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Educação em Niteroi: uma crítica à reforma proposta pela gestão atual

Por Redação

13 de outubro de 2021 : 14h57

Observação do editor: recentemente, o secretário de Educação de Niteroi, Vinicius Wu, anunciou uma reforma no sistema de educação da cidade. Ele inclusive publicou um artigo para explicar as ações, que reproduzimos aqui no Cafezinho.

A assessoria do vereador Professor Tulio, do PSOL, entrou em contato conosco para publicar um contraponto a esse artigo e às políticas educacionais defendidas pela prefeitura. 

Segue o artigo.

Professor Tulio: Educação Municipal de Niterói, Museu de Velhas Novidades

Por Professor Tulio*

A educação pública, em razão de sua importância e complexidade, não comporta ações de aventureiros que apresentam “novidades” comprovadamente fracassadas no passado. É exatamente isso que estamos vivenciando na Rede Municipal de Niterói, onde um grupo político, supostamente progressista, ataca toda nossa tradição de gestão democrática e relativa valorização dos educadores.

Não há coerência ideológica em quem se utiliza do legado dos CIEPs de Brizola e Darcy Ribeiro para defender políticas educacionais liberais embebidas em um produtivismo simplório com foco em metas de IDEB. Afirmo isso com a tranquilidade de quem sempre defendeu os CIEPs, mesmo quando parte da esquerda, na qual o secretário Vinicius Wu foi formado politicamente, os criticavam de maneira muito desproporcional e sectária.

Temos hoje na gestão da educação pública de Niterói um grupo político notadamente próximo dos interesses de círculos empresariais, inclusive da educação privada que, por conta da natureza de seus negócios, não tem qualquer compromisso com uma educação pública popular e de qualidade. Desde a entrada desse grupo, o diálogo com os educadores se transformou em mera retórica demagógica e a educação perdeu a centralidade nas ações da secretaria municipal de educação para a midiatização, talvez porque parte de seus atuais gestores possuem mais experiência em publicidade do que em educação.

Uma educação popular e emancipatória, como defendida por Paulo Freire, Anísio Teixeira, Brizola e Darcy Ribeiro, não é construída junto àqueles que sempre estiveram do lado oposto da educação pública de qualidade, principalmente quando esta ameaça os lucros de seus negócios. Quem diz fazer isso, ou está iludido por uma ingenuidade próxima da estupidez ou tentando iludir a sociedade através da utilização de um discurso de gestão pública moderna para defender políticas educacionais liberais ultrapassadas.

O desenvolvimento de uma educação pública de qualidade só é possível através da participação direta de toda comunidade escolar, da valorização dos educadores e do diálogo com pesquisadores de instituições verdadeiramente comprometidas com uma educação popular, como a nossa Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense. Não há espaço para qualquer tipo de autoritarismo e ataque à gestão escolar democrática.

Há quem diga (não muitos) que essa posição seja elitista, conservadora e arrogante. Para esses, parece ser difícil não tentar enxergar nos outros as suas próprias características. Freud explica…

* Professor Tulio, vereador em Niterói pelo PSOL e vice-presidente da comissão de Educação da Câmara Municipal.

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