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Quais países sancionaram Israel pela guerra em Gaza?

Pressão pela aplicação de sanções a Israel está crescendo. Turquia proibiu a exportação de dezenas de produtos, e França não descarta também aplicar a medida. Os países aliados de Israel elevaram nas últimas semanas a pressão sobre o governo de Benjamin Netanyahu para que permita a entrada de mais ajuda na Faixa de Gaza, a […]

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Mahmoud Issa/REUTERS

Pressão pela aplicação de sanções a Israel está crescendo. Turquia proibiu a exportação de dezenas de produtos, e França não descarta também aplicar a medida.

Os países aliados de Israel elevaram nas últimas semanas a pressão sobre o governo de Benjamin Netanyahu para que permita a entrada de mais ajuda na Faixa de Gaza, a fim de evitar a piora da crise humanitária. Mas até agora poucos impuseram sanções ao país do Oriente Médio ou boicotes a produtos israelenses, com algumas exceções.

A DW analisa as medidas adotadas por alguns países e organizações ativistas nesse sentido.

Turquia suspende exportação de itens

Em sua primeira medida significativa contra Israel desde o início da guerra, a Turquia anunciou na terça-feira restrições a uma ampla gama de produtos de exportações para Israel até que um cessar-fogo seja declarado em Gaza.

A medida restringe as vendas de produtos de 54 categorias, incluindo aço, fertilizantes, combustível de aviação, tijolos e equipamentos de construção. O Ministério do Comércio da Turquia também disse que já havia parado de autorizar o envio a Israel de quaisquer produtos que pudessem ser usados para fins militares.

As novas restrições ocorrem após protestos em toda a Turquia pedirem sanções a Israel por causa de sua ofensiva contra o Hamas em Gaza. No sábado, a polícia de Istambul deteve dezenas de manifestantes que exigiam o fim do comércio com Israel.

O principal partido de oposição, o CHP, pediu a suspensão total do comércio com Israel, enquanto outros partidos pediram ao governo que bloqueasse seu espaço aéreo e portos para aviões e embarcações com destino a Israel.

O economista e ex-político turco Oguz Oyan disse à DW que “Ancara foi forçada a tomar tal decisão”. Ele acrescentou que, durante a campanha das eleições locais em março, o governo Erdogan “teve problemas devido às suas boas relações comerciais com Israel, e isso afetou o comportamento dos eleitores conservadores”.

O ministro do Exterior de Israel rebateu as restrições, disse que a Turquia havia “violado unilateralmente” os acordos comerciais bilaterais e prometeu retaliação.

EUA, França e Reino Unido sancionam colonos israelenses

Entre as potências ocidentais, apenas a França cogitou aplicar sanções mais amplas para pressionar Israel a retirar suas tropas de Gaza e permitir que mais ajuda humanitária chegue aos palestinos.

“Temos várias maneiras de utilizar nossa influência; obviamente, podemos impor mais sanções”, disse o ministro do Exterior francês, Stephane Sejourne, às emissoras locais RFI e FRANCE24 na terça-feira.

O ministro do Exterior da França, Stéphane Séjourne, quer mais sanções se não houver avanço na ajuda humanitária a Gaza | Sarah Meyssonnier/AFP

Sejourne referia-se a sanções contra indivíduos que já haviam sido impostas pelos EUA, Canadá, França e Reino Unido, tendo como alvo colonos israelenses na Cisjordânia ocupada por Israel.

Em fevereiro, o governo de Joe Biden sancionou vários colonos israelenses que acusou de minar a estabilidade no território palestino. O Departamento de Estado dos EUA disse que dois postos avançados de Israel tinham sido bases para a violência contra os palestinos.

A Casa Branca também impôs sanções a vários homens israelenses que acusou de envolvimento na violência promovida por colonos na Cisjordânia. As sanções normalmente congelam todos os bens nos EUA dessas pessoas e impedem os americanos de fazer negócios com elas.

O Canadá, a França e o Reino Unido impuseram restrições semelhantes a vários colonos israelenses.

O governo Biden também planeja exigir que os produtos produzidos nos assentamentos da Cisjordânia sejam claramente identificados como tal, informou o jornal Financial Times na semana passada.

Em 2019, a corte mais alta da União Europeia determinou que os produtos de assentamentos judeus da Cisjordânia devem ser rotulados como provenientes de território ocupado e não implicar que vieram de Israel.

Chile impede Israel de participar de feira de aviação

O governo chileno informou a Israel em março que suas empresas seriam proibidas de participar da Feira Internacional do Ar e do Espaço (FIDAE) de 2024. Organizada pela Força Aérea do Chile, a feira é considerada a principal mostra aeroespacial e de defesa da América Latina e reúne expositores de mais de 40 países.

Além da proibição, o Chile cancelou todas as atividades de cooperação ou treinamento em território chileno com Israel. O governo disse que não compraria mais armas, sistemas de defesa ou de segurança de Israel.

Em janeiro, o Chile solicitou ao Tribunal Penal Internacional em Haia que investigasse as ações de Israel em Gaza e nos territórios ocupados.

Vários países sancionaram acusados de violência contra os palestinos na Cisjordânia ocupada | Tania Krämer/DW

Normalização dos laços de Israel com países árabes emperra

A guerra entre Israel e Hamas interrompeu o progresso do chamado corredor econômico Índia-Oriente Médio-Europa (IMEC), que visa promover a integração entre a Ásia, o Golfo Pérsico e a Europa.

O projeto prevê a construção de novas conexões ferroviárias e marítimas para fazer frente à enorme iniciativa chinesa de infraestrutura Nova Rota da Seda. Mas o IMEC entrou em compasso de espera enquanto o conflito em Gaza se desenrola.

Havia a esperança de que o IMEC pudesse ajudar a acelerar a aguardada reaproximação entre Israel e Arábia Saudita, aposta do governo Biden para abrir a porta para que outros países muçulmanos reconhecessem Israel.

As nações árabes têm condenado regularmente as táticas agressivas de Israel contra civis enquanto busca combater o Hamas em Gaza. Riad alertou que só normalizaria as relações com Israel se houvesse uma solução de dois Estados entre israelenses e palestinos.

Israel estabeleceu laços com os Emirados Árabes Unidos, o Marrocos, o Sudão e o Bahrein em 2020 como parte dos Acordos de Abraão.

Movimento BDS pede boicotes

O Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) é um movimento não violento liderado por palestinos que promove boicotes, desinvestimentos e sanções econômicas contra Israel. O cofundador do BDS, Omar Barghouti, diz que o movimento se inspirou no movimento antiapartheid da África do Sul.

O BDS tem hoje filiais em 40 países e também defende o boicote a eventos esportivos, culturais e acadêmicos israelenses, além de pressionar empresas estrangeiras que “colaboram” com Israel.

O movimento é regularmente acusado de antissemitismo por Israel e pelos EUA.

Enquanto isso, vários aplicativos estão ajudando os consumidores a boicotar empresas consideradas como apoiadoras de Israel e de sua guerra em Gaza. Um deles, chamado Boycat, permite que os usuários escaneiem o código de barras de qualquer produto e vejam suas ligações com o país do Oriente Médio, e oferece produtos alternativos para compra.

Publicado originalmente pelo DW em 12/04/2024

Por Nik Martin | Burak Ünveren

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