Autoridades de Minnesota acusaram o governo dos Estados Unidos de tentar constranger o estado ao exigir acesso a dados sensíveis de eleitores como condição para reduzir a presença de agentes federais de imigração em Minneapolis. A denúncia foi feita após o envio de uma carta do Departamento de Justiça à administração estadual, em meio a uma escalada de confrontos entre o ICE e moradores da cidade, que já resultou em duas mortes.
Segundo o secretário de Estado de Minnesota, Steve Simon, o pedido partiu da procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, em documento encaminhado ao governador Tim Walz no dia 24 de janeiro. Entre as exigências listadas, o Departamento de Justiça solicitou que a Divisão de Direitos Civis tivesse acesso às listas de eleitores do estado. Simon afirmou que o governo local rejeitou a demanda, classificando a iniciativa como uma tentativa de coerção ilegal para obtenção de dados privados de milhões de cidadãos.
A exigência ocorreu enquanto o ICE mantém, desde dezembro, uma ampla operação em Minneapolis e Saint Paul, cidades conhecidas como “Cidades-Irmãs”. O governo federal sustenta que a mobilização tem como objetivo reforçar o controle migratório, mas a atuação dos agentes provocou forte reação popular, com protestos, confrontos nas ruas e mortes envolvendo civis e forças federais.
Um dos episódios mais recentes aconteceu no sábado, quando o enfermeiro Alex Pretti foi morto a tiros durante uma ação do ICE. No início do mês, uma mulher também foi baleada e morta por um agente federal durante uma abordagem em uma rua residencial. As ocorrências intensificaram a pressão de autoridades locais pela retirada dos agentes da cidade.
A carta assinada por Pam Bondi acusou o governo de Minnesota de se recusar a aplicar a lei federal e de adotar políticas que, segundo ela, favoreceriam criminosos. Além das listas de eleitores, o Departamento de Justiça exigiu o compartilhamento de registros de beneficiários de programas sociais, como Medicaid e assistência alimentar, e a revogação de políticas conhecidas como “santuário”, que limitam a cooperação local com ações de imigração.
O impasse ocorre em um contexto político sensível para o estado, que vota majoritariamente em candidatos democratas há décadas e é governado atualmente por Tim Walz. Minnesota terá eleições para governador em novembro, e a crise com o governo federal ampliou o debate local sobre imigração, uso da força por agentes federais e limites da autoridade de Washington sobre estados governados por partidos de oposição.
Até a última atualização, a Casa Branca não havia se manifestado oficialmente sobre a recusa de Minnesota em fornecer os dados solicitados.


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