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Lula e Petro conversam sobre pressão dos EUA para classificar PCC e CV como terroristas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta quarta-feira (11) com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em meio à crescente pressão dos Estados Unidos para classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A ligação ocorreu pela manhã e, segundo o Palácio do Planalto, tratou principalmente da agenda política regional e da […]

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Imagem: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta quarta-feira (11) com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em meio à crescente pressão dos Estados Unidos para classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

A ligação ocorreu pela manhã e, segundo o Palácio do Planalto, tratou principalmente da agenda política regional e da coordenação entre países da América Latina. O diálogo acontece em um momento de preocupação do governo brasileiro com a possibilidade de Washington incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras.

A eventual classificação pelas autoridades americanas abriria espaço para sanções financeiras e outras medidas internacionais contra integrantes das facções. No governo brasileiro, também há receio de que a decisão possa servir de base jurídica para ações extraterritoriais de combate ao crime organizado.

O tema tem mobilizado o Itamaraty e o Palácio do Planalto nas últimas semanas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chegou a discutir a proposta em contato com autoridades dos Estados Unidos, numa tentativa de evitar que a medida seja formalizada.

Embora a conversa entre Lula e Petro tenha sido oficialmente apresentada como parte da articulação política regional, o debate sobre segurança e soberania ganhou peso no contexto da ligação.

Segundo o Planalto, os dois presidentes também discutiram os preparativos para a próxima Cúpula da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), marcada para o dia 21 de março em Bogotá. Durante o telefonema, Petro informou a Lula sobre uma reunião prevista entre países da CELAC e nações africanas, que deve ocorrer na mesma data do encontro regional.

A cúpula é vista por diplomatas como um espaço para ampliar a coordenação política entre países da América Latina em um momento de tensões geopolíticas mais amplas, que envolvem disputas comerciais, segurança regional e a atuação de potências externas.

Além da agenda regional, os dois líderes também confirmaram presença em um evento internacional que discutirá temas ligados à democracia. Lula e Petro devem participar da quarta edição do encontro “Em Defesa da Democracia”, organizado pelo governo da Espanha e previsto para ocorrer em Barcelona no dia 18 de abril.

O telefonema entre os dois presidentes ocorre poucos dias após Lula levantar publicamente preocupações sobre segurança e defesa nacional. Na segunda-feira (9), durante visita de Estado do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, o presidente brasileiro afirmou que o país precisa estar preparado para possíveis ameaças externas.

“Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, declarou Lula durante cerimônia no Palácio do Planalto. A fala foi interpretada por integrantes do governo como uma referência indireta às discussões nos Estados Unidos sobre a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas.

Nos bastidores diplomáticos, autoridades brasileiras avaliam que a eventual decisão americana poderia gerar impactos políticos e econômicos relevantes.Entre as consequências possíveis estão o congelamento de ativos ligados às organizações, restrições a transações financeiras e maior pressão internacional sobre países onde essas redes criminosas atuam.

Além disso, especialistas apontam que o enquadramento de grupos criminosos como organizações terroristas altera o tratamento jurídico e estratégico dado a essas redes, abrindo espaço para medidas mais duras de cooperação internacional no combate ao crime organizado.

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Lucas Allabi

Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab

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