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Irmãos Batista avaliam abocanhar um ‘pedaço’ do setor de petróleo da Venezuela

O grupo J&F, controlado pelos empresários Joesley e Wesley Batista, acompanha oportunidades no setor de petróleo da Venezuela, mas afirma que qualquer avanço dependerá do estabelecimento de estabilidade institucional e de segurança jurídica no país. As informações são do jornal Valor, que relata movimentações reservadas do conglomerado em meio ao novo cenário político venezuelano e […]

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O grupo J&F, controlado pelos empresários Joesley e Wesley Batista, acompanha oportunidades no setor de petróleo da Venezuela, mas afirma que qualquer avanço dependerá do estabelecimento de estabilidade institucional e de segurança jurídica no país. As informações são do jornal Valor, que relata movimentações reservadas do conglomerado em meio ao novo cenário político venezuelano e ao contexto internacional sob o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Procurada, a J&F negou possuir ativos na Venezuela e informou que apenas monitora os desdobramentos recentes. Em resposta por e-mail, a holding declarou que, “uma vez que o cenário de estabilidade institucional e certeza legal se estabelecer, estaremos prontos para avaliar investimentos”.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, os irmãos Batista estariam posicionados de forma indireta no setor por meio de uma participação no projeto Petrolera Roraima. De acordo com essas fontes, a Fluxus, empresa de petróleo controlada pelo grupo, poderia ingressar nesse ou em outros projetos assim que o ambiente regulatório e político se torne mais previsível.

A reportagem aponta que o setor petrolífero venezuelano entrou em uma nova fase após mudanças no quadro político do país, em um contexto influenciado pela política externa dos Estados Unidos. Apesar do potencial econômico, o setor permanece cercado por incertezas jurídicas, disputas comerciais e interesses estratégicos internacionais.

De acordo com a apuração, antes da retirada de Nicolás Maduro do poder, um representante comercial ligado aos Batista teria atuado para tentar garantir participação em um conjunto de poços de petróleo anteriormente operados pela ConocoPhillips. Segundo o relato, a estratégia do grupo seria se posicionar em um momento de transição, enquanto grandes companhias aguardam definições mais claras quanto a regras legais, garantias contratuais e sanções internacionais.

O Valor informa ainda que, após a mudança de governo, Joesley Batista passou a atuar nos bastidores da transição política. Na semana anterior à publicação da reportagem, ele teria viajado de Washington a Caracas para uma reunião com a presidente interina Delcy Rodríguez.

De acordo com uma das fontes ouvidas pelo jornal, Joesley teria retornado aos Estados Unidos com uma avaliação positiva do encontro, relatando a autoridades americanas que Rodríguez demonstrou disposição para atrair investimentos estrangeiros, especialmente no setor de óleo e gás, considerado estratégico para a recuperação econômica do país.

Pessoas próximas à estratégia atribuída ao grupo afirmam que os Batista adotam cautela em relação à Venezuela desde a imposição de sanções econômicas pelos Estados Unidos. Segundo o texto, essa postura estaria relacionada ao volume de investimentos que a família mantém em território norte-americano, incluindo a processadora de carne de aves Pilgrim’s Pride, da qual a J&F é acionista relevante.

A reportagem também relembra declarações do presidente Donald Trump, que já afirmou que o governo venezuelano se apropriou de ativos de empresas americanas, como a ConocoPhillips, durante o processo de nacionalização do setor de petróleo ocorrido há cerca de duas décadas. Segundo o Valor, Trump não teria sinalizado intenção de reverter essas perdas, o que mantém o setor petrolífero venezuelano inserido em um ambiente de elevada complexidade política e econômica.

No caso específico da Petrolera Roraima, o jornal informa que, em 2024, o Ministério do Petróleo da Venezuela concedeu direitos de exploração por 25 anos do antigo projeto da ConocoPhillips à empresa A&B Investments, comandada por Jorge Silva Cardona, descrito como parceiro de negócios dos irmãos Batista.

Após a concessão, a produção diária do projeto teria alcançado cerca de 32 mil barris entre junho e outubro de 2024. No entanto, segundo a reportagem, o volume caiu de forma significativa posteriormente, em razão do bloqueio às exportações de petróleo venezuelano determinado pelo governo Trump.

O projeto Petrolera Roraima é descrito como uma referência de engenharia no início dos anos 2000, quando refinarias conhecidas como upgraders permitiam a conversão do petróleo pesado venezuelano em aproximadamente 90 mil barris diários de petróleo sintético mais leve. Conforme o Valor, a estrutura societária atual prevê participação de 51% da estatal PDVSA e 49% da A&B Investments.

A matéria também destaca o histórico de relações políticas e comerciais do grupo J&F em diferentes países. Entre os exemplos citados está a doação realizada pela Pilgrim’s Pride ao comitê inaugural da posse de Donald Trump em 2025, considerada a maior contribuição individual para o evento.

O texto menciona ainda que, no ano anterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria solicitado apoio de Joesley Batista em negociações com o governo dos Estados Unidos relacionadas à retirada de tarifas impostas a produtos brasileiros, segundo a apuração do jornal.

No contexto venezuelano, o Valor recorda que a JBS, empresa do grupo J&F, firmou no passado um contrato de cerca de US$ 2,1 bilhões com o governo Maduro para fornecimento de carne bovina e de aves durante um período de escassez de alimentos e hiperinflação. À época, de acordo com a reportagem, o acordo teria contado com articulação de autoridades do governo venezuelano, incluindo Diosdado Cabello, atualmente ministro do Interior.

Além do setor de petróleo, uma das fontes ouvidas pelo jornal afirmou que o grupo J&F também avalia oportunidades nas áreas de mineração e infraestrutura elétrica na Venezuela, indicando interesse em um conjunto mais amplo de ativos estratégicos em um país que busca reorganizar sua economia em meio a um processo de transição política e institucional.

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