanas de limite ou um pouquinho mais? Carece de jovens valores defendendo essa pauta.

Qual o quê! Podem esperar sentados. Tabata nada mais é do que o velho que conhecemos muito bem com nova roupagem.

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EdsonLuiz.

01 de outubro de 2021 às 20h04

Todos os leitores assíduos deste ‘ocafezinho.com’ sabem da grande admiração que eu tenho por Tábata Amaral!

Todos sabem que eu acho Tábata muito bem preparada, progressista e uma deputada muito produtiva, neste seu ainda pouco tempo de exercício de mandato parlamentar.

E todos sabem que eu defendo a Tábata dos abusos e implicâncias venais que lhe dirigem. E essas defesas estão registradas aqui, neste jornal.

Eu achei extremamente violenta e ameaçadora essa agressão sofrida por Tábata, feita pelo ator José do Breu. Mas não achei que o mais importante dessa vez foi o aspecto misógino e machista da agressão.

O ator do breu repercutiu: “se eu encontro (Tábata) na rua, soco até ser preso”.
Mas ele poderia ter escrito: “se eu encontro Edson Luiz na rua, soco até ser preso”, ou ter dito “se eu encontro Miguel do Rosário na rua, soco até ser preso”.

O aspecto grave neste episódio foi a ameaça de violência, que tendo sido repercutida por quem foi, esse ator do breu, eu não duvido que consumasse a ameaça caso encontrasse seu alvo. Mas o alvo desse violento ator, nesse caso, poderia ser uma mulher ou um homem. O ator violento e petista típico José de Abreu cometeria violência física ou retórica contra qualquer um que manifestasse ideias diferentes das que ele quer impostas. Ao repercutir a ameaça, ele só queria comunicar e reafirmar aos seus chegados que é isso mesmo que ele acha que deve ser feito: as idéias autoritárias devem ser impostas de qualquer forma e as idéias progressistas e contrárias ao arbítrio que ele e os seus chegados defendem devem ser combatidas de qualquer jeito. Até com porrada!

Temos que ter cuidado ao classificar o que é racismo, o que é machismo, o que ė misoginia, o que é misantropia e, principalmente, saber separar o que nessas agressões é estrutural e o que é estritamente preconceituoso. Se não soubermos separar, podemos chamar de machismo o que apenas é uma crítica contra a mulher, e que poderia ser feita também a um homem, sem que a crítica tenha natureza misógina. Também podemos incorrer em banalizar as denúncias e de forma equivocada contribuir para diminuir a potência que estas denúncias devem ter sempre que esse tipo de agressão ocorra.

O que o ator do breu cometeu dessa vez, para mim, foi a violência repetida que ele comete contra homens e contra mulheres, indistintamente, não foi uma das suas manifestações de machismo, também recorrentes.

Quanto ao silêncio cúmplice dessa gente que enganadoramente se diz progressista, esperar o que delas. Delas eu não tenho a menor expectativa!

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Francisco*

01 de outubro de 2021 às 13h55

Gosto do artista Zé de Abreu…

Desconfio sempre de artistas na política e não boto a mão na cena por eles, evitando saudações excessivas e/ou babares efusivos e melosos em cascata, a cada consideração feita a favor, salvo as exceções que garantem total ausência de riscos, simplesmente por considerarem antes da paixão artística, a essencial razão política que exige controle. O Zé não é uma coisa, nem outra, é as duas, sem controle.

98% desses, consciente e/ou inconscientemente, uma hora quebra as pernas do objeto político desejado até então, fazendo aquele estrago em corações e mentes amigas e a alegria infinita no ardor dos hunos, ao redor.

Também é da natureza e destaque nessa seara, o ‘diferenciado’ Caetano ser o escorpião rei, embora à margem, nessa relação equilibrada entre diferentes, desconsiderando-se subcelebridades, piscas-piscas e Maria-vai-com-os-outros, conhecidos escorpiões voláteis, explosivos e fatais em curto espaço de tempo.

Gil faz o contraponto, empatando o jogo para os baianos, sem riscos, confiabilíssimo!

Mas voltemos a Zé de Abreu que longe de conjugar o verbo caetanear, mostra-se extremamente ligeiro nas coisas sedimentares da política, com tudo de bom e ruim que isso representa.

Sem inocentes inúteis ou azougues ‘Zés de Abreu’ não existiria a Tabata ‘socialista’ no PDT e agora no PSB’, pois não se manteria ou teríamos, sem engodo, com transparência, democraticamente e sem falso verniz de esquerda, a Tabata ‘classe dominante’ que na prática de fato representa como política neoliberal, em um dos partidos à direita.

Pontuando o final, a ‘agressão a mulher’ é tudo que transversalmente Zé de Abreu não se deu conta ao apressar-se nessa batalha política sem gênero, que se vence esperando, conjugando pacientemente o verbo ignorar.

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